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domingo, 22 de outubro de 2017

Fogo na Chapada dos Veadeiros não para; a situação é grave e tensa


Imagem não é da Chapada, mas exemplifica o que está ocorrendo com os animais do local,
que tem uma fauna rica e diversa



Por Roberto Nabofarzan, de O Vetor 

Os incêndios florestais tomaram proporções gigantescas, depois de quase debelados, na região da Chapada dos Veadeiros, principalmente nos municípios de Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante. 

Só dentro do Parque Nacional já são mais de trinta e um mil hectares devastados, com danos irreparáveis para a flora e a fauna na região. 

Jacqueline Vieira, superintendente de meio ambiente e recursos hídricos da SECIMA, convocou reunião de emergência para traçar ações de combate e prevenção.

O prefeito de Alto Paraíso de Goiás, Martinho Mendes da Silva, participou, na tarde de quinta-feira, 19, uma reunião de emergência com integrantes da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Goiás (SECIMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio),  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e Corpo de Bombeiros Militares.

A intenção era definir estratégias de combate e monitoramento dos focos de incêndio que vem queimando o cerrado e destruindo fauna e flora no município e em toda a região da Chapada dos Veadeiros, inclusive dentro do Parque Nacional. 

A reunião, provocada pela Superintendente de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da SECIMA, Jacqueline Vieira,  aconteceu no gabinete do prefeito.

“Estão confirmados que muitos desses focos de incêndios são iniciados de forma criminosa, então nos reunimos aqui com representantes do governo do estado, corpo de bombeiros, ICMbio e IBAMA para darmos, através da prefeitura de Alto Paraíso, respaldo nas ações de combate e prevenção. 

Sabemos da forte estrutura disponibilizada com quatro aeronaves e um helicóptero para auxiliar os brigadistas, mas estamos solicitando também o apoio dos empresários e da população como um todo no oferecimento de água e alimentação para cerca de cento e vinte homens que estão trabalhando nas áreas atingidas em toda a região.

Também no custeio de combustível para locomoção das equipes, já que, só no Parque Nacional, mais de trinta e um mil hectares de sua área já foi consumido. 

É preciso que todos nós estejamos unidos junto a essa força tarefa para o enfrentamento desse grande desafio”, disse o prefeito Martinho Mendes.

Nas redes sociais, moradores das áreas atingidas publicam fotos comoventes e desesperadoras de animais mortos e propriedades destruídas. São lobos guarás, veados campeiros, tamanduás, cobras, pássaros além de bois e cavalos.

“Nos últimos dias temos recebido denúncias e vários apelos da comunidade e das lideranças de Alto Paraíso e de toda a região da Chapada dos Veadeiros no sentido de buscar caminhos para conter as queimadas criminosas e os incêndios naturais que estão destruindo o cerrado e matando animais. 

Convocamos essa reunião onde representamos o governo do estado, através da SECIMA e dos membros do Corpo de Bombeiros, ao lado da prefeitura do município, do ICMbio, do IBAMA  para que possamos traçar um plano de emergência no sentido de combater os incêndios nas áreas atingidas e monitorar possíveis novos focos. 

Recebemos os relatos dos brigadistas e do corpo de bombeiros e, através desses relatos, elaboramos ações que irão envolver o corpo de bombeiros e a Polícia Militar. 

Mais e novos equipamentos já foram solicitados e estão a caminho, reforçando a base do comando operacional localizada no aeroporto de Alto Paraíso. Estamos buscando também o envolvimento da SANEAGO nesse apoio. 

É importante e fundamental a participação das comunidades atingidas, principalmente de Alto Paraíso e Cavalcante, seja na atenção as medidas que estão sendo tomadas, seja também no auxilio individual que cada um possa oferecer.” frisou a superintendente Jacqueline Vieira.

Jacqueline Vieira afirmou ainda que, em janeiro próximo, será iniciado em Alto Paraíso a construção do quartel que abrigará um Batalhão do Corpo de Bombeiro Militar, com recursos já alocados pelo governo do estado, dentro do projeto de implementação dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS.

O coordenador de prevenção e combate a incêndios florestais do ICMbio, Christian Berlinck, destacou os pontos debatidos na reunião, apontando para o aproveitamento das ações planejadas tanto para o momento, quanto para o futuro. 

Citou também o trabalho conjunto com o grupamento dos bombeiros militares nas ações de combate aos incêndios e também nas visitas e orientações as comunidades.Já o Capitão Nery, representante do comando geral do Corpo de Bombeiros, afirmou que as ações planejadas na reunião, baseadas nos relatos dos brigadistas e dos moradores das áreas atingidas, serão passadas imediatamente ao comando geral e serão imediatamente colocadas em prática.

Entre várias ações tomadas na reunião de emergência, vale destacar a iniciativa de provocar os serviços de inteligência das Polícias Civil e Militar de Goiás e também a Polícia Federal, no sentido de identificar e punir severamente pessoas que provocam incêndios criminosos.Ampliação do PNCV  

No momento em que mais de trinta mil hectares estão sendo devastados pelo fogo dentro do Parque Nacional e outros mais de trinta mil hectares em áreas públicas e particulares nos municípios de Alto Paraíso e Cavalcante, volta a tona a polêmica sobre a ampliação da área de proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

Donos de propriedades dentro da área de ampliação argumentam que sempre trabalharam no sentido de minimizar os efeitos das queimadas naturais e também das provocadas, fosse por sua conta ou em conjunto com os órgãos federais e estaduais. 

Segundo esses produtores, a ampliação da forma como foi feita desestimulou os trabalhos preventivos, abrindo caminho para essa catástrofe ambiental.

Questionada sobre o assunto, a empresária Maysa Reis afirmou que o diretor do Parque Nacional, Fernando Tatagiba, os brigadistas e voluntários são verdadeiros heróis, pois estão realizando um trabalho enorme com poucos recursos materiais e humanos, além do risco de suas próprias vidas, já que incêndios dessa proporção tomam rumos imprevisíveis.

Um fazendeiro da região de Teresina/Cavalcante, usando metáforas, questionou “onde estão os Ecos chatos e os biodesagradaveis que são doutores em tudo quando estão em Facebook e outras redes sociais? 

Estão sentados em suas poltronas de madeira de lei, bebendo água de poços artesianos ou apontando deficiências no trabalho árduo que aqui está sendo feito. 

Porque o que sabem fazer é apontar problemas, nunca soluções. Porque não estão aqui, na linha de frente no combate ao fogo, ou ao menos contribuindo com água, alimentos ou combustíveis? Queriam tanto a ampliação do Parque, porque não estão aqui para, verdadeiramente, defendê-lo?

Em Alto Paraíso um grupo de pessoas se uniu para arrecadar alimentos e água para as equipes que trabalham dioturnamente no combate aos incêndios.

Fonte: O Vetor





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