Banner 1

Banner 1

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Vaga de medicina comprada. Redação foi feita em posto de gasolina


O depoimento de um aluno aprovado em Medicina para a Universidade Federal de Goiás (UFG), no Enem de 2016, mostra os passos tomados para fraudar o concurso e conseguir a aprovação. 

Também foram ouvidos na Delegacia de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Decarp), João Batista Gonçalves e Iza Maria Lucas dos Santos Fernandes, os pais de Marcus Vinícius Fernandes, que confessaram ter dado uma casa como forma de pagamento para aprovação do jovem.

Segundo o estudante, ele foi orientado a responder apenas as dez primeiras perguntas das provas e dez linhas da redação. 

Duas a três semanas depois do exame, o rapaz recebeu mensagens de uma pessoa identificada como Gabriel (Gabriel Ribeiro de Araújo), que disse que ele teria de ir a Brasília para terminar o preenchimento da redação e consumar a fraude. 

Marcus Vinícius narrou toda a operação, que terminou em um posto de gasolina em Taguatinga, onde ele e mais três jovens (dois meninos e uma menina) receberam as próprias provas em um envelope jogado dentro do carro.

Marcus contou que o cartão com as questões já estava totalmente preenchido, mas a redação matinha ainda as primeiras dez linhas de texto. 

Depois de divulgado o resultado com a aprovação e iniciadas as aulas, ele contou ter reencontrado e reconhecido os outros estudantes que fizeram o mesmo procedimento e que estavam no carro em Taguatinga.                                          
A terceira fase da Operação Porta Fechada cumpriu ordens judiciais contra grupos que fraudavam concursos e vestibulares por todo País nessa segunda-feira (30). 

O alvo principal era a venda de vagas no concurso de Delegado de Polícia. No entanto a Polícia Civil também descobriu um esquema de fraude do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Marcus confessou a participação, mas disse que foi contra a negociação, que foi toda feita pelo pai e revelada a ele no dia e momento em que estava indo fazer a prova do Enem.  

A Polícia Civil também informou que está de posse de uma agenda do investigado Antônio Carlos. Nela consta a relação de 18 candidatos do Enem 2016 que tentaram passar mediante fraude. A investigação já concluiu que desses, apenas cinco conseguiram aprovação fraudulenta.

Os investigadores relatam que os vendedores de vagas tentariam fraudar o Enem 2017, usando ponto eletrônico.

Concurso para delegado

Esta fase da Porta Fechada também se debruçou sobre fraudes no concurso de Delegado de Polícia. De acordo com os investigadores, os treze primeiros colocados na prova objetiva foram aprovados mediante compra de vagas.

Os valores variaram entre R$ 150 mil e R$ 450 mil. A quantia dependia ‘do bolso da pessoa’

O delegado Rômulo Figueredo de Matos, responsável pelo caso, aponta que foram cumpridos ainda 11 mandados de condução coercitiva e 17 de busca e apreensão, nas cidades de Goiânia e Nova Glória, em Goiás, e Brasília.

Venda casada

Uma mulher deu uma casa avaliada em R$ 800 mil, em Goiânia, em troca de duas vagas em concursos: uma de delegada, para ela, e outra de Medicina, no Enem, para a filha, na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Apesar do pagamento, mãe e filha não conseguiram passar nos concursos.

Durante a investigação, a mulher foi chamada pela Polícia para falar do caso, mas ficou em silêncio.

Fonte: O Popular

Nenhum comentário:

Postar um comentário