quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Memórias de Campos Belos: João Victor de Souza foi um dos pioneiros no ramo de construção e manutenção de estradas



Por Jefferson Victor,

Nascido no estado do Rio Grande do Norte, João Victor serviu ao Exército Brasileiro; era músico e fazia parte da Banda Oficial de Natal, oportunidade em que também atuava como motorista de caminhão.

Uma preciosidade para a época, o que o credenciava a ter emprego fácil em qualquer lugar do país em que quisesse trabalhar.

Era década de 1950, a seca castigava o Nordeste e ele se viu na condição de ser mais um retirante da seca, deixou os pais ainda novo e saiu Brasil afora em busca de uma melhor qualidade de vida.

Perambulou por vários estados brasileiros, e como Brasília estava em plena construção, e por ser motorista, encontrou ali uma oportunidade de emprego, onde trabalhou por alguns anos.

Depois disto passou a integrar o DNER Departamento de Estradas de Rodagem em Goiás, ocasião em que participou da construção de estradas no nordeste de Goiás, posteriormente veio prestar serviços em Taguatinga, hoje Tocantins. 

Lá conheceu Laurita, uma bonita moça proprietária do Cartório da cidade, casaram e tiveram 5 filhos, Jackson, Jefferson, Selma, Jacobson e João Victor de Souza Junior.

No ano de 1971 mudou-se com a família para a pequena São Domingos, onde passou a integrar o CRISA e em 1973 fixou residência em definitivo na cidade de Campos Belos (GO).

Ele começou como chefe do Comboio, caminhão que era responsável por abastecimento e lubrificação da frota. 

Depois passou a ser o chamado “chefe de equipe”, era o responsável pela construção e manutenção de todas as estradas da região, era ele quem definia estratégias de trabalho, inclusive foi o responsável pela construção de várias estradas vicinais no município de Campos Belos.

Nos anos 70, o Consórcio era o responsável pela manutenção de todas as estradas da região, na época da chuva, auxiliava motorista a atravessar atoleiros, eram rebocados por tratores e o trecho era então recuperado facilitando o tráfego e encurtando tempo de viagem.

Como mostra o trecho, meu pai teve papel importante no progresso de nossa região, deu a sua contribuição no desenvolvimento, foi um dos desbravadores do tão sofrido corredor da miséria, contribuiu, deixou o seu nome marcado na história. 

Quem hoje transita em asfalto de qualidade não tem a noção do quanto ele e muitos outros que faziam parte de sua equipe de trabalho sofreram para proporcionar uma melhor qualidade de vida a nossa comunidade.

Depois disto, foi vendedor de tratores e equipamentos na concessionária Cambel, a primeira revenda da modalidade na região, sediada onde hoje é a Cerealista Só Grãos, foi o início do desenvolvimento da agropecuária regional.

Atuou também como comerciante no ramo de secos e molhados no Setor Aeroporto, atividade que permaneceu até seus últimos dias.

João Victor foi acometido por um câncer de pulmão, era fumante e contraiu a doença em virtude do cigarro; fez tratamento intensivo, mas em 10 de janeiro de 1991 faleceu.

Foi sepultado em Campos Belos, cidade em que adotou como sua terra natal, cidade em que fomos criados até que cada um pudesse escolher o seu destino.

Escrevi esta matéria como forma de abrir a série “Memorias de Campos Belos”, grupo no Facebook, uma forma de prestar minha homenagem ao meu pai e também mostrar ao povo mais jovem sua contribuição no desenvolvimento regional.

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