quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

No último mês de seu mandato, José Eliton priorizou o pagamento da obra de pavimentação de estrada que passa por sua fazenda, na GO-453, trecho Posse/Guarani


Em meio a dívidas em diversos setores e ao não empenho de parte da folha do funcionalismo, o governo José Eliton (PSDB) priorizou no último mês de seu mandato o pagamento da obra de pavimentação de estrada que passa por sua fazenda, no Nordeste goiano. 

Foram dois repasses: de R$ 8,3 milhões em 14 de dezembro e R$ 3,39 milhões no dia 20, totalizando R$ 11,69 milhões.

A primeira prestação foi o maior repasse único na lista de pagamentos a empreiteiras no mês de dezembro, segundo levantamento feito pelo Jornal O POPULAR no Portal da Transparência do governo estadual, com os dados disponíveis até sábado (29). 

Ao todo, houve pagamento de R$ 74 milhões para empreiteiras neste mês, de acordo com o conteúdo do portal.

A obra de pavimentação na GO-453, trecho Posse/Guarani, próximo ao Parque Estadual de Terra Ronca, é de responsabilidade da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego) e tinha custo inicial de R$ 60,2 milhões, oriundos de convênio com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SED). 

Em 2 de outubro, houve aditivo, com aumento do valor para R$ 62,5 milhões.

Com os repasses deste mês, o governo quitou 70% do preço total da obra. O contrato com a construtora São Cristóvão foi assinado em 20 de setembro de 2017, com previsão de execução em três anos. 

Não há informações no portais da Codego e do Estado sobre o porcentual de execução da obra e a direção da companhia também não soube dizer.

Desde a assinatura do contrato, a oposição utiliza a obra em críticas ao governador José Eliton. Durante a campanha eleitoral, os adversários do tucano também citaram o caso. 

O governador eleito Ronaldo Caiado (DEM) fez referência ao contrato em debate na TBC. Na ocasião, Eliton disse que a obra é demanda antiga da região e beneficia moradores e turistas. 

O governador também repete que o traçado da obra foi elaborado no governo Iris Rezende (MDB).

O promotor de Justiça Fernando Krebs, do Ministério Público Estadual (MP-GO), instaurou inquérito em 2017 para investigar o benefício ao então vice-governador. 

Depois que ele virou governador, em abril do ano passado, o processo subiu para a Procuradoria Geral de Justiça. Krebs pedia a suspensão do convênio entre a SED e a Codego e alegava que a pavimentação não alcança diretamente o parque.

Além da obra da GO-453, a duplicação da GO-070 entre a cidade de Goiás e Mossâmedes entrou na lista de prioridades do governo estadual nos pagamentos de dezembro. 

Na relação dos dez maiores repasses, há quatro referentes a esta obra, com pagamentos que totalizam R$ 18,9 milhões.

Houve grande acúmulo de faturas, afirma Codego

O presidente da Codego, Francisco Abreu, admitiu que o pagamento da pavimentação na GO-453, trecho Posse/Guarani, foi o único liberado no fim de ano para obras sob a responsabilidade da estatal. 

Mas a exceção, diz ele, tem a ver com o fato de outras obras não terem “faturas liberadas” ou estarem suspensas pelo período chuvoso ou sob auditoria. 

“Essa obra acumulou um volume grande de faturas, que estavam totalmente liberadas. A empresa estava em situação difícil, mantendo a obra mesmo sem receber. Fizemos um aditivo e depois acumulou. 

Então a SED liberou os pagamentos”, diz. Questionado sobre como foi a decisão do repasse, diante dos problemas financeiros, Francisco afirmou que era preciso perguntar à SED.

A reportagem não conseguiu contato com o titular da SED nem com o governador José Eliton. Ontem foi ponto facultativo no Estado. 

Embora o presidente fale em acúmulo de faturas, o Portal da Transparência mostra que houve sete repasses anteriores aos de dezembro para a obra da rodovia, sendo dois após as eleições, em outubro.

Fonte: O Popular

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Os cometários aqui publicados são de inteira responsabilidade dos autores. Este Blog não se responsabiliza pelos comentários postados pelos leitores, que poderão ser responsabilizados e penalizados judicialmente por abuso do direito da livre manifestação.