segunda-feira, 12 de abril de 2021

Covid: Morre aos 80 anos, seu Pedrinho, um dos homens mais religiosos de Campos Belos (GO)




Morreu, na última quinta-feira (8), aos 80 anos, o lavrador e professor Pedro José dos Santos, o Seu Pedrinho, um dos homens mais religiosos de Campos Belos (GO). 

Natural de Monte Alegre de Goiás, onde nasceu em 1940, Seu Pedrinho estava fazendo um tratamento para câncer de próstata, mas, neste interim, foi contaminado pela Covid-19 e morreu em virtude da doença. 

Segundo uma das filhas, em 2020, ele e a mulher, Dona Nenzinha, ficaram um ano isolados na chácara onde viviam, no município, privado muitas vezes de conviver com os filhos, parentes e amigos.

Mas no início deste ano, descobriu um câncer de próstata e à família vieram pesadelos do passado.

Quase em desespero, a família decidiu por transferi-lo para Brasília, onde poderia fazer um tratamento mais adequado. 

"Nesse meio termo, minha mãe passou mal. Assim ela também ficou hospitalizada por mais de 20 dias no Hospital de Base, em Brasília", contou a filha Sônia.

Com a notícia ruim sobre sua mulher, Seu Pedrinho ficou extremamente triste e mal se alimentava. 

Foi nesse período que saiu a vacina contra a Covid-19 para idade dele, na faixa dos 80 anos. 

"Mas ele recusou a tomar a vacinar por amor à minha mãe, que ainda não tinha idade para vacinar. Dizia que só iria se vacinar junto com a mulher, quando chegasse a sua idade.

Tristemente, foi bem neste período, da forte segunda onda da Covid no Brasil, com a extremamente agressiva variante de Manaus, que ele se contaminou.

Nesse período de idas e vindas dos hospitais,  todas as pessoas da casa de uma das irmãs foram contaminadas pela Covid-19, inclusive Seu Pedrinho. 

"Meu pai, muito fraco teve que ser internado no Hospital Regional de Formosa, que começou bem a responder aos medicamentos".

Ele estava muito bem com o passar dos dias. Mas abruptamente sua saúde degringolou, seu se quadro agravou muito e ele precisou de uma UTI.

No último dia 4 de abril a família conseguiu um hospital particular com UTI, em Goiânia, para onde ele foi levado. 

Com estado gravíssimo, logo foi intubado. Uma força tarefa foi feita para conseguir uma UTI pelo SUS e no dia 8 de abril foi encontrada uma vaga no Hospital das Clínicas, em Goiânia. 

Mas ele não resistiu e morreu no dia seguinte, para enorme tristeza da família, dos amigos e da comunidade religiosa católica de Campos Belos.  

Um devoto do evangelho 

Seu Pedrinho nasceu em Monte Alegre numa época muito difícil, bem no meio do tubuloso Governo Vargas. 

Filho de pais católicos e lavradores, teve muito dificuldade para estudar, pois só havia, muito mal, escolas nas cidades. 

Mas com muita perseverança e suor, conseguiu estudar e terminar o ensino fundamental e sua vida deu um salto. 

De lavrador, passou a ser professor, depois fiscal, fotógrafo e exerceu inúmeras outras atividades em Campos Belos, período também em que encontrou a sua grande paixão: Dona Flordelina.

Para além da dedicação à família, uma de suas mais saborosas atividades, era dedicar-se ao evangelho.

Sua vida foi dedicada à família e à Igreja Católica. Seu amor pelo evangelho, a igreja e sagrada comunhão era incondicional. 

Na igreja Nossa Senhora da Conceição, em Campos Belos, participou de grandes eventos como o ECC, no qual muitas vezes foi palestrante, além da participação em várias pastorais.

Na paróquia de Santo Antônio, de Monte Alegre (GO), ele também deixou o seu legado.

Lá foi por mais de 13 anos coordenador da capela Bom Jesus do Araçá, onde exerceu o papel de catequista, ministro da palavra e ministro da Sagrada Comunhão.

"Sua paixão pela igreja era tão grande que ele queria levar para todos a palavra de Deus. Foi assim que se dedicou ainda mais, fez um curso de teologia bíblico montou uma mini biblioteca, no qual possuía mais de 150 livros. 

Em março de 2018, ele criou o grupo "A Palavra Liberta", no qual foram dedicados seus estudos. No ano 2016 comemorou com família e amigos bodas de ouro 50 anos de puro amor", emociona-se Sônia.
 
Com Dona Flordelina (Nenzinha) teve oito filhos; é avô de 18 netos e bisavô de cinco bisnetos.

Triste realidade 

Há mais de um ano, quando começaram a pipocar os reais dados da pandemia da Covid-19 na Europa, começamos a publicar diariamente informações sobre a doença, que ainda não era uma realidade no Brasil e alertas constantes para o seu poder de destruição e sofrimento. 

Meu temor, como já escrevi, era a doença chegar no Brasil, que nunca saiu de suas crises e dizimasse o nosso povo. 

Temia, à época, já vislumbrando, a partida precoce de muitos conterrâneos, cheio de história e de vida, muitos deles idosos e um baú de conhecimento. E o temor virou realidade. 

Infelizmente a Covid também chegou na casa de Seu Pedrinho e o levou, mesmo com a batalha incansável de filhos e netos para salvá-lo.

A todos, os nossos sinceros sentimento de pesar e que Deus conforte o coração de todos os seus entes. 

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