sábado, 23 de janeiro de 2021

Município de Cavalcante (GO) reclama da escassez de vacinas contra a Covid-19



A administração de Cavalcante, município localizado no Nordeste goiano, uma das regiões mais carentes do Estado, tenta encontrar meios para enfrentar os efeitos da pandemia do coronavírus no município. 

Com cerca de 10 mil habitantes, a localidade recebeu 90 doses da vacina contra a Covid-19, insuficientes para atender nesta primeira etapa os 177 trabalhadores da saúde.

Até agora, são 73 casos e 2 mortes pela doença confirmados. Com pouca infraestrutura, Cavalcante, ao norte da Chapada dos Veadeiros, recebe milhares de turistas todos os anos.

No ano passado, agentes de endemias foram deslocados para a barreira sanitária na principal rodovia de acesso ao município, a GO-241. O resultado foi o crescimento vertiginoso de casos de leishmaniose tegumentar, doença provocada por um protozoário que ocasiona feridas difíceis de cicatrizar. 

A Secretaria de Saúde do município montou uma força-tarefa para cuidar dos casos diagnosticados e fazer a prevenção. Em 2019 foram registrados pela pasta 16 casos de leishmaniose tegumentar, já em 2021 foram 41.

Secretária de Saúde de Cavalcante, Gessélia Batista disse que a barreira sanitária foi desativada. Os agentes comunitários de endemias estão em campo tentando identificar casos de leishmaniose tegumentar e veterinários cuidam de animais domésticos. 

A doença, conhecida como “ferida brava”, é transmitida por insetos do gênero Lutzomyia, os conhecidos mosquitos-palha. 

Eles se contaminam após picar pessoas ou animais portadores da doença, principalmente cães, gatos e ratos. Para Gessélia, a falta de veículos da pasta para realizar ações efetivas na zona rural contribuiu para aumentar os casos.

Vacinas

Sobre as vacinas contra a Covid-19, houve uma grande decepção com a chegada do primeiro lote ao município. “Havia uma grande expectativa porque a situação da saúde no município é muito complicada. Não temos estrutura nem para buscar casos mais graves na zona rural. 

Nossos respiradores são portáteis e não há Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).” A única unidade hospitalar da cidade funciona sem alvará sanitário. Casos até mesmo de parto são encaminhados para Goiânia, a 500 quilômetros de distância, ou Planaltina, no Distrito Federal.

Mesmo com orçamento apertado, a nova gestão de Cavalcante, agora comandada por Valmir Souza Costa, o Vilmar Kalunga, ex-presidente da Associação Quilombola Kalunga, tenta estruturar a Patrulha da Covid para fiscalizar estabelecimentos comerciais que têm relaxado com protocolos sanitários. 

Esta semana houve uma reunião, com a participação do representante do Ministério Público, para discutir o assunto.

O município tem em seu território quatro quilombos, compondo grande parte do contingente populacional. Pelo plano de vacinação do governo estadual, mais de 20 mil pessoas integram as comunidades tradicionais quilombola que estão em sétimo lugar na lista de prioritários para receber a vacina.

Em Cavalcante, o acesso às cachoeiras que atraem turistas de todo o mundo está fechado desde março de 2020. Adriano Paulino, presidente da Associação Kalunga do Engenho, onde está a principal delas, de Santa Bárbara, conta que o anúncio da chegada da vacina animou sua comunidade. 

“Estamos vivendo de auxílios e da agricultura familiar. Cerca de 70% da nossa economia está baseada no turismo. Pensávamos em reabrir nossas atrações quando a vacina chegasse, mas não esperávamos que fosse nessa quantidade.”

Embora esteja em andamento a preparação de um plano de reabertura das cachoeiras para março, Adriano Paulino não está seguro de que isso irá ocorrer, mesmo que os 720 membros da comunidade sejam imunizados.

“Não adianta nos proteger e os visitantes não. Haveria um foco de contaminação porque vem gente de todo lugar. Não adianta priorizar somente a economia”, diz. Todo o Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga conta com aproximadamente 8 mil pessoas.

Para a regional de saúde Nordeste 1 foram enviadas 440 doses destinadas prioritariamente aos profissionais de saúde que estão na linha de frente no combate à Covid-19. 

Campos Belos, o município-polo, recebeu 198. 

As demais foram para Cavalcante (90), Divinópolis de Goiás (70), Monte Alegre de Goiás (50) e Teresina de Goiás (40).

Vacinação irá alcançar 281 indígenas e começará nesta quinta-feira (21)

Nesta primeira etapa da vacinação contra o coronavírus (Sars-CoV-2) em Goiás, 281 pessoas que moram em aldeias indígenas serão imunizadas. De acordo com informações da Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES-GO), o processo de vacinação neste grupo irá começar nesta quinta-feira (21).

A pasta explicou, em nota, que a organização para vacinação compreende uma atuação conjunta com profissionais do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) do Araguaia e que eles estão sendo deslocados até as comunidades indígenas para dar assistência no início a imunização dessas pessoas.

Dessa forma, ao todo, serão 562 doses desse primeiro lote de vacinas destinadas para esse grupo. 

Neste primeiro momento, apenas indígenas aldeados irão receber a vacina e não precisarão se deslocar até a cidade para serem imunizados, sendo que os profissionais de saúde irão até as comunidades para realizar o procedimento.

Receberão as vacinas os indígenas em moram na Aldeia Avá Canoeiros, em Minaçu; Aldeias Iny / Karajás, Bdé Buré e Buridina, em Aruanã, e os que estão na Terra Indígena Tapuios e Aldeia Carretão, nos municípios de Nova América e Rubiataba.

O titular da secretaria municipal de Saúde de Aruanã, Paulo da Silva, explica que diversos profissionais de saúde da cidade já foram imunizados e estão esperando apenas a chegada dos servidores do DSEI do Araguaia para dar início a imunização dos indígenas. “Esperamos fazer esse trabalho nesta quinta, no máximo até nesta sexta-feira (20)”, diz.

Fonte e texto: O Popular

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