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sábado, 23 de setembro de 2017

O paradoxo dos tons de cinza nos morros de Campos Belos (GO)


Por Marconi M. L. Burum*

Estava aqui angustiado olhando o quanto é feio, de estética e de sentimento, os morros de Campos Belos praticamente todos feitos em cobertura de cinzas devido as queimadas, principalmente por causa dos incêndios criminosos, ateado fogo por pessoas criminosas que não têm qualquer carinho ou respeito à fauna e à flora do Cerrado, à vida que o Ser Superior concedeu a fim de manter a nossa própria vida nutrida de água e alimentos. 

Portanto, ao colocar fogo no mato, o cidadão comete, ao mesmo tempo, suicídio e assassinato: mata as fontes da Natureza que deveriam retornar para todos nós como energia vital, para nossos filhos, para todas as gerações que virão após nossa passagem por este Planeta.

Pois bem! Ao observar essas cinzas recobrindo os morros (antes, doeu), lembrei-me de quando para cá me mudei, ainda este ano de 2017. 

Era o período das brisas e das chuvas. De tal encanto que ficara com a Natureza que cerca Campos Belos, resolvi compor um poema na manhã do dia 10 de fevereiro. 

E agora sofro com o paradoxo da tipologia (tons) de cinza que nestes montes existem. 

Se antes o aspecto cinzento era sensibilidade poética produzida pela simbiose da brisa leve e generosa, hoje, o tom cinzento é desalento, morte (aos bichos e nascentes), e feiura.

Segue o poema para sua análise comparada e, quem sabe, para tocar àquele que toca fogo no mato a fim de se sentir bem com a Natureza, ou, por vergonhar na cara, tocar-se daqui para longe, onde seu deserto não seja nosso deserto. Espero que gostem dos singelos versos abaixo:

As montanhas neblinadas de Campos Belos

Como sou egoísta!
Enquanto chora a Serra
          [ camposbelense,
Suas lágrimas neblinadas
          [ em dor que assenta,
Que senta sobre as árvores do alto,
Minha alma se jubila
Na contemplação de sua manta cinzenta.

É um pranto tão sereno.
E uma dor tão silenciosa.
             [ Apesar disso,
Os montes límpidos e amenos
Fazem Campos Belos,
Uma cidade majestosa.
Cercada por Natureza;
Protegida por montanhas esplendorosas.

[E a chuva que não cessa,
Traz mais encanto ao topo
Da serra sem pressa...
Vivamos...]

Retomando o discreto languir 
                [ dos campos altos:
Tenho gratidão e deleite
De a vida me viver aqui;
De poder à vida,
               [ buscar novos saltos.

Quanto à dor:
Esqueci-me de lhe indagar,
Antes de a lágrima secar,
Se era a saudade dos seus filhos
                [ ausentes,
Ou a alegria de seus tesouros
                [ nascentes.

Campos Belos,
Minha pequena:
Teus montes têm lágrimas
               [ que a dor da alma açucena...
....................

Para concluir a reflexão, espero que um dia o ser humano seja mais bondoso com o Meio Ambiente – que somente lhe serve e não pede nada em troca, a não ser respeito. 

Espero ainda que um tal Promotor de Justiça que me falaram ser bem rígido, que a qualquer sinal de labaredas em quintais e nos pés dos morros, corria a tomar as providências, e até ameaçava (no bom sentido) com a aplicação destemida da Lei a quem mal fizesse ao Meio Ambiente, espero que ele volte um dia para a nossa Comarca, ou que seu sucessor tenha o mesmo sangue nas veias para lutar e evite que morramos, sem água, sem alimento daqui um tempo contabilizado e contabilizando-se rapidamente.
.....................

*  Marconi M. L. Burum. Escritor e professor. Formado em Letras pela Universidade de Brasília (UnB), Pós-graduado em Direito Público pela Faculdade de Direito Damásio de Jesus. 

Foi Secretário de Educação de Cidade Ocidental (Entorno de Brasília). Atualmente é servidor público efetivo pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), em Campos Belos.

4 comentários:

  1. Grande Marconi um belo poema, e uma crítica muito pertinente desse mal que nos aflige, tenho convivido há anos com esses problemas aqui na cidade e espero que através das tuas palavras essas pessoas possam se sensibilizar quanto a causa.
    Att: do amigo Eder Pereira

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  2. Nobre professor Marcone!

    Quero parabenizar-lo pelo lindo poema e pela sensibilidade humana existente na tua alma!
    Isso sem dúvida o torna um ser diferenciado dos demais, que não têm essa preocupação ambiental. E vivem à margem da sociedade.
    Que tantas outras palavras de alerta, em forma de poesia ou não, se unam às tuas; e que a “justiça corra como um rio que não pode secar.” Aí também.
    Na crônica “O Tamboril de Campos Belos”, publicada no Vetor no dia 21.09.17, repito Picasso: “No dia que o homem compreender ser filho da natureza, irmãos dos bichos, da terra, dos pássaros do céu e dos peixes do mar, neste dia ele compreenderá a própria insignificância. Será mais humano, mais simples e solidário.”
    Não devo me alongar mais neste comentário, mas, ainda digo a você que não pare somente neste alerta!
    Portanto, continuemos batendo na mesma tecla do respeito ao meio ambiente. E, num momento qualquer, na atitude de alguém, o amor vencerá a injustiça.

    23.09.17 - Nemilson Vieira

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  3. Prezado Marconi Burum, infelizmente essa é a realidade de Campos Belos, todo ano a história se repete. A minha sugestão é que esses criminosos sejam multados, quando "doer" no bolso o cabra pensar 2x antes pra repetir o ato.

    Parabéns pela matéria!

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  4. Que as pessoas tenham consciência, como é importante não coloca fogo nas matas.Elas mesmas estão se destroindo e acabando com a beleza que Deus deirou!

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