domingo, 15 de julho de 2007

Haiti: Porto Príncipe, uma capital em agonia


Porto Príncipe é uma das capitais mais miseráveis do mundo. Densamente povoada, tem cerca de 2,5 milhões de habitantes. Cresceu assustadoramente com o decorrer das sucessivas crises políticas e com o negligenciamento da estrutura econômica do país, principalmente a agrária.

O colapso da agricultura, em queda desde a independência, e a devastação ambiental, obrigaram a um êxodo rural volumoso. A população, 72% essencialmente rural até meados do século 20, mudou de perfil rapidamente.

Carente da infra-estrutura básica, ela começou a inchar e a formar bolsões de miséria. A maioria dos habitantes vive em favelas ou guetos, na mais absoluta pobreza. Os serviços básicos, como energia elétrica, água, esgoto e coleta de lixo praticamente não existem.
O trânsito, sem semáforos e com o emaranhado de carros velhos e batidos, é um dos mais congestionados do mundo, num verdadeiro caos urbano.

O fornecimento de energia é racionado. O país tem apenas uma hidrelétrica, incapaz de suprir uma parcela mínima da população, que se socorre ao carvão vegetal e acelera mais ainda a extinção da cobertura verde, já quase inexistente.

A maioria dos bairros de Porto Príncipe tem energia elétrica apenas uma ou duas vezes por semana. Os poucos que podem, têm gerador a diesel. Um drama para os milhões de habitantes, desprovidos das facilidades diárias do século 21, como geladeiras, ferro de passar (o ferro ainda é à brasa!), televisores e demais objetos.

Além da fome que abate um percentual altíssimo, a violência urbana aterroriza a capital. Somados aos crimes comuns de uma grande metrópole pobre, os grupos armados criaram verdadeiros feudos particulares nos bairros.

Eles surgiram, em favelas como Cité Soleil, depois da reassunção do governo pelo ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, em 1994.

Desde então, imperou a lei do crime. Estupros, seqüestros, tráfico de drogas, assassinatos e chacinas se tornaram uma rotina. Uma violência bárbara que vitima principalmente as pessoas mais frágeis, como mulheres e crianças. A expectativa de vida neste país não chega aos 50 anos.

Desde a intervenção das Nações Unidas em 2004, com tropas militares e ajuda humanitária, que o nível de barbárie tem diminuído. Bairros como Bel Air, um favelão no centro da capital, em contraste com o belíssimo Palácio Presidencial, foi pacificado, teve melhora sensível e vive sem o terror das gangues.

Outros, como Cité Soleil, ainda apresentam constantes confrontos com as forças da ONU. Com um nível de segurança precário, os grupos e entidades humanitárias têm dificuldades em assistir às milhares de pessoas, que minguam com menos de um dólar por dia.

Um comentário:

  1. Excelente texto Dinomar. A sua visão da realizadade do Haiti é tão clara que nos reporta para a miséria e sofrimento daquele povo.

    Abraço!

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