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domingo, 24 de janeiro de 2016

Preço da gasolina pode subir novamente no DF. Áudios revelam que parlamentares recebiam gasolina e dinheiro de cartel

Enquanto isso, fila na fronteira com a Venezuela. Gasolina a centavos

PF desbaratou cartel
Em meio à investigação sobre o suposto cartel e de um boicote da população aos postos de combustíveis, é possível que o preço da gasolina aumente. 

A previsão é do Sindicato do Comércio Varejista de Combustível e de Lubrificantes do Distrito Federal (Sindicombustíveis-DF) e da rede Cascol, a maior do setor e alvo da Operação Dubai, deflagrada em novembro pela Polícia Federal, que apura crimes envolvendo os donos dos estabelecimentos. 

Sexta-feira (22), o brasiliense respondeu ao grupo que pediu, pela internet, que não se abastecesse os carros — segundo os organizadores, pelo menos 34 mil pessoas declararam não ter ido a postos.

O presidente do Sindicombustíveis, Fernando Ramos, informou que a Petrobras anunciou um reajuste de R$ 0,05 (de R$ 2,35 para R$ 2,40) no valor cobrado pela Petrobras pelo litro da gasolina há dois dias e, por isso, possivelmente haveria “uma pequena mudança” nos preços. 

Ele informou não saber como evitar que o prejuízo chegasse ao consumidor. 

“Nosso lucro é pequeno, fizemos uma tabela para provar isso e divulgamos amplamente. Aí vem a Petrobras e aumenta tudo outra vez. O que você acha que vai ser feito?”, indagou.

Segundo representantes da Cascol, a única saída dos donos dos postos de gasolina, caso os preços da estatal venham majorados, é o repasse. “Nem sempre dá para segurar os preços. 

E há outras taxas. Uma coisa que ninguém pensa, mas que vai impactar no preço do combustível, é a renovação da licença ambiental dos postos, paga para o Ibram, sempre com valor de R$ 700. No fim do ano, o valor pula para R$ 35 mil. E isso é um custo, claro, em qualquer lugar do mundo”, declararam os assessores da empresa.

A Petrobras afirmou que não houve aumento por parte da empresa. Segundo a assessoria de imprensa, a última grande alta vigente, de 6%, ocorreu em 30 de setembro do ano passado. “Adicionalmente, outros fatores podem impactar o preço ao consumidor, tais como o preço do etanol produzido pelas usinas e adicionado à gasolina, a alíquota de ICMS definida pelos respectivos estados, os impostos federais (Cide e Pis/Cofins) e a margem de comercialização da distribuidora”, explicou, em nota.


Contrários à estimativa do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), cuja previsão era de que a gasolina abaixasse 20%, advogados e assessores da Cascol informaram “não haver chance de operar nesses valores”. Segundo eles, “o posto tem uma margem de 17% e, com esse dinheiro, paga funcionários, aluguel e tributos. 

O lucro não é como as pessoas imaginam. Você não pega 17% e coloca tudo no bolso”, explicou a equipe. De acordo com a Polícia Federal, a Cascol, que é a maior empresa investigada pela Operação Dubai, tem um lucro diário de até R$ 800 mil. Em novembro, quando foi deflagrada a ação, veio à tona a notícia de que a gasolina era sobretaxada em 20% para os consumidores.


Deputados envolvidos com cartel

Deputados e senadores pediram dinheiro e gasolina para integrante do suposto cartel de postos de combustível no Distrito Federal, segundo ligações interceptadas na Operação Dubai e obtidas por ÉPOCA. 

A investigação, conduzida pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), apontou chamadas telefônicas realizadas entre Antonio Matias, sócio da rede Cascol, e os assessores do senador Hélio José (PMB-DF), do deputado federal Izalci Lucas (PSDB-DF) e o deputado distrital Raimundo Ribeiro (PSDB). 

Além desses parlamentares, o nome da deputada distrital Celina Leão (PDT-DF) também foi citado. Em uma dessas conversas, no dia 2 de outubro de 2015, o empresário conversa com o seu assistente, identificado como Rivelino, e pede para que o funcionário compre um cupom de R$ 1 mil em gasolina e entregue para Celina Leão.

ANTÔNIO MATIAS: É, tem R$ 1.000,00 pra comprar de gasolina?
Tem, tem.
ANTÔNIO MATIAS: Então, você compra de gasolina e manda lá pra, pra Celina Leão, fala pra ela buscar aí, tá! Tá bom?
RIVELINO: R$ 990,00 ou R$ 1.020,00?
ANTÔNIO MATIAS: R$ 1.020,00.
RIVELINO: Tá bom. Sim, senhor!
ANTÔNIO MATIAS: Põe num envelope porque aquele outro eu mandei pra, "pro" Raimundo Ribeiro e outro pra, pro senador Hélio, tá? Tá bom?
RIVELINO: Então, tá bom. Sim, senhor. Sim, senhor. Agora.

