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sábado, 17 de dezembro de 2016

Empresários caem no golpe do Detran. Há vítimas em Campos Belos, Cavalcante e Posse (GO)


Uma organização criminosa, montada em Goiânia, causou prejuízos a dezenas de pessoas em diversas cidades do interior de Goiás, num esquema de fraude feito com muita engenhosidade.

A quadrilha causou um prejuízo de aproximadamente R$ 500 mil a pelo menos 25 pessoas. 

Os golpistas diziam que tinham contatos no Detran e ofereciam participação na sociedade de uma empresa. 

O esquema funcionava sempre da mesma maneira: o comprador pagava metade do valor da franquia antes e a outra metade quando o serviço começasse a funcionar.

Há vítimas de Campos Belos, Cavalcante, Teresina, Posse, Jaraguá e de dezenas de outras cidades de Goiás.

De acordo com a advogada do grupo de vítimas, Marizane Nogueira, foram várias fraudes aplicadas por um homem conhecido como Nery Pereira Nicolau Júnior. 

Ele seria o cabeça do esquema, segundo a advogada, e muitas outras pessoas, inclusive dentro do Detran-GO, participavam da empreitada criminosa.

O homem se passava por representante de uma empresa terceirizada, para o serviço de vistoria de veículos.

Uma empresa venceu a licitação para prestar o serviço de vistorias no estado. Os veículos que até então eram inspecionados pelo  Detran e passou a ser feito pela empresa.  

Essa empresa vencedora da licitação sublocou uma outra, chamada de Terceira Visão, para atuar no interior de goiás, em todas as cidades.

O homem se passava como representante da empresa Terceira Visão e começou a oferecer às vítimas uma espécie de franquia da empresa para cada cidade do interior de Goiás.

Para algumas das cidades, ele chegou a vender franquias em duplicidade. 

O retorno financeiro seria alto. Lucro de 25% para cada vistoria feita, que hoje custa para cada veículo cerca de R$ 107.

Com promessa de tanto retorno, as pessoas, principalmente empresário das cidades do interior, foram caindo no golpe, acreditando que realmente estavam fazendo um bom negócio. 

No final das contas, eles seriam sócios de uma empresa terceirizada do Detran.

O falsário tinha documentação  "quente" e um vasto conhecimento da área e também do campo da terceirização.

O rapaz tinha contatos e influência dentro do Detran, que repassavam todas as informações pertinentes para ele. 

“E não foram pessoas humildes que caíram no golpe.  Donos de clínicas localizadas próximo ao Detran de Goiânia também caíram. Esses donos de clínicas estão acostumados a prestarem serviço para o Detran. Conhecem muito bem onde se metem”, disse a advogada.

Muitos dos empresários, antes de fechar o contrato, inclusive, sondaram os serviços e  até foram à sede da empresa Terceira Visão checar se tudo estava direitinho e se os serviços estavam sendo prestados em Goiânia. “Tudo corria como manda o figurino”.

Ainda de acordo com Marizane Nogueira, o homem acusado de montar o esquema,  marcou um prazo de dois meses para iniciar as atividades nas diversas cidades. Mas como o negócio não andava, as vítimas começaram a questionar. 

Ele informava que era um problema do Detran, que não tinha autorizado ainda o funcionamento. 

“Com isso, ia ganhando tempo e fazendo mais vítimas em todo o estado”, conta a advogada.

Desconfiadas, as vítimas começaram a ir às cidades onde ele tinha vendido as franquias, como Jataí e Aparecida de Goiânia, para verificar in loco a situação. 

“Quando chegaram ao local, descobriram que o serviço já estava em funcionamento e sendo tocado pela Terceira Visão. Era um golpe”.

Outras fraudes

A gama de fraudes perpetrada pelo homem era vasta. 

Ele também oferecia uma sociedade na fabricação de simuladores de autoescola. 

Levava as vítimas para um galpão em Aparecida de Goiânia, apresentava os simuladores de veículos, catálogos, dizendo que seriam fabricados e vendidos para as autoescolas.

“Então ele pegava dinheiro como promessa. Tanto no golpe da empresa franqueada pelo Detran, como nos simuladores, ele pedia às vítimas que depositam um adiantamento, que variavam o valor de acordo com o cliente. 

Ele analisava a condição da vítima e dava o preço. Muitos chegaram a depositar R$ 100 mil, R$ 200 mil. Como garantia, ele dava um cheque calção ou até mesmo recibo e contrato com firma reconhecida em cartório. Ganhava a segurança das pessoas e a documentação não era problema. Recebia até carros nos valores”, com a defensora das vítimas do golpe. 

Outro golpe era o do loteamento. Funcionava da mesma forma. O homem afirmava que possuía loteamentos em Goiânia e no Piaui para vender. Chamava a vítima para ser sócia. Pegava o adiantamento,  dava um cheque calção e sumia com o dinheiro.

O caso chegou a ser destaque na imprensa nacional nesta semana, no Balanço Geral de São Paulo. 

Depois que a reportagem foi ao ar, mais vítimas apareceram. “Em Goiânia, teve gente que vendeu até a casa no valor de R$ 300 mil, para entrar na suposta sociedade”, afirmou Marizane Nogueira.

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