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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Na calada da noite: Câmara tenta votar projeto pra salvar investigados da Lava Jato


Segunda-feira, dia 19 de setembro, quase 23h00. Os deputados ainda estão trabalhando e alguns deles tentaram votar um Projeto de Lei que seria uma emenda da já existente. 

Nesta PL, a intenção seria se livrar das punições da Operação Lava Jato ao alterar a lei já existente que criminaliza o caixa dois.

Seriam duas as intenções de alguns deputados que articularam a votação, a primeira seria "conseguir a anistia por prática de caixa dois cometida até agora, com base no princípio de que lei não retroage para prejudicar o réu". 

A segunda: "inibir a atual inclinação da força-tarefa da Lava Jato —e do juiz federal Sérgio Moro— de tratar como corrupção pura e simples o recebimento de dinheiro que não esteja na contabilidade eleitoral".

Como você sabe, os executivos da empreiteira Odebrecht estão tentando negociar um acordo de delação premiada. 

Para isso, eles divulgaram no mês de março uma lista com os nomes de mais de 200 políticos que teriam recebido caixa dois e que agora estariam na mira do juiz Sérgio Moro.

Pois é, o desespero está começando a bater e a Câmara já começou a agir na surdina. 

Ainda segundo a reportagem da Folha de S. Paulo, quem presidia a sessão da votação era o deputado Beto Mansur (PRB-SP), que se recusava a dizer o real motivo da votação para quem o perguntasse.

A votação só não chegou a ser concluída porque deputados de outros partidos, inclusive que não estão sendo investigados pela Lava Jato, interviram ao perceberem do que se tratava.

"O que está se tramando aqui esta noite é uma bandalheira, uma maracutaia, um trambique. Queremos saber quem são os partidos que estão redigindo essa emenda na calada da noite, escondidos do povo brasileiro", disse o deputado Ivan Valente (PSOL-SP).

O que alguns deputados tentam esconder, na verdade, seria o dinheiro de caixa dois que receberam de empresas privadas em trocas de favores políticos para financiarem as suas próprias campanhas eleitorais. 

Caso esta emenda seja mesmo aprovada, como eles tem foro privilegiado, só passarão a serem condenados por crimes cometidos daqui por diante.

Fonte: Catraca Livre

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