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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Abuso: em Caiapônia (GO), padre prometia "recuperar a virgindade" de adolescentes


Em cumprimento a mandado expedido pela Justiça em Anicuns, o padre Iran Rodrigo Souza de Oliveira foi preso nesta quarta-feira (16/8) em Caiapônia, na Operação Sacrilégio. 

A prisão foi determinada pelo Judiciário em atendimento a requerimento feito pelo Ministério Público de Goiás, que investiga acusações de abuso sexual contra o religioso feitas por jovens residentes em Americano do Brasil, município que é distrito judiciário de Anicuns. 

A prisão do religioso ocorreu em Caiapônia, por cuja paróquia ele responde. 

O padre detido foi levado para Anicuns, onde prestaria depoimento ao MP ainda hoje. O cumprimento da ordem judicial de prisão foi feito pelo promotor Danni Sales Silva, que conduziu as investigações, com apoio do Centro de Inteligência (CI) do MP e das Polícias Militar e Civil. 

Também foi cumprido mandado de busca e apreensão na residência do suspeito, tendo sido apreendidos no local computador, arquivos de mídia, pen drives e um celular.

A investigação apura, inicialmente, a prática, pelo religioso, dos crimes de violação sexual mediante fraude (artigo 215 do Código Penal) e o previsto no artigo 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente). 

A partir da deflagração da operação, a apuração deve avançar ainda para verificar se teria havido também a prática de estupro de vulnerável (quando a vítima é menor de 14 anos).

A apuração que está sendo conduzida pelo MP foi instruída com o depoimento das jovens que teriam sido abusadas pelo padre e também de amigos e familiares que conheciam as histórias. 

Conforme os relatos, alguns dos abusos ocorreram dentro da casa paroquial de Americano do Brasil, no período em que o religioso esteve naquela paróquia.

Santificação 

Os depoimentos detalharam a estratégia que teria sido utilizada pelo padre para seduzir e convencer as vítimas a aceitar a prática do abuso. De acordo com o relato de uma delas, hoje com 17 anos, quando tinha 14 (em 2014), ela teria procurado o religioso e se confessado com ele, em razão de ter perdido a virgindade e estar arrependida. 

O suspeito, então, a teria questionado se, caso houvesse uma forma de ela recuperar a virgindade, ela aceitaria fazer o procedimento.

Com o “sim” da jovem, o religioso a teria orientado a ir em casa tomar banho e retornar depois à casa paroquial. 

Ao voltar, destacou a garota nas declarações ao promotor, o padre teria dito que faria um procedimento de “santificação” para que ela voltasse a ser virgem. 

Em seguida, teria solicitado que ela tirasse toda a roupa e a teria tocado em várias partes do corpo, seios, por exemplo, e também a genitália. 

O toque na vagina, segundo afirmado à vítima, teria como finalidade exatamente “santificar” o local para a recuperação da virgindade.

Esses contatos íntimos, salienta o depoimento, teriam continuado em outras ocasiões, como em um encontro religioso em Caldas Novas em 2015. Nessa ocasião, o padre teria explicado à jovem que iria tocá-la para conferir se “havia voltado a ser virgem”.

A jovem relatou ainda ao MP que trocou várias mensagens por aplicativo de celular com o religioso, nas quais ele a teria orientado a seguir um outro ritual de santificação, após o qual deveria lhe enviar, pelo celular, fotos de seu corpo nu, incluindo da vagina, visando comprovar a “santificação”. 

Essa troca de mensagens foi objeto do registro em uma ata notarial em cartório, medida aconselhada por uma amiga da garota, e também de uma medida judicial de interceptação telemática, que comprovou as conversas.

Já com as conversas sob monitoramento telemático, o suspeito, neste mês de agosto, solicitou novamente por mensagem novas fotos da vítima, em várias posições, incluindo a genitália. 

Com base nessas mensagens, a equipe do CI solicitou a identificação do proprietário do número do celular, confirmando pertencer ao padre. 

Esse fatos levaram ao requerimento da prisão preventiva e à deflagração da operação.

Com uma outra jovem ouvida pelo MP, os fatos, bem semelhantes, inclusive com o ritual da santificação, teriam ocorrido quando ela tinha 21 anos, também em 2014. 

Com texto do MPGO

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