Três horas depois, Antonio Matias recebe outra ligação. Do outro lado da linha, uma pessoa se apresenta como Mayone, da “assessoria do deputado Izalci” e negocia pegar “tickets”, que são trocados por combustível.

MAYONE: Doutor Antônio Matias? Tudo bem, meu amigo?
ANTÔNIO MATIAS: Tudo bem.
MAYONE: É Mayone, da assessoria da deputado Izalci. É que nós fizemos a previsão de pegar uns tickets hoje né. Mas a menina saiu um pouco mais cedo e nós não conseguimos pegar com ela. E a gente precisava disso amanhã. Aí, eu conversei com ela e ela falou: pra eu ir pegar esses tickets, eu preciso de autorização dos meus diretores e, e, eu não trabalho no sábado e eu teria que vir só para fazer essa operação. Então, teria que falar com o Antônio Matias para que pudesse fazer essa operação.
(...)
ANTÔNIO MATIAS: Ok Mayone. Vou ligar na menina e se tiver jeito vamos resolver para vocês.
MAYONE: Nós precisamos mesmo, seu Antônio Matias. É porque essa operação nós vamos realizar já esse final de semana e como ela disse que não trabalhava ela precisava da sua operação para ir lá amanhã cedo e operacionar.
ANTÔNIO MATIAS: Tá, tá. Vou ver aqui tá.
MAYONE: Obrigado seu Antônio Matias, muito obrigado pela atenção.

Dez minutos depois, em outra chamada telefônica, Matias conversa com um interlocutor identificado como “Elsinho”. Na ligação, o empresário menciona que o PSDB queria pegar R$ 15 mil em gasolina no dia seguinte.

ANTÔNIO MATIAS: O, o PSDB pediu pra, pra ver como é que pegava, é, 15 mil reais de gasolina amanhã, né.
ELSINHO: Ahn.
ANTÔNIO MATIAS: Já tinha, ele já tinha falado com a Viviane. E a Viviane falou que se, se eu autorizasse ele, ele, ela ia.
ELSINHO: Ela iria lá?
ANTÔNIO MATIAS: Aí, eu liguei pra ela agora, disse que ia, se...
ELSINHO: Ahn, hum.
ANTÔNIO MATIAS: Aí, eu "autorizei ela" a ir de manhã cedo, 09:00 h pra lá que eles vão botar 15 mil, 15 mil reais.
ELSINHO: 15 mil reais. Tá bom. Tá jóia.
ANTÔNIO MATIAS: Tá bom?
ELSINHO: Se precisar de alguma coisa você me liga.
ANTÔNIO MATIAS: Então, tá. Obrigado, viu.
ELSINHO: De nada.
ANTÔNIO MATIAS: Tchau.

De acordo com a representação da Polícia Federal, o cartel de combustível possuía “imensos contatos políticos”. “Apesar de estarmos em um ano sem eleições, diversos políticos e partidos fizeram pedidos de dinheiro e de combustível a Antônio Matias, por exemplo, como comprovam ligações telefônicas monitoradas”, diz o documento.

A operação Dubai identificou o esquema de cartel no mercado de combustíveis no Distrito Federal. As investigações revelaram diversas combinações entre supostos concorrentes e a constante articulação entre as distribuidoras e postos de revenda. Segundo a PF,  a Rede Cascol, de Antonio Matias, é um concorrente muito maior e mais influente do que todos os demais. 

A rede tem cerca de 30% (95 dos 312) dos postos e cerca de 50% do volume de combustíveis vendidos no DF. O segundo maior concorrente possui apenas 15 posto. “Por isso, ela possui um poder econômico e político muito superior aos demais atores. 

O cartel se configura no padrão líder-seguidor: há um ator principal que define o preço e os demais seguem esse valor”, diz a representação da PF. A Cascol, que tem contratos com a BR Distribuidora, da Petrobras, vende 1,1 milhão de reais em litros de combustível por dia, o que dá um lucro diário de quase R$ 800 mil com o esquema.

Fonte: CorreioWeb e Revista Época

Um comentário:

Anônimo disse...

A piada é que o o Barril de petróleo nunca foi tão barato, esta abaixo dos 28 dolares, ano passado custava 100 dólares. É para isso que serve uma empresa estatal, para dar vida boa a funcionários públicos,ou simplesmente, cabide de emprego aos amigos do rei, tudo pago com uma tira de couro do povo.