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domingo, 20 de março de 2016

Em defesa da Lavajato, brasileiros reagem às ações ideológicas e partidárias


"Ninguém está autorizado a tocar na Operação LavaJato! E isto é uma ordem da nação brasileira. Serve para o PT, PMDB e PSDB...

Caso tentem mexer ou tocar na justiça deste país, vamos reagir. Acabou a farra com o dinheiro brasileiro, ele pertence à nação brasileira!!. 

MPF, polícia federal e Judiciário são intocáveis. Que isto fique bem claro aos governantes, inclusive aqueles que entrarão no Poder!"

Estas fortes palavras foram escritas por um brasileiro em comentários de notícias, sobre as declarações do novo ministro da Justiça, Eugênio Aragão, que declarou ontem que qualquer deslize, irá substituir  equipes da PF na operação lavajato.

É preocupante o clima político do país. Até agora não houve episódios de violência entre militantes que defendem o governo e grupos que apoiam a mega operação contra a corrupção que quebrou a petrobrás.

A operação lavajato avança sobre todos os partidos e começa a chegar a grandes figurões da república.

Tem-se mais de 80 pessoas condenadas por corrupção. Foram devolvidos aos cofres públicos mais 3 bilhões de reais. 

Há mais de 40 políticos no Congresso Nacional, de todos os partidos, sendo investigados, entre eles os presidentes das duas Casas. 

Para além dos previsíveis e perigosos embates físicos, o que mais me preocupa são as respostas às muitas perguntas ainda não respondidas. 

Por que a suposta esquerda brasileira prefere lutar por um partido, por um projeto de poder ao invés de apoiar uma operação, uma ação de Estado, nunca feita antes na história do país contra a corrupção?

Por que milhões de pessoas saem às ruas em apoio a um partido comprovadamente metido em desenfreada corrupção?  

Por que exitam em cortar na própria carne? o projeto ideológico vale mais do que a nação inteira, vale mais do que o país?

É válido taxar a mídia de golpista? é válido culpar o juiz Sérgio Moro? 

Foram os meios de comunicação que roubaram a Petrobrás? Foi o Juiz Sergio Moro que inventou o mega esquema de corrupção?

Será que se esqueceram de que a corrupção é endêmica, secular e capilar em todos os partidos e entes federativos?  

E que só uma ação dizimadora, como a lavajato, seria capaz de, ao menos, golpeá-la?

A democracia brasileira não está em perigo. Ninguém em sã consciência deseja uma ditadura, um regime autoritário, seja militar ou não. 

Ninguém em sã consciência deseja Temer, Cunha ou Renan Calheiros como presidente. Pelo contrário. 

O que se quer é que a LavaJato, como chegou aos empreiteiros, chegue também a todos os grandes políticos.  

O que as pessoas desejam é um país menos corrupto, mais justo e equilibrado politicamente. 

Temos um distanciamento de partidos da sociedade. Temos um distanciamento das ideologias políticas (já ultrapassadas) de esquerda e direita da imensa maioria da população. 

E não me venham falar em alienação política. Existem outros mundos fora dessa dualidade esquerda x direita.  

Há pessoas de bem fora da esquerda... 

Para arrematar, os militantes petistas foram às ruas e lutam diariamente nas mídias sociais em defesa de quem? do PT, de Lula e Dilma? contra a lavajato? contra a corrupção, exceto se ela for feita por partidos de esquerda? 

Se não há perigo para democracia (pelo contrário, vejo-a  se fortalecendo cada vez mais); se não há perigo de golpe; qual a bandeira da esquerda? apenas se manter no poder a qualquer custo, mesmo apoiando corruptos partidários?

2 comentários:

Anônimo disse...

O que se questiona no momento não é a legitimidade da PF, MPF ou o Judiciário, visto que são instituições importantes para a garantia ao exercício da democracia em sua plenitude.O combate a corrupção precisa ser feita diuturnamente, sem trégua. A Operação Lava Jato tem que ser reconhecida por cada brasileiro, da sua importância para o país, pois mostrou como funciona a relação do sistema politico com o grande capital.O que se questiona é que em um país civilizado como nosso o combate à corrupção não pode ser feita à margem da lei, ou seja, cometendo um crime para combater outro crime.Uma operação dessa magnitude não se pode deixar manchar por atos arbitrários que possa vir imacular ou gerar questionamentos no futuro. É preciso que o estado de direito seja preservado, que os direitos e as garantias individuais das pessoas sejam resguardados, pois só assim avançaremos como nação civilizada.O estado de direito é essencial para qualquer cidadão seja ele rico ou pobre, onde todos estão sujeitos a ele, não podendo gerar insegurança jurídica e pautando seus atos sempre em obediência à Constituição Federal.

Anônimo disse...

O primeiro morto, por Luís Fernando Veríssimo

É preciso reconhecer que a camiseta do Bolsonaro tem razão. Se o que acontece no Brasil hoje significa alguma coisa, é o triunfo da direita no nosso embate político

Em O Globo

Calma, gente. Do jeito que vão as coisas e as pessoas, entramos num período de expectativa tétrica: quem será o primeiro cadáver dessa guerra? Na convulsão que toma as ruas, nos enfrentamentos constantes e nos choques de ódios que se repetem, está se gerando o primeiro morto. Não se sabe como ele será. Por enquanto, é apenas uma suposição do que ainda não aconteceu, um fantasma precoce do que ainda não existe. Não se sabe seu gênero, sua idade, sua raça ou o que o matará — mas ele toma forma, e vem vindo. Depois, os dois lados se culparão mutuamente pela sua morte, ele virará símbolo ou mártir, e todos lamentarão a tragédia — o que para ele não fará a menor diferença. Ele será apenas alguém que estava no lugar errado quando o estilhaço, o tiro, o sarrafo, a bala perdida, o soco mortal o atingiu. O primeiro morto pode ter sorte e não morrer. Ele pode estar andando por aí neste momento sem saber como chegou perto de virar defunto e notícia internacional. Até o momento em que escrevo, escapou. Mas, do jeito que vão as coisas e as pessoas, tudo indica que ele está condenado.

TRIUNFO

As manifestações do último domingo foram impressionantes. Foram tão grandes que englobaram várias causas e broncas, do horror sincero a Dilma e ao PT ao clamor pela volta da ditadura militar. As duas coisas não são, necessariamente, complementares; os queremistas da intervenção militar são uma minoria na multidão, mas uma minoria cada vez mais ostensiva. A camiseta que vestia o Jair Bolsonaro tinha “Direita já” escrito na frente. Deu para ver com clareza porque, na foto, ele estava sendo carregado nos ombros de admiradores. E é preciso reconhecer que a camiseta do Bolsonaro tem razão. Se o que acontece no Brasil hoje significa alguma coisa, é o triunfo da direita no nosso embate político. Direita agora, direita já, a ser carregada em triunfo. O que a camiseta do Bolsonaro diz não é uma reivindicação, nem uma ordem. É uma constatação.

TUDO

Para os leitores que não concordaram comigo que a condução coercitiva do Lula por ordem do Moro foi uma ilegalidade: a opinião não é só minha, um leigo em tudo, da alma humana aos meandros da lei. É de vários juristas que se manifestaram a respeito. A condução coercitiva é para ser usada quando uma intimação é desobedecida, o que não foi o caso com o Lula. Usada sem esta justificativa, é inconstitucional, logo ilegal. Mas da condução coercitiva do Lula até hoje aconteceram tantas coisas que o assunto tornou-se acadêmico. Mesmo porque, as leis brasileiras foram simplificadas a uma só diretriz: o Moro pode tudo.