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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Polícia Civil do DF exonera delegado que culpou mãe por estupro de criança. Estava em grupo de whatsaap com jornalistas


Polícia Civil do Distrito Federal decidiu exonerar, nesta segunda-feira (15), o diretor de comunicação e delegado Miguel Lucena. 

A medida foi baseada na declaração – dada por ele em um grupo de divulgação oficial no WhatsApp – de que "crianças estão pagando muito caro por esse rodízio de padrastos em casa".

A frase fazia referência ao caso de uma menina de 11 anos, estuprada pelo padrasto no Gama, no início da manhã (veja abaixo). Até as 18h, o suspeito de 32 anos ainda não tinha sido capturado. 

O caso é investigado pela 14ª Delegacia de Polícia (Gama).

Em nota, o Palácio do Buriti informou que "os comentários feitos pelo delegado em grupo de WhatsApp não representam a opinião da corporação". Com a decisão, Lucena deixa de comandar a comunicação da Polícia Civil, mas segue como delegado. A exoneração deve ser publicada em Diário Oficial nos próximos dias.

A declaração gerou uma "reação generalizada" dos demais jornalistas, que questionaram a ideia de atribuir culpa à mãe da criança – e não, ao próprio estuprador. 

Em resposta, Lucena disse ser "politicamente incorreto", e que "é preciso ter cuidado com quem se leva para casa". 

Após meia hora de discussão, o delegado e os membros da Divisão de Comunicação (Divicom) deixaram o grupo de mensagens.

O espaço foi criado pela própria Polícia Civil do DF, como um meio mais simples de tirar dúvidas de jornalistas e prestar informações sobre ocorrências, operações e coletivas de imprensa. 

Questionada, a corporação informou que "não vai se pronunciar sobre discussão particular de grupo de Whats App".

O crime

A ocorrência foi registrada pela mãe da criança de 11 anos no início da manhã desta segunda, logo após o crime. 

Em depoimento à polícia, a mulher diz que chegou em casa por volta das 6h30, e ouviu um relato detalhado do estupro feito pela própria filha.

O corpo da criança tinha sinais de violência, e a janela dos fundos da casa foi arrombada pelo agressor. 

Além do estupro, o suspeito teria ameaçado a criança e o irmão menor de morte, caso algum deles denunciasse o crime.

Acompanhada da mãe, a menina prestou depoimento à Polícia Civil e foi encaminhada ao IML, para exame de corpo de delito, e ao hospital para os procedimentos de rotina.

Fonte: g1

Um comentário:

Nádia de Bona Porton disse...

O Delegado não falou nada que causasse ofensas, nem tampouco agiu de má fé ou foi antiético. O fato é que os valores mudaram, bem como as antigas frases: "Quem fala a verdade, merece castigo." Por isso que tem tantas pessoas incompetentes, assumindo cargos de relevância pública, num total faz de conta. ASCO!