terça-feira, 13 de outubro de 2020

Tristeza sem fim: Covid tira a vida de um dos casais mais simpáticos e tradicionais de Combinado (TO)




Toda vez que este Blog conta a triste história de uma morte por Covid-19 em nossa região não me canso de relembrar.

Desde março, início da pandemia aqui no Brasil,  temos publicado sobre o perigo estrondoso da Covid. Os alertas eram diários e constantes. 

E por várias vezes este Blog foi combatido e até chamado de "comunista", antigoverno ou alarmista, por certos setores da sociedade.

Foram momentos duros.

Mas as informações que recebíamos da Europa eram terríveis e desalentadoras. 

Como passá-las sem ser alarmista? como falar a verdade, sem assustar? Como informar, sem politizar? 

O que queríamos era dá notícias, como temos dado nos últimos meses e evitar que pessoas queridas, como hoje vemos, pudessem esticar a vida mais um pouco, porque a doença, apesar de absolutamente contagiosa e fatal, era evitável. 

Por isso, temos certeza que fizemos o certo. 

Pois bem, hoje (13), mais uma triste notícia vem da nossa região. 

Um casal de idosos, dos mais simpáticos e queridos de Combinado (TO), sudeste do estado, perdeu a luta e a vida para a Covid-19.

Dona Maria José da Silva, 76 anos, e Seu Anastácio José da Silva, 85 anos, eram casados a mais de 64 anos. Mais de meio século juntos.

Pioneiros em Combinado (TO), moradores há 50 anos da comunidade, viram a cidade florescer, crescer e criar raízes. Evangélicos, geraram, criaram e deram ao Brasil 12 filhos, 12 cidadãos, além de netos e bisnetos. 

Na cidade, Seu Anastácio José era afamado, principalmente pela sua honestidade e pelo forte caráter.

Com muito sacrifício e junto com Dona  Maria José criaram seus filhos e fizeram de Combinado um lugar melhor para se viver. 

Uma das netas conta que o sonho do casal era que ambos morressem na mesma época, para que um não sofresse com a ausência do outro. 

Quis o destino que a malfadada da Covid contaminasse os dois ao mesmo tempo e que os levasse para o "Além" com uma diferença de apenas quatro dias.

Uma tragédia para os filhos, netos e pessoas próximas. Mas um alento para o casal, por não ver e não sentir o sofrimento do outro.

Após os primeiros sintomas, Dona Maria José foi levada, às pressas, para um hospital de Palmas (TO), capital do estado.

Dias depois, quase ao mesmo tempo, Seu Anastácio foi socorrido para um hospital de Brasília. A saúde de ambos foi aos poucos piorando; os pulmões perdendo a capacidade de produzir respiração e tiveram que ser entubados. 

Os dois passaram 23 dias lutando pela vida, mas em vão. Ela morreu primeiro, na semana passada. 

Enquanto a família chorava e tentava fazer uma despedida merecida, mesmo com os rígidos protocolos da Covid e ainda tentando se recuperar do baque, chega a notícia do óbito de Seu Anastácio.

Para piorar a situação, uma norma do DF impede que os familiares retirem corpos de pacientes vítimas de Covid moradores de cidades a mais de 250 km da capital federal. 

Só uma decisão judicial pode permitir aos filhos ver e sentir Seu Anastácio pela derradeira vez. Do contrário, a norma, duríssima e desumana, por sinal, determina que o corpo seja cremado.

Já é noite desta terça-feira (13) e a família ainda luta para que Seu Anastácio seja enterrado ao lado de sua digníssima esposa. 

À numerosa família de Seu Anastácio e de Dona Maria José os nossos sinceros sentimentos de pesar.  

Que Deus conforte o coração de todos, neste momento duríssimo da vida de cada um de vocês. 

2 comentários:

  1. Muito triste a partida do referido casal. Pessoas boas de caráter. Vai ser triste olhar da minha casa para casa deles e não mais vê-los. Que Deus conforte toda família.

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  2. Fiquei chocado, pessoas maravilhosas, quando eu morava em campos Belos passei um mês de férias na casa deles.

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