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terça-feira, 28 de junho de 2016

Empresário comanda movimentos sem-terra em Alto Paraíso de Goiás


Com a promessa de distribuir terras a pequenos produtores rurais, o empresário Hugo Daniel Maciel Zaidan, 33 anos, comanda ao menos oito acampamentos instalados em fazendas no Entorno do DF e mobiliza um verdadeiro exército de sem-terra — o Movimento Social de Luta (MSL). 

Dono de um restaurante em Alto Paraíso, ele é ex-seguidor do antigo líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha, com quem rompeu para criar a própria bandeira. O MSL consegue se manter por meio de doações dos integrantes. 

Dinheiro usado, segundo Zaidan, para resolver os trâmites legais, conseguir autorizações e pagar melhorias nos assentamentos, que estariam, de acordo com ele, em terrenos supostamente irregulares com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

As ocupações do MSL ocorrem, simultaneamente, nas cidades goianas de Formosa, Teresina de Goiás, Alto Paraíso e São João d’Aliança. O movimento reuniu cerca de 1,5 mil pessoas para montar cada acampamento. 

Vai gente também do Gama, do Núcleo Bandeirante, do P Sul e da Candangolândia. Zaidan, porém, nunca conseguiu entregar os lotes que prometeu. “Não entreguei porque o Incra não libera. 

Há um ano e meio, nós controlamos o acampamento Dorselina Folador, que era uma fazenda, e agora é nosso. Eles (os donos) não fazem nada. 

A terra não tem estudo, não tem corte, nada. Mas 40 famílias moram lá. Eu consegui”, conta o líder.

A iniciativa de Zaidan resultou em nove ações criminais contra ele no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), incluindo uma por descumprir mandado de reintegração de posse. 

O caso ocorre na Fazenda Barreiro, em Formosa, ocupada em dezembro e tirada das mãos dos sem-terra dois meses depois, por ordem judicial; mas, desde o último domingo, novamente cheia de manifestantes. 

De acordo com o juiz Lucas Siqueira, titular da 1ª Vara Cível da cidade, “não há como saber até onde há legitimidade na invasão. 

Foi provado que a terra tem dono, que é produtiva, e foi dada a ordem para eles saírem. Continuar ali configura crime de desobediência”, afirmou.

“Nada disso vai pra frente”, declarou o invasor-chefe, em resposta à declaração do magistrado. 

“Tenho quatro advogados. Nunca paguei fiança. Estou no caminho certo. Tiro (as terras) dos ladrões, de quem lava dinheiro e dos traficantes para dar aos pobres. 

Estou educando a população para correr atrás do que é dela”, acrescentou Zaidan, que, segundo ele, desde os 13 anos milita pela reforma agrária. “Não tenho mais medo de nada. Já sofri o que tinha para sofrer”, acrescentou.

Há duas semanas, ele foi preso em flagrante acusado de receptação. Segundo a Polícia Civil de Goiás, em 4 de fevereiro, ele foi surpreendido em posse de um trator, maquinários e um caminhão dentro do acampamento Nelson Mandela, em São João d’Aliança, na Fazenda Isabel, invadida pelo MSL em dezembro do ano passado. 

O empresário disse que os equipamentos estavam sob a responsabilidade dele, mas não apresentou documentos. 

Chegou à delegacia de Alto Paraíso escoltado, mas, por falta de provas, acabou liberado. Na cidade, ele responde por oito acusações, a maioria sobre ameaça e extorsão.

Fonte: Correio Braziliense

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