terça-feira, 16 de março de 2021

Rosana Cardoso lamenta e fala do início da vida política de Juranda



Por Rosana Cardoso, 

Está doendo muito…

Está passando um filme na minha cabeça, nossas primeiras caminhadas juntos, fundando partido político, o PDC, eu dizendo que ele precisava terminar o 1º grau para ser um bom vereador. 

Ele levou a sério o conselho, tanto que voltou a estudar na época, saiu candidato e ganhou sua primeira eleição.

Mas, mesmo antes disso, sempre esteve comigo, apoiando candidatos a governador, senador e deputados, onde na grande maioria das inúmeras campanhas, saíamos vitoriosos e dávamos votações expressivas aos candidatos que nós apoiávamos.

Tive a oportunidade de estar ao lado dele em várias campanhas políticas. Os outros candidatos a vereador nutriam ciúmes, em razão de nossa interação. O que ninguém compreendia era o irmão que ele era para mim. 

Seu Pobinho, D. Ceci, cresci vendo eles em nossa casa. Meu pai sempre me ensinou que amizades valem mais que a situação econômica e eu nutria uma consideração por todos da família.

Família, parentes a gente não escolhe, mas ele era meu irmão de coração e ele sabia disso. Por isso, sempre sonhou comigo, os meus sonhos, os deles e aqueles que tínhamos pela coletividade. Todos os nossos desejos de poder ajudar o próximo e de ter uma cidade para todos. Quantas conversas, quantos planos fizemos juntos. Lembro do seu primeiro slogan, dos primeiros adesivos: Juranda é o povo que manda...

Hoje, o seu povo, não tem mais em quem mandar... Você partiu antes do combinado, trocamos várias confidências e sonhos juntos, na política, era o meu companheiro, sempre o primeiro a saber, quando tomava minhas decisões na vida pública. Juntos, sempre tivemos a felicidade de apoiar nossas escolhas e sermos vitoriosos, na maioria de nossas caminhadas juntos.

Nunca tivemos um acerto de despesas em campanha, eu dava o meu melhor para ele e ele retribuía com o melhor dele, sempre trazendo e levando esperança para aqueles que não tinham voz. Quando perdi a eleição para prefeita, choramos juntos na cozinha de casa. Ele me dizia “não tem graça ser vereador sem você no comando da cidade”, disse. Respondi: “vai, você me representa e não vai me decepcionar.”

Quando chamei ele um dia lá em casa, entre muitas idas e vidas a Campos Belos, falei: “Juranda não vou mais mexer com política disputando nenhum cargo”. Ele olhou pra mim e disse: “não acredito que meu sonho não vai realizar! Você me trouxe para política e vou caminhar sozinho?”

Eu, então o confortei: “jamais! serei sua eterna companheira, para todas as horas.”

E, hoje, na última hora, não vou poder despedir de você, Juranda. Não te dei meu abraço de parabéns pela sua vitória. Falamos ao telefone, mas nossos sonhos se concretizaram em você. Na última eleição, entre várias ligações, trocamos ideias e orientações a distância. A pandemia não me permitia ir ajudá-lo. Entre essas várias ligações, ainda triste com o desenrolar dos acordos e escolhas na política eu o aconselhei a ir para roça, esfriar a cabeça. Disse a ele que seu trabalho e sua honra seriam exaltados. Falei pra ele que sua hora era agora e o estimulei a deixar o mandato de vereador e para disputar seus sonhos que já havia semeado tanto. Sua vitória será sua glória, eu disse a ele, que, prontamente, me respondeu: o meu desejo era um dia estar junto com você numa composição política”.

Mas a vida mudou nossos sonhos, meu irmão. Os anjos e o céu estão te exaltando, pois o "Povo é que manda". Você foi governar no céu e continuar sua caminhada num outro plano, o espiritual. A única certeza que tenho é que um dia vamos governar juntos, com o Pai Celestial. Aí vamos realizar todos os nossos sonhos… descanse em Paz meu irmão..

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