Banner 1

Banner 1

quinta-feira, 31 de março de 2016

Samarco ainda não parou vazamento de lama e já foi notificada 39 vezes pelo Ibama




Quase cinco meses depois do que é considerado a maior tragédia ambiental da história do país, a Samarco Mineração ainda não conseguiu conter o vazamento de rejeito no meio ambiente. 

Isso porque blocos de pedras colocados provisoriamente para conter o volume de lama cederam e um dos quatro diques, que já foi destruído pela força da água, voltou a ser construído e, de novo, foi engolido pela lama de minério.

Além disso, ligações telefônicas de funcionários da mineradora que foram gravadas pela Polícia Federal (PF) e autorizadas pela Justiça dão conta de que diretores da Samarco Mineração tinham o conhecimento de que as obras não adiantaram de nada na contenção do vazamento da lama. 

As informações foram divulgadas na sexta-feira (25) pela Folha de S. Paulo. 

A reportagem também indicava que o Ibama já emitiu 39 notificações à mineradora desde o dia 5 de novembro de 2015, dia em que a barragem rompeu.

De acordo com a reportagem, o diretor de operações da mineradora Kleber Terra, indiciado pela morte de 19 pessoas, afirma que no dia 16 de janeiro o sistema de bombeamento não dava conta. 

Em seguida, um funcionário chamado de Samuel, em conversa com o coordenador de monitoramento da mineradora, Wanderson Silvério Silva, diz “estamos dando um passo para frente e outro para trás”. 

Na ligação, o funcionário se mostrou preocupado, já que relatou que as partes que restavam da barragem “simplesmente desmanchavam”, nas suas próprias palavras.

Os grampos apontam que a mineradora decidiu interromper as obras de contenção no dia 16 de janeiro com medo de que as estruturas não suportassem o fluxo de rejeito. 

Dos quatro diques de emergência anunciados como medida emergencial da empresa, três foram iniciados. 

Um deles caiu, foi reconstruído e não suportou a quantidade de lama, rompendo mais uma vez. Uma das estruturas, inclusive, sequer começou a ser construída pois estava localizada em área de preservação ambiental.

De acordo com Marcelo Amorim, coordenador de emergência ambiental do Ibama, em entrevista à reportagem da Folha de S. Paulo, a Samarco errou cálculos ao subestimar a quantidade de lama que desceria da barragem quando houvesse chuva.

À Folha de S. Paulo, a mineradora não comentou quanto ao conteúdo dos grampos telefônicos. 

Sobre o lançamento de rejeitos continuar, a Samarco Mineração alega que “sedimentos misturados à água da chuva, que vem sendo registrada acima da média histórica”, têm sido carregados para fora da área do Fundão. 

Ainda em nota, “para conter esse carregamento e melhora a qualidade da água que chega aos cursos d’água, a empresa construiu três diques, sendo o último entregue em fevereiro, abaixo da barragem de Santarém”, em afirmação do comunicado.

Fonte: Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário