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segunda-feira, 19 de março de 2018

Escândalo no nordeste de Goiás: padres eram coagidos a atingir metas financeiras em Formosa



Investigações da Operação Caifás, desencadeada pelo Ministério Público (MP-GO) na manhã desta segunda-feira (19) em Formosa, no Entorno do Distrito Federal, apontam que padres eram intimidados a conseguirem recursos para o esquema envolvendo o bispo da cidade, dom José Ronaldo Ribeiro. 

Segundo o promotor de Justiça, Douglas Chegury, alguns padres se negaram a prestar depoimento no MP acompanhados por advogados da Diocese de Formosa alegando que viviam dentro de um sistema de opressão absoluta e de intimidação, sendo obrigados a atingir metas financeiras mensais.  

"Isso ficou claro em uma das interceptações telefônicas. Dom José Ronaldo (bispo de Formosa) chegou a dizer que alguns padres não ficariam na Diocese enquanto ele fosse bispo".

O bispo de Formosa, Dom José Ronaldo Ribeiro, foi preso nesta manhã, assim como outras 12 pessoas entre padres e funcionários da diocese suspeitos de desviar recursos da Igreja Católica. 

De acordo com as investigações, os recursos eram provenientes de dízimos, de doações, de taxas como batismo e casamento, e de arrecadações festivas de dinheiro dos fiéis. 

Um dos episódios que mais chamou a atenção dos promotores de Justiça à frente da operação foi a venda de uma caminhonete da Cúria em São João da aliança. O pároco local vendeu o veículo e fez recibos falsos. 

"A fraude é muito tosca", afirma Douglas Chegury. 

Com o dinheiro arrecadado ele comprou um novo veículo e colocou em seu nome. Entretanto, o padre se envolveu num acidente e avariou a nova caminhonete, recebendo seguro pelos danos. "Os recibos evidenciam a fraude".

Vigário-geral de Formosa, o monsenhor Epitácio Cardozo Pereira não soube explicar porque R$ 170 mil em espécie estavam escondidos num fundo falso de seu guarda-roupa. 

"Ele disse que era dinheiro da Igreja, mas porque não eram notas pequenas, arrecadadas nas celebrações? 

Eram notas de  100 e 50 reais. Por que esse dinheiro não estava em uma agência bancária?", questiona o promotor de Justiça. 

Também foram encontradas na residência do religiosos um grande volume de eletroeletrônicos e uma coleção de relógios caros. 

Entre os presos está o padre Tiago Wenceslau, da Diocese de Bauru (SP). 

Ele ficou conhecido por pedir ao Vaticano que excomungasse o padre Roberto Francisco Daniel por declarações de apoio aos homossexuais e críticas aos dogmas da igreja. 

A excomunhão foi oficializada em 2014. Apontado como juiz instrutor para "matérias reservadas" da Igreja Católica, padre Tiago chegou domingo a Brasília e foi monitorado pelo MP. 

De acordo com Douglas Chegury, quando saiu a reportagem do POPULAR, padre Tiago foi convidado pelo bispo de Formosa "para abafar o escândalo e colocar os padres sob sua batuta". 

Em uma reunião, ele chegou a perguntar aos padres da Diocese se eles estavam do lado do bispo ou não. 

Crime contra a fé

 "Quanto maior era a paróquia, com pessoas de maior poder aquisitivo, maior era a cobiça", disse Douglas Chegury. 

De acordo com ele, somente a Festa do Divino em Posse, no Nordeste Goiano, rende cerca de R$ 500 mil para a Diocese de Formosa. 

O padre local, segundo o promotor, deu um desfalque de cerca de R$ 450 mil, desviando o dinheiro para a compra de uma lotérica. "Ele colocou a lotérica em nome de dois laranjas, que também foram presos, e pagou parte em dinheiro e emitiu notas promissórias. 

Os boletos da Diocese eram fracionados para serem pagos nesta lotérica, para aumentar a arrecadação do estabelecimento. 

Notas promissórias confirma que o sócio oculto era o padre Moacir, para quem era direcionado 55% do lucro da lotérica", contou o promotor. 

Outro padre de Posse, também preso, igualmente desviou dinheiro da Cúria e depositou em sua conta pessoal onde foi localizada a quantia de R$ 400 mil.   

"O que mais me deixa desapontado é que o crime que cometeram não tem no Código Penal. Eles atingiram a fé das pessoas. O mais reprovável no comportamento dessas pessoas é a traição  à população. A fé das pessoas foi violada", enfatizou o promotor. 

Conforme Douglas Chegury, os investigados serão denunciados por associação criminosa, apropriação indébita, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. "Essas pessoas representam a Igreja Católica, mas a instituição não tem nada a ver com os atos praticados por elas. Vamos tratar a Igreja Católica como vítima", disse o promotor. 

Segundo ele, a investigação vai ter continuidade, mas será agilizada para que a Diocese de Formosa volte à normalidade.

 "Alguns leigos nos contaram que houve uma redução de 60% no número fiéis, inconformados com o destino dos recursos arrecadados".

Fonte: O Popular

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