segunda-feira, 1 de março de 2021

Tortura: sem sedativos, pacientes entubados de Covid são amarrados em Parintins (AM)


Tortura é a palavra correta para descrever este caso.

Imagine você doente por Covid. É hospitalizado e logo em seguida, pela evolução do quadro, tem que ser entubando.

Pelo protocolo médico, para ser entubado, o paciente tem que ser sedado, em coma induzido, e receber altas doses de medicamentos, para ficar desacordado por um longo período. 

Senão não suporta a entubação, que é muita agressiva. No procedimento, um tubo é enfiado na garganta do paciente. Assim, sedação é uma necessidade. 

Sem sedativos, o paciente quer arrancar aquele troço imediatamente. 

Bem, só que em Parintins, no inteiro do Amazonas, segundo denúncias de familiares, acabaram os sedativos e os médicos resolveram deixar os pacientes acordados e entubados.

E para isso, decidiram amarrar os pacientes às camas para eles não fazerem a extubação. 

Um terror sem imaginação. 

Nesta semana, a Defensoria Pública abriu a investigação para apurar se pacientes com Covid-19 foram amarrados por falta de sedativo no Hospital Municipal Jofre Cohen, em Parintins.

A Secretaria Municipal de Saúde de Parintins informou, em nota, que não houve falta de medicamentos sedativos em pacientes intubados na unidade. 

Quanto à denúncia, a Secretaria informou que "contenção dos mesmos é necessária para mantê-los em segurança, ao iniciar a diminuição dos sedativos, como no processo de extubação, evitando acidentes com os mesmos em uma movimentação brusca ou qualquer agitação que possa ocorrer após um longo período intubado".

Mas não é isso que os familiares têm denunciado à imprensa. 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) também afirmou que recebeu um pedido de medicamentos de Parintins e no mesmo dia abasteceu o município com medicamentos para sedação solicitados. Além disso, a SES afirmou que não houve relatos oficiais sobre os fatos narrados.

Antes da pandemia, os hospitais do Amazonas consumiam 800 ampolas por mês de um dos medicamentos usados para sedação. Com a nova explosão de casos de Covid, o número subiu para 28 mil ampolas em dezembro, e 50 mil em janeiro, quando estado viveu o momento mais crítico.

Hoje, o Amazonas consome mais da metade (54%) do produto comercializado no Brasil. Há receio pela falta do produto no mercado por causa do segundo pico da pandemia.

Com informações de A Crítica, de Manaus 

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