sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Em Campos Belos (GO), morre "Pedro Canuto", grande sanfoneiro da região



Por Jefferson Victor, 


Morreu, na última terça feira (18), Pedro José da Silva, 90 anos, conhecido em toda região como "Pedro Canuto", tocador de sanfona e dono de uma das primeiras bandas da cidade.

Filho de pais baianos, 
Pedro Canuto, quando rapaz, morou em Divinópolis de Goiás, ocasião em que conheceu dona Maria Soares da Silva. 

Em 1963, casaram e tiveram 8 filhos: Tião da Águia Automóveis, Pedrinho da Pousada 10 de Ouro, Aparecida, Dorivan, Lurdinha, Maria Helena, Messias e Maria Eunice.

A mãe dele se chamava dona Canuta e, em função disto, as pessoas o chamavam de Pedro Canuto; assim era conhecido em toda região.

Em Campos Belos, Pedro 
Canuta fundou a "Banda PC". Era o tocador de sanfona, tinha "Bilu Teteia" como zabumbeiro, e os filhos, Tião e Pedrinho, faziam parte da orquestra, tocando tambores pequenos, feitos especialmente para eles.

"A encrenca era que os meninos eram muito pequenos e às vezes não resistiam às noitadas. Tocavam meio que cochilando e por isto Dona Maria geralmente o proibia levá-los. Sem os meninos dos tambores, a banda muitas das vezes ficava desfalcada".

Durante muitas décadas Pedro Canuta era o tocador e o principal animador do carnaval de rua em Campos Belos, tocou na Kampuba e animava também os foliões arraianos.

As pessoas brincavam com Pedro dizendo que o pandeiro dizia assim: “buscar pinga no boteco, buscar pinga no boteco), e o zabumba respondia: “pra Pedro Canuto, pra Pedro Canuto). Coisas de interior.

Antes da Saneago se instalar em Campos Belos, Pedro Canuto era o homem da água. Abriu centenas de cisternas no município e em toda região, inclusive fazendas.

Homem trabalhador, não rejeitava esse tipo de serviço e nunca abandonava os poços pela metade. 


Alcançava altas profundidades, e por várias vezes se deparou com gases e devido à sua experiência conseguiu sair de todos os acidentes.

Pedro Canuto tinha suas manias. 
Um dos hábitos era carregar uma sacola de compras de cor verde, embolada, e nem mesmo os filhos sabiam o porquê.

Até que um dia, Tião, bastante curioso, a abriu rapidamente e descobriu  o "segredo" de décadas. Era um pequeno facão, super amolado, e a sacola era apenas um competente disfarce.

Canuto é mais um antigo morador que se vai, teve um papel fundamental no desenvolvimento de Campos Belos, deu sua enorme contribuição e entra para a história como um dos pioneiros do lugar, matou a cede e alegrou muita gente.

Por tudo isso merece todas as nossas homenagens.

Desde já externamos os nossos sentimentos à família enlutada, pedindo a Deus que conforte a todos neste momento tão difícil.

Pedro foi velado na sala velatória da Pax Vida e o sepultamento ocorreu na quarta-feira (19), às 10 h, quando a cidade e seus familiares se despediram do eterno safoneiro, carnavalesco e "produtor de águas".



Trajetória de vida de Pedro Canuta - homenagem de uma neta

Era terça feira, 18 de fevereiro de 2020. O dia estava quente, já passava do meio dia quando Pedro José da Silva deu seu último respirar e se foi! Sim, pois Deus já havia determinado que a sua história na terra se findasse ali, naquele exato dia e momento.

Para aqueles que o amavam, ficou a dor, o vazio, o amor vivido. Alguns tiveram a oportunidade em se despedir; outros aquela sensação terrível em não poder dar o seu último adeus.

Pedro José da Silva, o popular “Pedro Canuta”, o sanfoneiro de tempos outrora, aquele que abria cisterna, o lavrador, aquele que quando tinha o privilégio da boa visão estava todos os domingos na feira municipal com o seu embornal por debaixo dos braços... 

A feira era a sua missa dominical, onde se via cercado de amigos e praticava boas ações.

Natural de Divinópolis de Goiás viveu grande parte da vida no povoado das Melancias, onde casou- se com Maria Soares da Silva e constituiu uma grande família. 

Como frutos dessa união tiveram 08 filhos, 31 netos, 24 bisnetos e 03 tataranetos. Foi um homem íntegro, que ensinou a cada um dos seus filhos o valor do trabalho honrado.

Essa foi à trajetória de vida do tocador de sanfona; do marido, pai, avô, bisavô e tataravô. 

Muitos que lerem esse memorial certamente irão acrescentar suas lembranças sobre o bom amigo que ele também foi ajudando a perpetuar pérolas sobre sua passagem sobre essa terra. 

Lembraremos-nos com saudades dos seus olhos “Canuta” querido, pois você costuma sorrir através deles, e inevitavelmente nos lembraremos também daquele triste dia de verão, o dia que você partiu nos deixando somente com o cheiro das flores!

Vá com Deus! Faça com ele agora, sua nova morada.



Um comentário:

  1. Obrigado e parabéns por descrever tão bem a trajetória de uma pessoa que viveu a sua vida sempre pautada na simplicidade

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