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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Fim da matança: medicamento que trata a leishmaniose canina é lançado no Brasil


No último dia 24, o lançamento do Milteforan – medicamento que trata a leishmaniose visceral canina – na cidade de Araçatuba (SP), marcou o fim de uma longa batalha no Brasil. 

Ao contrário dos países da Europa, por aqui os cães sempre foram tidos como os vilões e não o mosquito-palha, responsável pela transmissão da doença. 

A grande  discussão sempre foi o sacrifício dos animais infectados e não o seu tratamento. Tutores que desejavam tratar a doença, recorriam a medicamentos importados ilegalmente, tendo em vista que eram proibidos no país. 

A grande novidade é que, a partir de agora, os tutores têm o direito de tratar os seus dogs com droga disponível em âmbito nacional. 

“Os veterinários não precisam mais tratar os animais escondido, de forma clandestina e nem brigar judicialmente para isso. Teremos liberdade de prescrição”, disse a veterinária Romeika Reis Lima, da Canis & Catus Especialidades. 

Isso porque o  grupo de pesquisas da Brasilleish, liderado pelos médicos veterinários Fábio dos Santos Nogueira e Ingrid Menz, com o apoio do laboratório Virbac, conseguiu a aprovação do Ministério da Saúde e da Agricultura para a comercialização do Milteforan. 

O medicamento foi testado no Hospital Veterinário Mundo Animal, em Andradina (SP), com resultados eficazes. 

“A decisão representa um marco na medicina veterinária brasileira. Foram 18 anos da minha vida profissional com dedicação exclusiva à tentativa de dar qualidade de vida aos animais contaminados”, disse Fábio.

A eutanásia sempre foi contestada por especialistas que garantem que a matança de cães nunca contribuiu para  diminuir o índice de contágio da leishmaniose. 

E afirmam que, dos 88 países do mundo onde a doença é endêmica, o Brasil é o único que sempre utilizou a morte dos cães como instrumento de saúde pública. 

“A leishmaniose visceral tem controle, tem tratamento eficaz e, portanto, não é necessário fazer a eutanásia do animal, exceto em casos específicos”, afirma o veterinário Leonardo Maciel, da Clínica Veterinária Animal Center. 

O veterinário Manfredo Werkhauser, da Clínica São Francisco de Assis, é um dos fundadores da Brasilleish, e comemora. “É o que vai possibilitar o tratamento de inúmeros animais contaminados e evitar a eutanásia”.

Fique por dentro e previna-se

Leishmaniose – também conhecida como calazar, a contaminação em seres humanos e animais ocorre através da picada da fêmea do mosquito Lutzomyia longipalpis, mais conhecido como mosquito-palha ou birigui

Sintomas no ser humano – febre prolongada, perda de peso, falta de apetite e aumento do fígado e baço. Se não tratada a tempo, a leishmaniose visceral tem alto índice de mortalidade em pacientes imunodeficientes portadores de doenças crônicas

Sintomas no cão – lesões de pele, perda de peso, descamações, crescimento exagerado das unhas e dificuldade de locomoção. No estágio avançado, o mal atinge fígado, baço e rins, levando o animal ao óbito

Prevenção da doença

Fazer a retirada de qualquer tipo de material orgânico como folhas, fezes de animais, entulhos e lixo, onde o mosquito possa se reproduzir. A borrifação química é fundamental em áreas endêmicas

Uso de repelentes, coleira própria contra a leishmaniose, vacina específica, higienização do animal e do ambiente

Fonte: Revista Encontro 

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