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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

População local dá aula de solidariedade e se une para tentar salvar Chapada dos Veadeiros das chamas


Por Nara Barros, direto de Chapada dos Veadeiros (GO)

União é a palavra da vez. Em meio a grande catástrofe que a Chapada dos Veadeiros (GO) enfrenta, membros da sociedade civil dão as mãos como podem para combater os incêndios intencionais que há muitos dias assolam a região. 

A demora do decreto de estado de emergência pelo governo local, que aconteceu apenas no último dia 23, e as condições restritas da brigada de incêndio impulsionaram a população a se organizar em rede para pedir ajuda.

Quem pede ajuda é o Cerrado, considerado o berço das águas do Brasil e também a área natural com maior índice de destruição – três vezes maior que a Amazônia, segundo o Ministério do Meio Ambiente. 

Muito do desmatamento ocorreu em benefício da agropecuária, que se desenvolve, muitas vezes, sem obedecer as normas de preservação ambiental.

CORRENTE DO BEM

Todos os anos os moradores da região costumam enfrentar focos de fogo, resultado da seca, altas temperaturas e incêndios intencionais e naturais. Esse ano a situação se agravou, e muito, quando focos de incêndio surgiram em pontos distintos simultaneamente.

Grupos de Whatsapp têm sido a principal arma da população para se comunicar ao menor sinal de fumaça já há três anos. 

Foi assim, inclusive, que nasceu a REDE contra FOGO, que lançou na última segunda-feira (23) uma campanha de arrecadação de fundos para o combate ao fogo na Chapada dos Veadeiros. 

Sem contar com verbas públicas, o grupo formado por moradores voluntários da região, tornou-se o único centro de apoio das operações e um dos porta-vozes da tragédia. “O que está acontecendo aqui é muito grave. 

O Cerrado exerce um papel fundamental na ecologia global. Esse é um problema de todos nós, cidadãos do mundo.”, ressalta Silvia Hennel, fundadora da REDE contra FOGO.

Em menos de 24 horas, a campanha já arrecadou 70% do que precisava para conter o fogo nos próximos 15 dias. Mas isso não é o suficiente. 

Essa é uma medida de emergência para poder comprar equipamentos necessários, combustível e alimento para brigadistas e voluntários.

Ao invés de esperar por soluções, a população assumiu a empreitada se organizando em turnos ao longo do dia. 

Na sede improvisada da REDE contra FOGO, que fica na casa de uma voluntária, homens e mulheres recebem doações, preparam lanches, organizam idas e vindas de voluntários e brigadistas para o combate ao fogo, apuram informações e levam para o mundo o grito de socorro.

BICHOS EM PERIGO

Enquanto alguns se mobilizam para cuidar do fogo, outro grupo voluntário está a frente do cuidado com os animais silvestres, agora fugitivos do próprio habitat. 

O grupo Veterinários na Estrada, especializado em resgate de animais silvestres, que atuou nos desastres de Mariana e Teresópolis, montou um centro de atendimento na Reserva Bacupari, no município de Cavalcante. 

O Jardim Zoológico de Brasília também mandou reforços que, além de buscar pelos animais atingidos pelo fogo está capacitando a população local para que possam ajudar no resgate. 

O apelo é para que todos dirijam em baixa velocidade nas estradas para evitar atropelamentos de animais que estejam correndo assustados dos incêndios.

Veterinários e grupos de apoio aos animais dos municípios que integram a Chapada dos Veadeiros se uniram à ação. 

Até mesmo um dos hostels da cidade de Alto Paraíso de Goiás ofereceu seu espaço como abrigo para os bichos fugitivos da queimada. 

Segundo a administradora Ana Marques, moradora do município e voluntária na ação, a união de tantas pessoas e de todas as idades têm sido a experiência mais forte dessa tragédia. “É lindo ver tanta gente empenhada em fazer o bem e cuidar do nosso patrimônio.

Fonte: Yahoo

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