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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Goiás notifica caso de microcefalia. Aedes Aegypt, o mesmo da dengue, pode ser novamente o vilão




Dados divulgados pelo Ministério da Saúde indicam que Goiás possui um caso com suspeita de microcefalia em recém-nascido. 

Com a soma dos oitos estados da Região Nordeste (Pernambuco, Paraíba, Sergipe, Rio Grande do Norte, Piauí, Alagoas, Ceará e Bahia) que identificaram casos, o Brasil já alcança 739 notificações. 

Os dados visam alertar para os cuidados que as grávidas devem ter na gestação. Ano passado o número de casos no país foi de 147, cinco vezes menor que o registrado até o momento.

A microcefalia é uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. 

Os bebês nascem com o perímetro cefálico menor do que considerado normal, que habitualmente é superior a 33 centímetros. 

O vírus Zika, transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti – o mesmo que transmite a dengue -, é considerado a principal hipótese de contagio de microcefalia na região Nordeste. 

Em Goiás, de acordo com a Secretaria Estado da Saúde (SES-GO), ainda não há casos confirmados de microcefalia associado ao vírus Zika. Além disso, a secretaria reforça que no estado não existe registro de casos de Zika.

Ainda segundo a SES, o sistema de informação do estado registra uma média de três a quatro casos de microcefalia por ano. 

Em relação ao caso de microcefalia em paciente de Goiás, divulgado pelo Ministério da Saúde, a secretaria esclarece que o caso ainda está em investigação e não há nenhuma confirmação até o momento que correlacione a microcefalia da criança ao Zika vírus. 

A secretaria não confirma, mas há rumores que o caso notificado no estado seja no município de Rio Verde.

Com objetivo de acompanhar e propor medidas de emergência em saúde pública, o Ministério da Saúde acionou na última semana, o Grupo Estratégico Interministerial de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional e Internacional (GEI-ESPII). 

Além disso, comunicou à Organização Mundial de Saúde e Organização Pan-Americana da Saúde, conforme os protocolos internacionais de notificações de doenças.

De acordo o ministro da saúde, Marcelo Castro, assim que foram relatados aumento do número de casos de microcefalia, pesquisadores começaram a investigar a relação com o vírus Zika. “O que os pesquisadores estão dizendo é que podemos afirmar com segurança que é acima de 90% a probabilidade de ser verdadeiramente o Zika. Há pesquisadores que chegam a dizer que há 99,5% de certeza que é o Zika vírus. 

Se tivéssemos uma literatura internacional que nos respaldasse, não tinha nenhum problema. O problema é que tudo que está acontecendo no Brasil é inédito. 

No mundo todo, não há um caso de epidemia de Zika e nem de surto de microcefalia como está acontecendo no Brasil”, afirma o ministro.

De acordo com o ministério, o laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz da Fiocruz/RJ que participa das investigações constataram a presença do genoma do vírus Zika na amostra de duas gestantes da Paraíba. Através de exames de ultrassonografia, os fetos foram confirmados com microcefalia. O material genético (RNA) do vírus foi detectado em amostras de líquido amniótico.

Dentre os estados, o primeiro a identificar aumento de microcefalia foi Pernambuco com 487 casos, número elevado comparado a 2014, que teve 21 registros. Em sinal de alerta, equipes do Ministério desde o dia 22 de outubro acompanhando o estado. 

O único óbito de microcefalia sendo investigado é no Rio Grande do Norte. Depois de Pernambuco, os estados que registram casos é a Paraíba (96), Sergipe (54), Rio Grande do Norte (47), Piauí (27), Alagoas (10), Ceará (09), Bahia (01) e Goiás (01).

Gestantes

A Secretaria de Estado da Saúde em Goiás, por meio do Ministério da Saúde, recomenda as gestantes que sejam mantidas as vacinas atualizadas segundo o calendário vacinal; não consumação de bebida alcoólica ou qualquer outro tipo de droga; não utilização de medicamentos sem orientação médica; evitar contato com pessoas com febre ou infecções; proteção da exposição de mosquitos, mantendo portas e janelas fechadas ou teladas, uso de calça e camisa de manga comprida e utilização de repelentes permitidos para gestantes (a base de DEET) nas primeiras horas da manhã e nas últimas horas do dia.

O Ministério da Saúde também reforça que as gestantes mantenham o acompanhamento e as consultas de pré-natal, com a realização de todos os exames recomendados pelo médico. Ainda de acordo com o ministério, a microcefalia não é um agravo novo. 

Trata-se de uma malformação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Na atual situação, a investigação da causa é que tem preocupado as autoridades de saúde. 

Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é superior a 33 cm. Esse defeito congênito pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como as substâncias químicas, agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.

Perguntas e respostas sobre Microcefalia
A microcefalia pode levar a óbito ou deixar sequelas?

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental, exceto nas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento cognitivo normal. O tipo e o nível de gravidade da sequela vão variar caso a caso. Tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida.

– Como é feito o diagnóstico?

Após o nascimento do recém-nascido, o primeiro exame físico é rotina nos berçários e deve ser feito em até 24 horas do nascimento. Este período é um dos principais momentos para se realizar busca ativa de possíveis anomalias congênitas. Por isso, é importante que os profissionais de saúde fiquem sensíveis para notificar os casos de microcefalia no registro da doença no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

– Qual o tratamento para a microcefalia?

Dependendo do tipo de microcefalia, é possível corrigir a anomalia por meio de cirurgia. Geralmente, as crianças, como já informado, precisam de acompanhamento após o primeiro ano de vida. Nos casos de microcefalia óssea existem tratamentos que propiciam um desenvolvimento normal do cérebro.

– Há registro de ‘surtos’ de microcefalia em outros países?

Por enquanto, não há relatos na literatura cientifica e nem casos registrados em outros países da associação do zika vírus com a microcefalia. No entanto, nenhuma hipótese está sendo descartada.

– Qual é a recomendação do Ministério da Saúde?

Ministério da Saúde reforça às gestantes que não usem medicamentos não prescritos pelos profissionais de saúde e que façam um pré-natal qualificado e todos os exames previstos nesta fase, além de relatarem aos profissionais de saúde qualquer alteração que perceberem durante a gestação. Além disso, é importante que os profissionais de saúde estejam atentos à avaliação cuidadosa do perímetro cerebral e à idade gestacional, assim como à notificação de casos suspeitos de microcefalia no registro de nascimento no Sinasc.

Fonte: Ministério da Saúde

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