quinta-feira, 19 de março de 2020

Crônica: Coronavirus e o Cajado de Deus


Por Laerte Rocha,

Deus se cansou. 

Cansou de esperar que os homens melhorassem, que seus corações abrissem para o amor e a confraternidade. 

Deus esperou, esperou até não pode mais, a cada dia o homem se distanciava mais Dele, abraçando o caminho da perversidade e desprezo a tudo que criou. 

Nós como marginais e delinquentes começamos destruir tudo, tudo que Ele colocou na face da terra para enfeitar, nos servir e adornar nossas convivências, como os animais silvestres, as árvores, os rios, as montanhas, os mares e até nossos semelhantes. 

E como agradecimento por tudo que recebemos, o que fizemos?- Exterminamos nossos animais, que como nós têm sentimentos de amor e zelam por sua sobrevivência e choram, um choro calado pela sucumbência dos seus! Derrubamos árvores centenárias sem o menor sentimento de compaixão ou consideração de ao menos lembrarmos que essa beleza já presenciou séculos de nossa existência no incansável labor de proteger gratuitamente o solo que nos alimenta. 

Indiferentemente e por razões econômicas e gananciosas incendiamos nossas florestas exterminando os animais que ali vivem em harmonia sob a bênção do Senhor. 

Poluímos nossos rios e mananciais, mesmo sabendo que os seres viventes naquele ambiente vão inexoravelmente serem exterminados por inanição ou asfixia. 

Lembremos os ensinamentos do cacique Sheattle, que em 1885, em carta ao presidente dos Estados Unidos, assim se pronunciou: 

O que é o homem sem os animais, se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo que acontece aos animais, podem também afetar os homens, tudo que fere a terra, fere também aos filhos da terra, a terra é amada por Ele, e fazer mal a terra é demonstrar desprezo pelo Criador, o homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que outras raças, continua sujando a sua própria cama, e há de sucumbir uma noite sufocado em seus próprios dejetos ...!”

O homem atualmente, não se ateve só no desprezo a natureza, pior, despreza o próximo, seu irmão...

Elaboram leis perversas, não de regeneração ao seu semelhante delinquente, mas de aniquilação, alijamento, desterro, destruição moral e física e até o extermínio, como o parafrasear em voga: Bandido bom, é bandido morto. 

Como que se bandido não fosse também nosso irmão, embora seguindo caminhos tenebrosos e sombrios, muitas vezes por falta de assistência e apoio de nossos governantes e pela contundente desigualdade social em que vivemos. 

Tentemos recuperar nossos irmãos na marginalidade, e não os destruir, aniquilá-los, pois mesmo extraviados, são nossos irmãos. 

Quem somos nós para julgarmos peremptoriamente , com mão de ferro, o nosso irmão em descaminho. Todos somos imperfeitos, do contrário não estaríamos aqui nesse mundo de regeneração e aprendizado, como disse Jesus quando Madalena era perseguida por radicais irados: 

“ ATIRE A PRIMEIRA PEDRA AQUELE QUE NÃO TIVER PECADO..”

Meus irmãos, essa hecatombe que estamos presenciando, não é a primeira, nem será a última.

Já tivemos várias pandemias pelo mundo afora, em 1817 a cólera, em 1824 a 1840 a varíola que provocou mais de meio milhão de mortes, em 1855 a peste negra surgida na China, com 25 milhões de mortos , 30% da população europeia, em 1918 a1919 a gripe espanhola com total de mortos entre 40 a 50 milhões, a AIDES em 1982, causando 32 milhões de mortos.etc....

Em todos esses eventos estava presente o CAJADO DE DEUS, e não como querem nos fazer crer alguns desinformados evangélicos: “coisa de Satanás”. 

Não satanás não tem poder algum, satanás somos nós mesmos quando eivados por interesses mesquinhos, levamos aos templos religiosos milhões de fieis desinformados e incultos e os exploramos financeiramente com dízimos exorbitantes. 

Esses acontecimentos são guiados pelo cajado do Senhor, a nos chamar à razão, a nos conter da insanidade e desprezo às suas leis transcendentais, que regem pelo amor ao próximo, disciplina, harmonia e respeito à natureza.

Não nos desesperemos! Tudo passa e isso também vai passar, mas não antes de surtir os efeitos que o momento requer. A doença que muitas vezes nos leva ao leito, a dor e ao sofrimento, muitas vezes é remédio eficaz à reflexão dos nossos exageros e iniquidades.

Estávamos muito convencidos de nós, até a pouco éramos os imbatíveis, senhores de nós mesmos, super-homens, não precisávamos mais de Deus, Deus! quem é ele, fomos nós que criamos o progresso, a evolução e tudo de bom que há, temos a internet, energia, combustível, dominamos a ciência, a astrologia, sabemos o dia que chove e o que faz sol, produzimos de tudo, aumentamos a longevidade de nosso espécie, etc....e tal...Deus! não temos tempo para Ele, temos que andar depressa, muito depressa, Deus é coisa do passado...

Pois bem, bastou o cajado do Pai descer sobre nós e tornamos de um dia pra outro, frágil, mesquinho, tênue, insignificante, verme, e o que é melhor, mais humanos.

Os países de todo o mundo tendem a falir, nossa ciência tornou-se insipiente, o trânsito diligente parou, a agonia da pressa deu lugar a reclusão do lar, os governantes que antes só pensavam em aumento do PIB, em detrimento à exploração e sacrifício dos menos favorecidos, estancam aturdidos sem saber que direção seguir, os fabricantes de bombas atômicas para extermínio dos seus semelhantes, paralisaram seus projetos macabros. 

Países de governantes ditatoriais e regimes perversos resolveram dar liberdades aos presos políticos, autoridades nacionais que mantinham encarcerados milhares de detentos com penas menos graves, já ventilam a lucidez, agora, de encaminhar esses mesmos esquecidos as suas residências.

Vizinhos que nunca se falavam, embora morando no mesmo prédio, agora se confraternizam e auxiliam uns aos outros.

Em que pese a atual situação, tiremos uma lição a ser seguida para sempre: SEM DEUS NÃO SOMOS NINGUÉM.

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