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terça-feira, 14 de junho de 2016

Índice de queimadas do primeiro trimestre é o maior desde 1998. Chapada dos Veadeiros e parques de Cavalcante (GO) disparam


Os meses de janeiro, fevereiro e março deste ano registraram 13.930 focos de incêndio em todo o país. 

Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e mostram que 2016 começou com recorde de queimadas no primeiro trimestre desde 1998, quando o órgão iniciou as medições. 

Somente em fevereiro ocorreram 4.148 queimadas, quase 80% a mais do que o total registrado no mesmo período de 2015. 

Durante todo o ano passado, o Brasil registrou 236.871 focos de incêndio, volume 28,7% maior do que o total de 2014.

A maioria dos focos foi registrada no Cerrado, ambiente natural onde estão localizadas as nascentes de alguns principais rios brasileiros que formam grandes bacias hidrográficas. 

Apesar da temporada das chuvas ir até março/abril, o aumento das queimadas tem preocupado a população.

As queimadas são uma das maiores ameaças ao Cerrado, que corresponde a 23,9% do território brasileiro, abrangendo 10 estados e onde vivem cerca de 20 milhões de pessoas. 

Em novembro do ano passado, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (GO), teve milhares hectares de área destruída por conta de um incêndio que durou mais de uma semana para ser controlado completamente.

Algumas áreas particulares que estão localizadas no entorno dessa unidade de conservação também tiveram áreas atingidas pela ação do fogo. 

Foi o caso da Reserva Natural Serra do Tombador (GO), Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) localizada em Cavalcante (GO), administrada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Com cerca de nove mil hectares e mais de 800 espécies registradas, a reserva sofre anualmente com as queimadas na região. Em 2011, um grande incêndio gerou perdas de 60% do território da reserva.

Porém, a estruturação de um projeto de prevenção e combate ao fogo trouxe ótimos resultados: desde o grande incêndio de 2011 a média de redução das perdas caiu para cerca de 10% ao ano. 

A iniciativa, que teve início em 2012, contemplou ações preventivas e estratégias de combate ao fogo, incluindo conscientização e treinamentos.

Desde 2012 a reserva conta com uma brigada comunitária voluntária para atuar no combate a incêndios já estabelecidos. 

Os brigadistas receberam treinamento com noções de uso correto do fogo, equipamentos adequados e conscientização sobre os impactos das queimadas para a biodiversidade. Em 2015, devido a um aumento das queimadas na região, foi contratada também uma brigada temporária.

Dentro das ações preventivas foi realizado um trabalho que incluiu a implantação de aceiros (retirada de vegetação rasteira em linhas para evitar a passagem do fogo durante queimadas) e atuação regional integrada, envolvendo prefeituras, ICMBio, IBAMA - Prevfogo, corpo de bombeiros, ONGs e comunidade. 

Visitas aos proprietários vizinhos da reserva, em sua maioria pequenos agricultores de mandioca, milho, banana e feijão, para esclarecer sobre o perigo do uso das queimadas no preparo da terra, comum na região.

"Cada unidade de conservação que é devastada pelo fogo tem uma perda significativa da sua biodiversidade, que levará anos para ser recomposta. 

O planejamento prévio de ações de prevenção e combate deve ser prioritário e feito em rede, levando em conta toda a região. 

É preciso considerar as Unidades de Conservação, os proprietários rurais e os diferentes usos do fogo no Cerrado. Além disso, falta fiscalização, normatização para as aplicações mais recorrentes do fogo (como queimadas controladas) e integração de atores envolvidos.", afirma Marion Bartolamei Silva, coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário.

Sobre a Fundação Grupo Boticário

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza é uma organização sem fins lucrativos cuja missão é promover e realizar ações de conservação da natureza. 

Criada em 1990 por iniciativa do fundador de O Boticário, Miguel Krigsner, a atuação da Fundação Grupo Boticário é nacional e suas ações incluem proteção de áreas naturais, apoio a projetos de outras instituições e disseminação de conhecimento. 

Desde a sua criação, a Fundação Grupo Boticário já apoiou 1.457 projetos de 488 instituições em todo o Brasil. 

A instituição mantém duas reservas naturais, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, os dois biomas mais ameaçados do país. 

Outra iniciativa é um projeto pioneiro de pagamento por serviços ambientais em regiões de manancial, o Oásis. 

Na internet: www.fundacaogrupoboticario.org.br, www.twitter.com/fund_boticario e www.facebook.com/fundacaogrupoboticario.

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