sexta-feira, 22 de junho de 2018

Encontro de Artesãos valoriza identidade do artesanato local em Alto Paraíso (GO)

 



Por Roberto Nabofarzan,

Com objetivo de fortalecer a união dos artesãos da região da Chapada dos Veadeiros, apresentar as propostas do projeto Brasil Original ao artesanato goiano, conhecer e valorizar a produção local, e preparar um grupo para participar do encontro estadual de artesãos que acontecerá no início do mês de agosto, no distrito de Olhos D’água, em Alexânia – GO, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, promoveu na quinta-feira, 21, o Encontro Regional de Artesão, na cidade de Cavalcante, no nordeste goiano.

O Projeto Brasil Original é um programa do Sebrae que investe na melhoria do artesanato goiano e no acesso ao mercado.

Durante o Encontro foram debatidos temas como a busca por uma identidade do artesanato local, que apontou para o resgate de elementos como o algodão Kalunga, que é mais espesso, como potencial para ser um diferencial junto ao consumidor, e também a revitalização da Casa do Artesão de Cavalcante.

“É muito interessante ver a troca de conhecimentos de artesãos de municípios diferentes aqui presentes, como Teresina, Cavalcante e Alto Paraíso de Goiás. 

A união dessas pessoas na busca por objetivos comuns, como a retomada da Casa do Artesão aqui em Cavalcante. Estamos felizes com os resultados deste encontro, acreditamos que daqui sairá um excelente grupo para representar a região, no grande encontro estadual. 

É importante salientar a qualidade do artesanato produzido por aqui. Nossas expectativas foram plenamente atendidas quanto a qualidade e a preservação da cultura regional na produção do artesanato local. 

São produtos com alcance nacional, o que falta é uma melhor maneira de apresentação externa, e é isso que o Sebrae está oferecendo neste encontro”, apontou o gestor do projeto Brasil Original, Décio Coutinho.

Entre debates, exposição de dificuldades e metas, os artesãos presentes foram divididos em grupos, que apontaram seus principais desafios e desejos. Na coleta desses dados, os pontos convergentes foram selecionados para serem apresentados no grande Encontro Estadual.

“Ao promover esses encontros, o Sebrae trabalha com o objetivo de desenvolver questões de finanças, de visão de marketing, da apresentação de produtos e promover o artesanato de uma forma mais comercial, mais empresarial. 

Aqui em Cavalcante, em parceria com a prefeitura do município e a Central do Artesanato da Secretaria do Desenvolvimento do estado de Goiás (SED), estamos com artesãos de toda a região da Chapada dos Veadeiros, principalmente das comunidades Kalungas de Cavalcante. 

Um encontro muito rico, que vai ao encontro dos objetivos do Sebrae, que é trazer melhorias e benfeitorias para todos os artesãos da região nordeste como um todo, na questão empresarial. 

Quero reforçar que, no segundo semestre deste ano, através do Projeto Brasil Original, o Sebrae levará os dezesseis representantes aqui eleitos (onze de Cavalcante, dois de Teresina e três de Alto Paraíso), com todas as despesas pagas, para o grande Encontro Estadual de Artesãos em Olhos D’Água, onde temas e ações importantes para o artesão goiano serão debatidas”, frisou Cleber Chagas, gerente do escritório regional do Sebrae em Posse.

Segundo a analista técnico do escritório regional do Sebrae em Posse – GO, Thais Sales Barreto Toscano, tanto o encontro realizado em Cavalcante, quanto o que acontecerá no próximo dia 29, no município de Posse, são excelentes oportunidades para que os artesãos da região nordeste possam interagir, transmitindo conhecimentos mútuos, como também sugerirem propostas para serem apresentadas no Encontro Estadual em Olhos D’água, que servirão de base para a criação de uma Lei estadual em defesa dos direitos dos artesãos goianos. 

“O Sebrae está colocando toda uma estrutura a disposição dos artesãos de dezenove municípios do nordeste goiano, visando o fortalecimento e uma melhor inserção dos artesanatos da região no mercado goiano e nacional.” afirmou Thais Barreto.

