domingo, 15 de julho de 2018

Comunicação, imagem e reputação. O que Neymar deve fazer para recuperar sua imagem?





Três perguntas para Washington Olivetto, publicitário

1. Neymar saiu desta Copa do Mundo um patamar abaixo do que entrou em relação à sua imagem?

O Neymar faz parte de uma geração de jogadores de futebol que apelidei, anos atrás, de ‘futpopbolistas’, uma mistura de jogador de futebol com artista pop. O primeiro que simbolizou isso fortemente foi o David Beckham. 


E o Neymar faz muito parte dessa cultura. 

Acho que ele sai com uma imagem enfraquecida, sim, por alguns fatores que são até curiosos. Houve um primeiro um erro mercadológico dele ou de quem o assessorou no episódio da estreia da Copa do Mundo. 

O grande fato ali era a recuperação física dele, que voltava de uma contusão, mas aquele cabelo diferenciado acabou chamando mais a atenção. Outra coisa que não foi favorável: exacerbar nas reações às faltas sofridas. 

Esses dois componentes começaram a prejudicá-lo já no início da Copa do Mundo. É claro que, se o Brasil tivesse vencido e ele continuasse até a final, tudo isso seria jogado para um segundo plano.

2. Isso interfere de alguma forma na inserção dele no mercado publicitário? Alguma marca deixaria de procurar um jogador como ele em virtude da crise extracampo?

Como ele tem enorme talento, pode se recuperar. Mas, que nesse momento a imagem foi prejudicada, não há dúvida. 

Existe outra coisa para a gente pensar. Essa Copa está valorizando – e talvez isso esteja acontecendo porque acabou exaurindo essa questão da imagem do jogador, por mais talentoso que seja, estar muito atrelada ao fator mercadológico – talentos igualmente brilhantes, mas mais discretos. 

É o caso do Modric, por exemplo, do Hazard e do Mbappé. 

Talvez, até no futebol mundial, o maior fenômeno de equilíbrio disso seja o Cristiano Ronaldo, que equilibra muito bem o talento futebolístico com o talento mercadológico.

3. O que você sugeriria ao Neymar para reverter esse quadro?

Pela dimensão dele, e principalmente no Brasil, o Neymar é um fenômeno da mídia aberta, da grande mídia. 

Então, tanto no momento favorável quanto no desfavorável, é preciso ter preocupação em estar presente na grande mídia e, obviamente, nas mídias sociais. 

Ele errou em priorizar a grande mídia nos momentos de sucesso e, na dificuldade, ter optado pela mídia social. 

Tenho impressão de que, nesse momento, ele também cometeu alguns erros de comunicação. 

O produto tem de ser sempre mais importante do que a sua publicidade. E teve um momento em que se valorizou mais a publicidade do que o produto. 

O Neymar tem tudo para reverter, pois é um jogador que tem o talento natural. Ele precisa focar exatamente nisso, no trabalho e nas atenções como jogador. É o que vai recuperar a imagem dele como negócio.

Fonte e conteúdo: Estadão