quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

MP-GO recorre contra prisão domiciliar de mulher denunciada por matar homem com fogo. Ele é natural de São Domingos (GO), conhecido por velar a mãe sozinho


Mesmo após morto, o homem que reclamou em redes sociais por velar sua mãe sozinho, continua atormentado por um drama interminável.  

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) entrou com um pedido para revogar a prisão domiciliar e volta para a cadeia da acusada de homicídio Bárbara Morais dos Santos.

Ela foi denunciada em julho passado, juntamente com Matheus Teixeira Carneiro, por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, com emprego de meio cruel e uso de recurso que impossibilitou.

A dupla matou José Ricardo Fernandes, natural de São Domingos (GO), que ficou conhecido após ter viralizado nas redes sociais uma foto em que ele velava sozinho a mãe.

O crime ocorreu no dia 10 de julho, dentro da casa da vítima, e teve como motivação o roubo do dinheiro arrecadado com uma “vaquinha virtual”, criada para custear tratamento de hemodiálise dele. 

De acordo com o promotor de Justiça, Milton Marcolino dos Santos Júnior, a mulher está descumprindo decisão de prisão domiciliar, além de ter gastado o dinheiro da vaquinha virtual, cuja devolução havia sido determinada pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia.

O promotor de Justiça disse que Bárbara Morais dos Santos e Matheus Teixeira Carneiro foram presos em flagrante no dia 14 de julho deste ano e tiveram as prisões convertidas em preventiva no dia seguinte.

O crime

De acordo com Milton Marcolino dos Santos Júnior, a mulher se propôs a ajudar a vítima em seu tratamento de hemodiálise, com a realização de campanha de arrecadação de dinheiro. 

Mas, para ficar com o dinheiro, ela contratou Matheus Teixeira Carneiro, após fazer pesquisa em uma rede social, por R$ 2 mil, para que executasse a vítima.

No dia do crime, os dois foram até a residência de José; ela entrou no imóvel, e permitiu que o comparsa, que aguardava do lado de fora e se passava por um doador de cesta básica, também entrasse.

Dentro do imóvel, ambos espancaram a vítima, jogaram álcool e atearam fogo em seu corpo. 

Os dois furtaram uma televisão, celular e carteira com documentos e cartões de crédito.

Preventiva

No curso do processo, a defesa da mulher pediu a revogação da prisão preventiva e a sua conversão em prisão domiciliar, sob o argumento de que ela estaria sendo ameaçada na Casa de Prisão Provisória.

O juiz aceitou e determinou a transferência, para conta vinculada ao juízo, dos mais de R$ 30 mil que haviam sido arrecadados para o tratamento de José Ricardo.

Agora, o MP-GO descobriu que, ao invés de proceder à transferência dos valores, Bárbara Morais dos Santos teria utilizado o dinheiro, em vários dias, para a realização de compras em farmácias, lanchonetes, bares e lojas de celulares. 

O promotor afirma que a decretação da prisão preventiva busca a garantia da ordem pública, em razão da gravidade da infração, pois trata-se de homicídio triplamente qualificado, crime hediondo, e também de furto qualificado, com repercussão social, periculosidade do agente e risco de reiteração de ações delituosas.

Segundo ele, Bárbara Morais dos Santos matou a vítima para ficar com o dinheiro dela, tanto que transferiu o valor da conta de José Ricardo para a sua e, apesar das decisões judiciais determinando que o dinheiro fosse depositado em conta judicial, o utilizou em benefício próprio. 

“O risco de reiteração de ações delituosas por parte de Bárbara Morais dos Santos se mostra patente. 

Estão presentes hipóteses reais de abalo social em nossa comunidade, que muito vem sofrendo com inúmeros crimes de homicídios, assim como esse, de extrema gravidade, usurpando não só o sossego social, como também o próprio descrédito nas instituições públicas, como o Ministério Público, Polícia Civil e, sobretudo, no Poder Judiciário. 

Aliás, como a recorrida foi colocada em prisão domiciliar, como já era de se esperar, ela não cumpriu as determinações que lhe foram impostas; descumpriu-as, zombando e sambando na cara da Justiça, uma verdadeira afronta”, enfatizou.

Com informações do MPGO

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