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quarta-feira, 20 de abril de 2016

Bela, recatada e do Lar: "Veja" tenta vender mulher de Temer como a Primeira Dama perfeita e vira meme na Internet, por machismo






A revista Veja perdeu mais uma oportunidade de ficar calada.

Numa tentativa óbvia – quase desconcertante, tamanha a vergonha alheia – de colocar Marcela Temer, esposa de Michel Temer, como a primeira-dama perfeita, a revista deu mais um show de machismo e atraso.

Na matéria, Marcela é colocada como “bela, recatada e do lar” – nada mais conveniente para a sociedade patriarcal. 

Afinal, uma mulher bela, recatada e do lar – tal qual a mulher idealizada da literatura romântica do século XIX – não pisa no calo do machismo.

Ela se contenta com o lugar de inferioridade que lhe foi imposto com uma consciência de subalternidade preocupante.

Como Marcela, ela se satisfaz em ser “o braço direito do seu homem” – porque os seus braços, os seu corpo e a sua mente estão, de fato, unicamente direcionados aos interesses do homem que “a assumiu”. 

Eis o papel que o patriarcado lhe conferiu.

O tom de admiração e satisfação diante de uma mulher subalterna empregado na matéria é repugnante. Marcela, a mulher linda, elegante, discreta e subserviente é o sonho de consumo da Veja e "dos golpistas conservadores".

É a mulher que encontra conforto num casamento tradicional, que precisa de um homem que a proteja e dê significado à sua vida pública – e quando falo em vida pública, refiro-me a tudo aquilo que extrapola os limites do papel de “mulher do lar”.

A Veja quer mulheres que não sustentem, sozinhas, suas próprias vidas, suas próprias lutas, sua própria existência. Que estejam – e se contentem em estar – à sombra de seus homens. 

Que dependem deles para existirem socialmente e que mantenham a fragilidade que só eles podem alimentar: as princesas perfeitas a espera de um homem forte e corajoso que, finalmente, legitime a sua existência (talvez os editores da Veja estejam lendo muitas histórias da Disney).

Essa mulher – agora representada pela aspirante a primeira-dama do Brasil – é justamente a figura idealizada do Brasil do século XIX (ao ler a matéria, sinto-me em 1850): 

a mulher pudica, que sempre pede “luzes finíssimas”, que não se atreve a ascender intelectualmente (segundo a matéria, Marcela é bacharél em direito, mas trabalhou pouco e tem um currículo lattes sucinto), que se casa com o primeiro namorado e jamais expressa uma postura libertária.

Marcela Temer é a figura do retrocesso feminista e a Veja parece ter orgasmos com sua mera existência.

A matéria serve para que tenhamos uma noção clara – embora já o saibamos há algum tempo – do que, de fato, tanto incomoda a direita ao ver uma mulher como Dilma Roussef na presidência.

Ao contrário de Marcela, Dilma é tudo que o patriarcado não quer: não obedece aos padrões de beleza estabelecidos, não se curva diante da exigência de subserviência feminina que ainda persiste, não cultiva a delicadeza tradicionalmente feminina (afinal, não somos obrigadas!), luta com as próprias mãos, derrama o próprio suor, e o que é pior: é a mulher mais poderosa do país.

Fonte: Pragmatismo 

Leia a matéria da Veja 

Assista ao comentário de Boechat 

Um comentário:

Anônimo disse...

Nada melhor do que substituir uma mulher que luta e lidera por outra que se inferioriza e assiste o sucesso do marido dos bastidores. Eu bem sei quem é Michel Temer e Dilma, mas quem é essa tal de Marcela?? E por que é que ela está recebendo tanta atenção??? É pq ela não tem rugas, mantém a casa arrumada, e se por um acaso ela resolver abrir a boca não vai envergonhar o marido, afinal de contas, ela é bacharel em Direito. Essa dona bela, recatada e do lar não é exemplo de nada, ela só joga no lixo todos os anos de luta por liberdade e igualdade. A Veja pode levar pra outro lugar seu desejo de transformar nossas mulheres em bonequinhas inúteis. Tivemos uma mulher no poder, uma mulher de verdade, ela é um exemplo. E isto não será esquecido.