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sexta-feira, 28 de julho de 2017

Alunos de arquitetura de universidade federal se recusam a projetar casa com área para empregados


Alunos do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) criticaram nesta quinta-feira um trabalho da disciplina Casa grande que consistia em projetar um imóvel de alto padrão com espaço separado para empregados – com quartos e banheiros incluídos.

Em nota coletiva de repúdio postada em uma rede social pelo diretório acadêmico da Escola de Arquitetura (EAD) da UFMG, os estudantes consideram que o projeto “incorpora a senzala e reforça os moldes de dominação em pleno século 21”. 

O trabalho foi proposto pelo professor Otávio Curtiss. 

Segundo a postagem, o trabalho previa que os alunos deveriam se reunir em duplas para fazer estudo preliminar e anteprojeto de uma residência de 800 metros quadrados em um terreno de 4 mil metros quadrados no condomínio no Vale dos Cristais, em Nova Lima (Grande BH). 

O projeto do imóvel, com cinco suítes, incluía área de serviço com cozinha, lavanderia, despensa, depósito, cômodos técnicos e quartos e banheiros para oito empregados. Para estudantes, o caso ilustra como “a estrutura escravocrata ainda segue presente no cotidiano brasileiro.” 

“Como discutido em diversas disciplinas na EAD-UFMG, o quarto de empregada, por exemplo, tem como origem a segregação escravista. 

Ele surge como uma solução para separar empregados e patrões que permaneceram vivendo juntos após a abolição, em 1888”, diz trecho da nota de repúdio. 

 “Com o crescimento das cidades e a verticalização urbana, as novas soluções de moradia mantiveram soluções arquitetônicas que perpetuam a separação entre patrões e empregados", prossegue o texto. 

Na nota, os alunos pedem o cancelamento da proposta da disciplina por considerar que perpetua o racismo. 

Contatado pelo Estado de Minhas, o professor Otávio Curtiss se manifestou por e-mail. “Não tenho interesse em entrar nessa questão. Os alunos não são obrigados a cursar essa disciplina para obterem o grau de arquitetos.”

Procurada, a assessoria de imprensa da UFMG informou que a Escola de Arquitetura deveria falar sobre o caso. A diretoria da escola, por sua vez, informou que aguarda o departamento e o colegiado se manifestarem para se posicionar sobre o caso.

Fonte: Diário de Pernambuco 

4 comentários:

Anônimo disse...

PARABÉNS A ESSES ALUNOS. CONCORDO PLENAMENTE. PORQUE TEM QUE TER ESPAÇO SEPARADOS? A ÚNICA DIFERENÇA É DE PODER AQUISITIVO, MAS SOMOS IGUAIS. LEMBRANDO QUE O MUNDO DAR MUITAS VOLTAS. PORTANTO VAMOS TER A EMPATIA (SE COLOCAR NO LUGAR DO OUTRO); COMO GOSTARÍAMOS DE SER TRATADOS?

Anônimo disse...

Só não entendi uma coisa... Aonde era para ficar o quarto dos funcionários da casa então?

Lucia disse...

Jesus, cada coisa desnecessária, escravidão é fazer um funcionário levantar as 4 hs, chegar ao trabalho as 7 hs, trabalhar ate as 18hs chegar novamente em casa as 21 hs e recomeçar tudo de novo, não ter tempo pra nada. Ahhhhh alunos assumam a preguiça de fazer o trabalho. Vão recusar quando forem contratados para executar um projeto semelhante?

Nádia de Bona Porton disse...

Simplesmente hilário!
Lúcia, concordo com você.
Qual o emprego que te oferece moradia? E pelo visto, com condições minímas de saneamento, livre de água, energia e até de ter todas as refeições diárias. Será que eles já ouviram falar sobre "PRIVACIDADE", condutas, cultura e afinidade, tanto para o empregado, quanto para o empregador? O projeto era de uma casa/residência num condomínio e não uma pensão! O maior racista é aquele que cita, volta a histórias passadas, que está sempre vendo racismo em tudo. O que mais encontramos, são arquitetos que projetam casas "a seus gostos", deixando os clientes insatisfeitos. Queriam mídia? Conseguiram!