Realizado no Polo da Universidade Aberta de Brasília (UAB), o evento possibilitou ainda que os artesãos apresentassem alguns de seus trabalhos, permitindo a troca dos saberes e a inspiração de novos projetos.

A gerente do programa de artesanato da SED, Juliana Rassi, acompanhada da curadora da Central do Artesanto, Eseni José Rodrigues, destacou o empenho do governo do estado de Goiás em valorizar o artesão goiano.

“Além de incentivar o artesão a ter a sua carteira de identificação, que o qualifica a participar de feiras em todo o País, a vender suas peças com nota fiscal sem impostos e sem a necessidade de CNPJ em Goiás, basta procurar um vapt-vupt ou Agenfa para emitir sua nota, o governo do estado ainda disponibiliza um espaço na Rua 01, no centro de Goiânia, onde o artesão pode expor suas peças para vendas. 

Aqui em Cavalcante, vinte e oito artesãos foram cadastrados no Programa do Artesanato Brasileiro (PAB) e em breve já estarão com suas carteiras em mãos. 

A carteira tem validade de 4 anos e depois deve ser renovada. Hoje entregamos para a senhora Beatriz Bittencourt Lino e para o senhor Fernando Sanchez Lino suas Carteira do Artesão.” Esclareceu Juliana Rassi.

A artesã Dalila Reis Martins, conhecida como Dalila Kalunga, apontou que o escoamento do produto é uma das dificuldades do artesão em Cavalcante, visto que há muita gente trabalhando sua arte, mas não tem como expor coletivamente, e de modo individual são muitos os entraves. 

“Nossa união pode nos trazer oportunidades. Não podemos depender só de governos. Vejo os presos fazendo artesanato como forma de ressocialização, temos um grande número de artesão da cidade, então nos precisamos alavancar e manter a casa do artesão de Cavalcante para lá expormos nosso trabalho.” Afirma Dalila Reis.

Artesanato como Terapia

Uma das mais tradicionais artesãs da região de Cavalcante, Dona Cecília Gonçalves dos Santos é muito criativa na arte do artesanato, além disso, desde criança, acompanhando sua mãe, aprendeu a produzir medicamentos com plantas do cerrado, abundante na sua região de origem, o povoado quilombola de São Domingos, em Cavalcante.

“A natureza oferece muitos medicamentos, até hoje não consegui colher a quantidade de plantas medicinais que minha mãe me ensinou. 

Ás vezes chego no lugar com os remédios para vender, mas as pessoas não tem nem o que comer, então ofereço os remédios de graça, porque tenho que agradecer a Deus por esses conhecimentos”.

Dona Cecília fala emocionada dos problemas de saúde que enfrentou e que conseguiu superar graças ao trabalho com o artesanato “O artesanato além de fonte de rendas é também auxiliar na saúde, contribuindo no controle da dependência química, da ansiedade e da depressão. 

A pessoa quando se acostuma a trabalhar com os frutos do cerrado, a vida melhora, a saúde fica boa. Me sinto bem, faço remédio e ensino também meus filhos e netos esse conhecimento.”

Sempre com um sorriso aberto, dona Cecília faz pinturas em cabaças, arranjos com flores do cerrado, doces, sabonetes de tingui, além de diversos medicamentos naturais “Um encontro como esse, promovido pelo Sebrae, beneficia muito nós, que vivemos do artesanato. Eu mesma sou muito beneficiada pelo Sebrae. 

Enquanto vida eu tiver vou continuar no artesanato. Tenho minha aposentadoria, que me ajuda muito, mas se alguém vier me dizer qual que eu escolho, a aposentadoria ou o artesanato? 

Digo que fique com sua aposentadoria, porque eu não largo meu artesanato, porque com esse eu vivo feliz. 

Desse aqui eu estou tratando das pessoas, tenho contato com gente de toda parte do mundo, e é assim que é a vida.” Fala com sua simplicidade e franqueza a experiente artesã.