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segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Dia do Cerrado: área degradada por ano é maior que o território do DF




A savana brasileira pede socorro. Em 60 anos, tornou-se a casa de mais de 30 milhões de brasileiros. 

É o símbolo da expansão da fronteira agrícola do país e de uma intensa urbanização puxada pela construção de Brasília. 

velocidade da ocupação vem se mostrando acentuada a ponto de causar esgotamento ao bioma. 

Por ano, o Cerrado perde, em média, uma área correspondente a uma vez e meia o território do Distrito Federal. 

Segundo monitoramento do Ministério do Meio Ambiente, entre 2013 e 2015 foram 18.962,45 km² de devastação. 

A conta desse descontrole começa a chegar: perda da biodiversidade, seca extrema e escassez de água.

Hoje é dia de homenagear o Cerrado, no entanto, não há muito o que se comemorar. Metade da área nativa não existe mais. Ele não chega a ser o bioma brasileiro mais desmatado — a Mata Atlântica apresenta apenas 12% da formação original. 

Entretanto, o que preocupa ambientalistas e especialistas é a velocidade da destruição. 

“O Cerrado já perdeu 50% da área nativa em 50 anos, na Mata Atlântica, são 500 anos de exploração”, alerta Júlio César Sampaio, coordenador do programa Cerrado-Pantanal da WWF Brasil.

Embora o Brasil seja signatário de acordos internacionais de preservação, o país ainda tem dificuldade de cumprir os objetivos. 

As Metas de Aichi para a Biodiversidade, por exemplo, determinam que, até 2020, pelo menos 17% dos territórios de “especial importância para a biodiversidade e serviços ecossistêmicos terão sido conservados por meio de sistemas de áreas protegidas”. 

No entanto, o Cerrado só tem 3% de proteção efetiva — de unidades mais restritas como parques e estações ecológicas. Ao somar áreas mais flexíveis, onde é possível algum tipo de exploração, o índice sobe para 7%. 

“O Cerrado é um filho desprestigiado no nosso país. Precisamos saber que a preservação desse bioma é tão importante quanto a da Amazônia”, analisa Humberto Ângelo, professor do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília (UnB).

A crise de abastecimento de água em centros urbanos, como Brasília e Goiânia, a intensificação da seca e a diminuição das vazões dos rios são sinais de esgotamento do Cerrado — o que prejudica tanto a área urbana, quanto a agrícola. Dessa forma, a preservação mostra-se imperativa. Ambientalistas, especialistas e acadêmicos são uníssonos no discurso de que é necessário o compromisso com o desenvolvimento sustentável na região.

Em 2010, foi criado o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado). 

Entretanto, ambientalistas denunciam que as metas não vêm sendo cumpridas. 

Entre os objetivos, estava a redução em 40% do desmatamento, e, entre as ações, o monitoramento do bioma, a criação de 2,5 milhões de hectares em áreas protegidas e verba para a proteção — somente no primeiro ano seriam R$ 339 milhões. 

Apenas este ano foi divulgado um estudo com base em imagens aéreas e restrito aos anos de 2013 e 2015. 

O Correio entrou em contato com o Ministério do Meio Ambiente para saber o andamento das políticas públicas de proteção, mas não obteve resposta.

Debate necessário

Para Júlio César Sampaio, coordenador do programa Cerrado-Pantanal da WWF Brasil, pouco se avançou na efetiva proteção e o modelo de produção agropecuário precisa ser revisto. 

“Não dá para levantar bandeira verde de que tudo vai ser resolvido deixando uma árvore em pé. A gente precisa discutir”, argumenta. “No entanto, esse modelo de produção que segue avançando só no desmatamento com o pretexto de geração de riquezas não dá mais”, complementa. 

Júlio defende a criação de um pacto de proteção ao Cerrado. 

“O modelo pode ser similar à moratória na Amazônia, em que os grandes players internacionais não compravam os produtos produzidos em áreas desmatadas.”

Jorge Werneck, pesquisador da Embrapa e presidente do Comitê da Bacia do Paranoá, alerta que, embora a preservação seja importante para a manutenção do ciclo de águas no Cerrado, ainda não é possível fazer a associação de que a única causa da diminuição da oferta de água no Cerrado seja o desmatamento. 

“A falta de chuvas no Cerrado não está acontecendo só porque houve desmatamento. 

O que estamos vendo é que existe uma zona de alta pressão sobre a região e a chuva não está conseguindo entrar”, afirma. 

Para ele, a recuperação de áreas desmatadas deve levar em conta os aspectos do bioma e o que já foi devastado. “Isso é polêmico. Mas, às vezes, do ponto de vista da hidrologia, compensa mais recuperar uma área de pasto degradada do que plantar árvores. 

O problema é que 70% das áreas de pasto brasileiras estão degradadas”, completa.

Crescimento urbano e agrícola

Nos últimos 50 anos, a apropriação humana no cerrado vem crescendo vertiginosamente. 

Com a criação de Brasília, o movimento de interiorização do Brasil ganhou fôlego, tanto na parte agrícola, quanto na urbana. A capital federal trouxe mais dinamismo e aumento populacional para a região. 

Planejada para 500 mil pessoas, abriga mais de 3 milhões, fora a área de influência no Entorno goiano. Se houve crescimento das cidades, no campo não foi diferente. 

As duas estações — seca e chuvosa — e os terrenos planos permitiram a introdução de três safras e a otimização no uso de máquinas agrícolas, o que estendeu as fronteiras brasileiras de produção nesse ramo para a região.

Fonte: CorreoWeb

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