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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Goiás libera gasolina a bolivianos e revolta consumidores locais


Um vídeo que circulou ontem pelas redes sociais gerou revolta e indignação em muitos consumidores de combustíveis de Goiás. 

A gravação mostra um comboio de caminhões de placas da Bolívia estacionados no pátio do pool de abastecimento de combustíveis em Senador Canedo – Região Metropolitana de Goiânia. 

Um áudio conta os valores que os bolivianos pagam pela gasolina e óleo diesel, muito inferior ao cobrado dos revendedores locais. Denunciando ou em busca de respostas, o telefone do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Goiás (Sindiposto) não parou de tocar com questionamentos sobre o caso. 

Conforme notas fiscais conseguidas pelo POPULAR, o preço do litro da gasolina para a Bolívia é de R$ 1,59, enquanto os postos goianos pagam R$ 3,34. Já o litro do óleo diesel pago pelos bolivianos é de R$ 0,82 – mais de três vezes inferior ao vendido para as revendedoras locais – R$ 2,91. 

O caminhoneiro Antônio Naves que há 32 anos faz carregamento de etanol das usinas para Senador Canedo, diz que nunca havia visto tal movimentação no pool. Além de estar indignado com o valor, diz que o volume de carregamento dos bolivianos mudou até a rotina de atendimento do local. 

“Para nós, o funcionamento é limitado até às 17 horas, mas para eles continua madrugada adentro”, reclama. De sexta-feira para cá, calcula que cerca de 50 caminhões carregaram no local, ou seja, 2,250 milhões de litros de combustíveis. 

A reportagem verificou que não há ilegalidade na venda de combustíveis para a Bolívia e que os preços são justificados pela isenção de tributos na exportação. Para se ter ideia, somente o tributo estadual incidido na gasolina em Goiás, o ICMS, é de 30%, com mais 2% da Cide e 7% de Pis/Cofins (todos impostos federais). 

O que houve de fato foi a mudança na base de captação da Bolívia, que era nas cidades paulistas de Paulínia e Santos ou em Araucária (PR), para a base goiana. “Agora nos mandaram para cá”, diz um caminhoneiro brasileiro que faz a rota boliviana, mas que não quis se identificar. 

Segundo o motorista da Bolívia Juan Colha, os últimos três carregamentos – o que corresponde um mês de trabalho - foram realizados em Senador Canedo. O percurso é de 1.450 quilômetros, feitos em dois dias de viagem, até Puerto Suarez, no país vizinho. “Lá é a base de carregamento”, diz.

Ele afirma que há um acordo entre os governos que envolve o gás natural boliviano e o combustível nacional. 

Mas uma das preocupações do Sindiposto é o real destino final e a venda desses produtos. 

“Quem nos garante que esse produto não vai para outros postos de combustíveis, em uma concorrência desleal?”, questiona o advogado do sindicato, Antônio Carlos de Lima. 

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