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sábado, 25 de junho de 2016

Filho de sargento que salvou menino de ariranhas em Brasília também salva vidas. Já o menino salvo virou ladrão de dinheiro público e nunca disse "um obrigado" à família




Essa história começa em 1977, quando o sargento do Exército Silvio Hollenbach morreu no Jardim Zoológico de Brasília ao salvar um garoto que havia caído no fosso das ariranhas. 

O militar foi mordido mais de 100 vezes e não resistiu a uma infecção generalizada. 

O menino chamava-se Adilson Florêncio e jamais agradeceu a família de seu salvador.

Um novo capítulo nessa história: mais de 30 anos depois, Adilson tornou-se diretor-financeiro do Postalis, o fundo de pensão dos funcionários dos Correios. 

E hoje foi preso na Operação Recomeço, da Polícia Federal, por desvios de recursos.

Um dos casos mais emblemáticos de heroísmo de Brasília ocorreu no Jardim Zoológico. 

Em 27 de agosto de 1977, o 2º sargento do Exército Sílvio Delmar Hollenbach atirou-se no recinto das ariranhas ao presenciar o menino Adilson Florêncio da Costa ser atacado pelos animais. 

O militar conseguiu livrar o garoto de 11 anos da morte, mas não resistiu aos ferimentos causados pelas 11 mordidas dos bichos. 

Sílvio ainda sobreviveu por três dias, internado no Hospital das Forças Armadas (HFA), mas sucumbiu a uma infecção generalizada, aos 33 anos. 

Em homenagem ao sargento, o parque passou a se chamar oficialmente Jardim Zoológico Sílvio Delmar Hollenbach. 

Além disso, o gesto de coragem ficou eternizado com a construção de um busto com o rosto do militar.
O homem considerado o primeiro grande herói da capital deixou mulher e quatro filhos. Um herdou o nome dele. 

Aos 46 anos, Silvio Delmar Hollenbach Júnior é um homem formado e um profissional de respeito. Sempre teve orgulho do ato do pai, mas nunca escondeu a decepção pela falta de gratidão pública por parte da família do menino salvo. 

Passados 39 anos, o garoto resgatado das mandíbulas das ariranhas, Adilson Florêncio da Costa, jamais procurou a viúva ou os quatro filhos do seu anjo da guarda. 

Nunca bateu à porta deles. Nunca telefonou. Nunca enviou sequer um cartão de Feliz Natal. 

Na última sexta-feira (24), Brasília e o restante do Brasil conheceram o destino de Adilson. 

A Polícia Federal o prendeu na Operação Recomeço. Ele é acusado de integrar um esquema que desviou R$ 90 milhões da Postalis e da Petros, os fundos de pensão dos funcionários dos Correios e da Petrobras, respectivamente. Adilson é ex-diretor financeiro da Postalis.

Por anos, Adilson foi vizinho de Silvio Delmar Hollenbach Júnior, que, ao contrário do outro, tem a vida marcada por atos heróicos. 

Silvio Hollenbach Júnior se dedica a salvar vidas. Formou-se em Porto Alegre, após concluir os ensinos fundamental e médio no colégio militar da região. 

“Nessa época, a gente acaba homenageando a mãe, que também se tornou pai. Mas ele me inspira em muito do que faço. Morreu para salvar uma criança. Hoje, quando consigo resolver o problema de um pequeno e vejo a felicidade no rosto dos pais, me sinto gratificado. 

Eu me lembro dele”, contou o filho mais velho do sargento, em entrevista ao Correio, em 2014. 

Quando concluiu o curso de medicina pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), uma coincidência e uma deferência trouxeram Silvio Hollenbach de volta a Brasília. 

“Meu irmão estava no quartel e encontrou um general. Ao ver o sobrenome dele, o general perguntou: ‘Você é filho do sargento Hollenbach?’ 

Ele respondeu que sim e contou sobre minha formação. Logo, o general informou que viria dirigir o HFA no ano seguinte e que me queria na equipe”, lembou o médico. 

Vinte anos depois da tragédia, Silvio voltava ao HFA, onde há uma homenagem ao pai no auditório da unidade. Tributos a Hollenbach, aliás, não faltam. 

Além do busto de bronze na entrada do Zoológico de Brasília, que leva seu nome, há reverências a ele em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre. “Nunca me vi em uma situação como a que ele passou, de ter que colocar minha vida em risco para salvar outra. Acredito que era o destino dele”, ressaltou. 

Poucos anos antes do episódio no zoológico, o sargento tinha salvado um homem de um afogamento na gaúcha Cerro Largo, sua cidade natal. “Ele passou por outra ocasião de risco e previa que o pior ocorreria na terceira vez em que ele salvasse alguém. 

Talvez fosse a missão dele”, conclui o otorrinolaringologista. 

“Em um mundo com tanto egoísmo, individualismo, é importante lembrar de histórias como as do meu pai para mostrar que o amor ao próximo existe”, destaca Hollenbach Júnior.

Com a repercussão da prisão do menino salvo pelo seu país há 39 anos, o Correio tentou nova entrevista com Silvio Delmar Hollenbach Júnior neste sábado (25). Ele não atendeu nem retornou as ligações. 

Amigos dele contaram que o médico e os familiares sempre carregaram a mágoa de nunca ter sequer recebido um telefone do garoto salvo. 

Diferentemente de Silvio Jr., Adilson da Costa sempre se manteve em silêncio. Trabalhando no Postalis, sempre que procurado por um repórter, mandou dizer, via secretária, que não dava entrevista sobre o assunto. 

Sempre evitou falar. Sempre quis o anonimato. 

Mas a PF levou os holofotes a ele, de forma indigna.

Com texto do Correio Braziliense



Um comentário:

MirandaCouto disse...

Com atraso de quase um ano (procurando uma coisa, achei outra muito mais importante) apresento a ti, Jornalista Dinomar Miranda, meus intensos Parabéns por esse artigo, essa divulgação que carece de mais outras, mais reconhecimentos, de Ato exageradamente "fora-de-moda". Ajudar a outro, "...com o sacrifício da própria vida...". Raridade. Que Deus lhe proteja e guarde. E que o Sucesso lhe sorria, sempre