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segunda-feira, 6 de março de 2017

Um ano depois, Niquelândia (GO) sofre com o fim da mineração


Com a economia vinculada à extração de minério, Niquelândia, no norte do Estado, vive sérias dificuldades um ano após a paralisação das atividades da Votorantim Metais, agora Companhia Brasileira do Alumínio (CBA), até então maior empregadora local direta e indiretamente.

A estimativa é de que a circulação de recursos caiu 40% – enveredada por forte emigração, informalidade e desvalorização dos imóveis.

Mesmo com uma extensão territorial de 9,8 mil quilômetros quadrados, o maior município goiano em território, Niquelândia se acomodou às benesses do minério, e muito pouco avançou na diversificação econômica.

Há pouco espaço para a produção agropecuária, associações, cooperativas e até mesmo ao turismo – já que o lago Serra da Mesa está localizado a 35 quilômetros do município.

“Dentro de uma lógica convencional, se o município tem abundância de recursos convém fazer exploração, mas tem que ser acompanhada, sobretudo, pela prefeitura para trabalhar alternativas”.

“O Estado precisa prover políticas públicas para incentivar a pecuária, a agricultura”, diz o professor de Ciências Econômicas da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em Desenvolvimento Econômico e Formação Econômica de Goiás, Talles Santos Faria Silva.

Nova realidade

A sensação é que a cidade do níquel viveu um longo momento de alta temporada e agora voltou à realidade de um município de médio porte goiano.

Mas não é exagero dizer que não existe setor, ramo ou segmento que, direta ou indiretamente, tenha sido impactado negativamente com a paralisação das atividades do grupo.

“Estamos aprendendo a viver com uma nova realidade, com uma informalidade maior, cujo rendimento não é igual ao de antes”, diz o presidente da Associação Comercial e Industrial de Niquelândia (Acin), Almir Pedroso da Silva.

Um dos casos é o de Michele Cardoso Silva, que começou a vender pastéis na rua há três meses. Antes, era diarista de segunda-feira à sexta-feira, em cinco casas diferentes.

“Quatro dessas famílias mudaram e a outra não pode mais pagar”, explica. Exemplo da nova engrenagem social na cidade, Michele precisou dispensar a babá que cuidava dos seus três filhos. 

O marido, que trabalhava indiretamente para a Votorantim Metais, agora é chapa. “Tem dia que não ganha nada”, diz. A renda mensal caiu de R$ 2,5 mil para R$ 1 mil.

Com a incerteza causada pelo cenário, muitos moradores estão deixando a cidade. O maior movimento foi entre os meses de março e novembro, nas contas de Wiles Marques. 

Ele era operador de máquinas na Votorantim e investiu, com o dinheiro do acerto trabalhista, na compra de um caminhão baú.

“Outros três colegas fizeram o mesmo.” Juntos calculam que já realizaram a mudança de 400 famílias ao longo do ano.

Os principais destinos são os municípios goianos de Barro Alto, Crixás, Goianésia, Anápolis, Goiânia, Minaçu, Rio Verde, Trindade, além de Paracatu (MG), onde existe uma unidade da empresa. A boa notícia é que, segundo Wiles, a maioria saiu com novo emprego garantido.

Fonte: O Popular

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