terça-feira, 1 de outubro de 2019

Oeste da Bahia ganha o primeiro polo de irrigação do Nordeste


Reconhecido nacionalmente como uma das principais fronteiras agrícolas do Brasil, o oeste da Bahia vai ganhar o primeiro polo de irrigação do Nordeste, iniciativa pública que já ocorre no Rio Grande do Sul e Goiás e que faz parte da política nacional de irrigação do Governo Federal.

O Polo de Irrigação do Oeste da Bahia foi instituído na quinta-feira (26), após oficina que tratou da definição da área de abrangência e selecionou uma carteira de projetos para o empreendimento conjunto.

A Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) sediou o debate, que reuniu, durante dois dias, produtores rurais, representantes da sociedade civil e equipes técnicas de órgãos ambientais das esferas municipal, estadual e federal.

A iniciativa conta com o apoio da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Urbano (SDRU), do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). No total, são 192 mil hectares de área irrigada, tendo como destaque a produção de algodão, soja, milho, banana, limão e cacau.

“Nenhum outro empreendimento é tão rentável economicamente, socialmente e ambientalmente quanto a irrigação. 

A agricultura irrigada no oeste da Bahia é bem equipada tecnicamente, fazendo o uso eficiente da água”, avaliou o professor da UFV Everardo Montovani, especialista em irrigação e que coordena os Estudos do Potencial Hídrico do Oeste da Bahia.

O polo vai integrar produtores de 17 municípios: Barra, Barreiras, Bom Jesus da Lapa, Cocos, Coribe, Correntina, Cristópolis, Formosa do Rio Preto, Jaborandi, Luís Eduardo Magalhães, Muquém do São Francisco, Riachão das Neves, Santa Maria da Vitória, Santa Rita de Cássia, São Desidério, São Félix do Coribe e Serra do Ramalho.

A iniciativa ‘Polos de Agricultura Irrigada’ é uma estratégia do MDR, desenvolvida por meio da Secretaria Nacional de Desenvolvimento Regional e Urbano.

O objetivo é alavancar a agricultura irrigada a partir de um trabalho conjunto entre as organizações de irrigantes e as diversas esferas de governo. A premissa de ação é o planejamento setorial e territorial de regiões irrigadas no país, aliando as demandas dos produtores rurais com as parcerias e políticas públicas de governo.

O reconhecimento dos polos por parte do Governo Federal legitima e oficializa a necessidade dos produtores em desenvolver a área irrigada na região de abrangência da iniciativa. 

Os critérios para a escolha das localidades atendidas pelo projeto do MDR e a metodologia empregada para o planejamento das ações estão contidas na Portaria nº 1.082, de abril deste ano.

De acordo com o coordenador de projetos de polos de irrigação do MDR, Antônio Leite, a escolha do oeste baiano para implantação do polo se deve ao potencial agrícola da região, que é destaque nacional na produção de grãos e fibra.

“Buscamos regiões onde já existe a atividade irrigada consolidada. O intuito não é implantar a tecnologia, mas melhorá-la e até expandi-la”, pontuou.

Para a diretora de Meio Ambiente e Irrigação da Aiba, Alessandra Chaves, essa é uma importante discussão, uma vez que não se trata apenas em ampliar a área irrigada, mas de favorecer a eficiência do uso da água, garantindo segurança hídrica aos usuários do recurso natural.

“O polo como ele é pensado e estruturado vai desenvolver tanto a agricultura irrigada quanto a de sequeiro; tanto o pequeno produtor, quanto o de médio e grande porte”, comentou Alessandra.

O presidente da Aiba, Celestino Zanella, disse que a pluralidade de entidades públicas e privadas que participaram da discussão.

 “Convém ressaltar a importância de receber em nossa região uma equipe técnica do Ministério, que teve a sensibilidade de ver a potencialidade do oeste da Bahia e trazer para cá um debate tão importante, envolvendo todos os interessados”, afirmou.

Em operação


Os polos integram a Política Nacional de Irrigação e estão sendo instalados em regiões do Brasil que se destacam pela grande concentração de setores produtivos e áreas de irrigação privada, com ações de políticas públicas estruturantes. Atualmente, cerca de 97% da agricultura irrigada do País é feita em áreas privadas.

Além do polo baiano, três outros centros já estão em operação: o Polo de Agricultura Irrigada da Bacia do Rio Santa Maria, no Rio Grande do Sul; o Polo de Irrigação Sustentável do Vale do Araguaia e o Polo de Polo de Agricultura Irrigada do Planalto Central de Goiás, ambos em Goiás.

O primeiro alcança cerca de 120 mil hectares nos municípios de Cacequi, Lavras do Sul, Dom Pedrito, Rosário do Sul, São Gabriel e Santana do Livramento. O segundo integra mais de 100 mil hectares das cidades de Britânia, Jussara, Santa Fé e Montes Claros de Goiás.

O último abrange 120 mil hectares espalhados por Alexânia, Cabeceiras de Goiás, Campo Alegre, Catalão, Cristalina, Flores de Goiás, Formosa, Ipameri, Luziânia, Silvânia, Vianópolis e Vila Boa.

Até o fim do ano, há a previsão de que os Polos de Minas Gerais e de Sorriso (Mato Grosso) também estejam funcionando.

Instituída pela Lei nº 12.787/2013, a Política Nacional de Irrigação tem como objetivo organizar o marco legal para a gestão de projetos de irrigação, sendo sua principal diretriz a indução à eficiência no uso de recursos hídricos para o setor.

Além disso, reforça estratégias para o desenvolvimento da agricultura irrigada, visando ao aumento da produtividade, de forma sustentável, e a redução de riscos climáticos para a agropecuária e a importância das parcerias entre os setores público e privado para ampliar a área irrigada no País.

Fonte: Canal Rural 

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