terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Campinas abre investigação interna sobre menino torturado em tambor; Conselho tutelar foi extremamente omisso




O prefeito de Campinas, no interior de São Paulo, Dário Saadi, deu um prazo de 24 horas para que as secretarias responsáveis apresentem um relatório completo sobre os atendimentos prestados ao garoto de 11 anos, encontrado nu e acorrentado dentro de um barril em uma casa no Jardim das Andorinhas no último sábado (30).

Além do acompanhamento feito à família pelo Conselho Tutelar há um ano, eles também faziam parte da Rede de Assistência Social do município.

A Promotoria da Infância e Juventude de Campinas também abriu um procedimento para apurar informações sobre os atendimentos recebidos pela criança, em especial no último ano.

Os vizinhos do menino afirmam que já desconfiavam de irregularidades e maus-tratos dos pais em relação à criança. Uma vizinha ouvida pela Record TV acredita que o garoto estava preso no barril há mais de um mês.

O garoto foi socorrido pela Polícia Militar, passou por avaliação médica e foi submetido aos cuidados do Conselho Tutelar. Ele estava acorrentado pelas mãos e pés e preso dentro de um tonel de tinta.

O pai, a madrasta e a irmã mais velha do garoto foram presos em flagrante e podem responder por tortura e omissão.

Tortura

"Ele ficava batendo na parede com a cabeça. O pai e a madrasta batiam e xingavam o menino", relata um vizinho.

"Nunca vi uma criança ser tratada dessa forma injustamente, infelizmente existe ser humano capaz de uma coisa dessas", afirmou outro morador da região.

A criança era torturada e agredida sem poder chorar. "É só porque eu pegava as coisas para comer sem pedir para a minha mãe e meu pai. Meus irmãos podem pegar as coisas sem pedir, eu não", disse o garoto quando foi resgatado.

Segundo a polícia, tudo começou a partir de uma denúncia anônima de que havia uma criança trancada num cômodo de uma residência no Jardim das Andorinhas, dentro de um tonel e que estava amarrada.

Os agentes, então, foram ao local e entraram na residência. Ao vasculhar o imóvel, encontraram a criança em um cubículo e, conforme a denúncia, dentro de um tambor. O menino ficava debaixo de sol, por longos períodos, sem água e alimentação. Por isso, estava desidratado e desnutrido. Segundo os agentes, o garoto pesa cerca de 25 kg.

Aos policiais, o garoto disse que, quando sentia fome, comia as próprias fezes. Depois que respondeu as perguntas dos agentes, pediu, aos prantos, para ser adotado porque não aguentava mais essa vida.

A polícia afirmou ainda que o pai do menino, Carlos Eduardo dos Santos, 31 anos, auxiliar de serviços gerais, ficou incomodado com a presença dos agentes. "Ele queria saber o que a gente estava fazendo ali", disse um dos policiais.

Os maus-tratos já teriam sido denunciados, mas nada era feito pelo Conselho Tutelar da região. 

"Eles não acreditavam mais em nós", relata uma moradora. Outro morador disse ter desconfiado das agressões físicas e verbais, porém acreditava não ter provas para salvar o garoto. Agora, a vizinhança se sente aliviada. "Ele não tinha nem forças para gritar e pedir ajuda", relata um morador do bairro.

Conselho Tutelar

O Conselho Tutelar de Campinas emitiu uma nota de esclarecimento na tarde desta segunda-feira (1º) e afirmou que presta atendimento à criança, mas não revelou o número de visitas feitas à família em um ano.

"Em dezembro de 2020 e janeiro de 2021, recebemos a notícia de que a situação da criança e da família vinha evoluindo bem e positivamente", destacou em nota.

O órgão ainda ressaltou que o trabalho começou após denúncias sobre as condições de fragilidade em torno da saúde e das relações familiares da criança.

Com informações da Record

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