quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Fruto do jatobá vira bebida nutricional para diabéticos e anêmicos



Um estudante de técnica agropecuária de Barreiras (oeste da Bahia) desenvolveu uma bebida nutricional a partir do fruto do jatobá que equilibra os níveis de açúcar no sangue de pessoas com diabetes e tem potencial para combater a anemia. 

Na pesquisa, desenvolvida em 2018 durante um trabalho de iniciação científica, seis pessoas com diabetes apresentaram maior equilíbrio dos níveis de açúcar no sangue, após consumirem, em média, 250 mls da bebida três vezes ao dia.

Os resultados soaram muito animadores, sobretudo porque no oeste da Bahia o fruto do jatobá, árvore do Cerrado, é subutilizado – apenas comunidades tradicionais e índios o aproveitam para fazer uma farinha que substitui a farinha de trigo na produção de bolos e biscoitos.

O fruto do jatobá é rico em diversos nutrientes: Cálcio, Fósforo, Ferro, Potássio, Magnésio e Vitamina C. Em comunidades tradicionais, ele é considerado também como um energético natural para potencializar o desejo sexual dos homens.

Nas cidades, contudo, sua utilização é quase zero. A árvore, presente também em outras variedades na Mata Atlântica e na Amazônia, é conhecida por ser uma madeira de lei – que dura bastante – e é usada no reflorestamento de zonas degradadas.

Em Barreiras, o estudante do terceiro ano do curso de técnica agropecuária, Diogo de Souza Reis, 17, do Centro Territorial de Educação Profissional da Bacia do Rio Grande (Cetep), vê muitos jatobás no bairro Morada Nobre, vizinho ao Barreirinhas, onde mora. Os frutos, no Morada Nobre, apodrecem no chão, sem utilização.

Melhor: apodreciam. Agora, estão sendo coletados para dar continuidade à pesquisa do estudante, que trabalha no desenvolvimento de uma barrinha semelhante a de cereal que vemos em mercados, à base da farinha do fruto do jatobá.

“Ao invés de usarmos a farinha de trigo, usamos a farinha de jatobá e adicionamos nibs de cacau no lugar do amendoim. 

Estamos fazendo o experimento, a ideia é criar um alimento que possa servir de base nutricional para anêmicos”, disse.

O fruto do jatobá possui um cheiro forte, bem característico. Ele não pode ser colhido verde, pois não amadurece depois, e tem de esperar cair do pé. Para ser consumido mais facilmente, Diogo o misturou com soro do leite e iogurte.

O jovem pesquisador já apresentou a bebida na Feira Nacional da Agricultura (Fenagro), em Salvador, ano passado; na Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães, também em 2018; no Workshop de Carreiras do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), este ano em Barreiras; e será apresentada na Feira Nordestina de Ciências e Tecnologia (Fenecit), em Recife-PE, entre 8 e 12 de outubro.

Além do Cetep de Barreiras, a pesquisa tem apoio da Faculdade São Francisco de Barreiras (Fasb), mas ainda é insuficiente para evitar com que Diogo tenha de sair às ruas à noite para vender mini-pizza e complementar custos das viagens.

Orientadora da pesquisa, a engenheira agrônoma Wilka Miranda informou que a pesquisa ainda está em desenvolvimento e ainda será feito o levantamento sobre as quantidades de minerais no fruto do jatobá. Por enquanto, foram realizadas pesquisas sobre a acidez e sólidos solúveis totais, presentes na polpa do fruto.

“Tomara que essa pesquisa e a divulgação que está ocorrendo com ela possa colaborar para que as pessoas plantem mais jatobás, porque isso será muito bom, já que é uma árvore que pode durar décadas e começa a produzir com cinco anos de plantada. Ela está aí na natureza, só precisa ser melhor aproveitada”, comentou.

Fonte: Canal Rural 

Um comentário:

  1. bom dia
    sou diabetico e gostei muito da reportagem mais gostaria de saber como preparo o jatobá para tomar.

    desde já agradeço e fico no aguardo da resposta

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