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terça-feira, 24 de novembro de 2015

Desastre ambiental em Minas Gerais: Rio Doce virou um mar de lama, parte da mídia esconde verdadeiros culpados, isto não “Vale”





Por Jefferson Victor, 

Nem mesmo os mais catedráticos ambientalista são capazes de mensurar os malefícios causados pelo rompimento das barragens da Samarco, uma subsidiária da Vale do Rio Doce, a qual nossa mídia faz questão de obscurecer.

Segundo especialistas, este é o maior desastre ambiental da história do Brasil, e engrossa as estatísticas como um dos maiores já ocorridos no planeta.

Segundo dados oficiais, são 853 km de Mariana, cidade mineira, até as praias do Espírito Santo, onde a lama chegou com grande intensidade e poder de destruição, trazendo prejuízo e desalento a pescadores e ribeirinhos.

Durante todo trajeto percorrido, os 62 milhões de m³ de lama vêm destruindo tudo, rios e nascentes desapareceram, plantações, animais, e ecossistemas, tudo isto comprometido com o deslocamentos desses resíduos industriais contendo metais pesados.

O Rio Doce, no momento, é um rio morto, em algumas localidades a lama chega a 16 metros de altura, e segundo analistas, com intervenções mecânicas, fica difícil calcular tempo e valores para recuperação das áreas degradadas.

Por via das chuvas, este lama que está se transformando em barro, aos poucos vai transportando parte destes rejeitos até o oceano, podendo mesmo alcançar o Parque Nacional de Abrolhos, um santuário das baleias jubartes e outros animais que ali reproduzem.

Os efeitos deste desastre são devastadores, quase todas as espécies de peixes e crustáceos ao longo do Rio Doce desapareceram, não se sabe dizer com precisão quanto tempo a natureza precisaria para recompor todo ecossistema que foi brutalmente afetado pela ganância, imprudência e imperícia do homem.

Se havia indícios de trincas nas barragens, por que não houve uma intervenção precisa por parte da Vale do Rio Doce e órgãos governamentais como forma de evitar esta tragédia? Será que houve erro de projeto estrutural? Será que algum órgão fiscalizador fez vistas grossas por se tratar de uma das mais lucrativas empresas deste país?

São muitas as hipóteses, agora querer insinuar que os sismógrafos constataram pequenos abalos na região, para poder acobertar as irresponsabilidades, é subestimar a inteligência das pessoas e formalmente uma maneira de tentar escapar da responsabilidade pelo ocorrido.

Segundo levantamentos oficiais, existem hoje mais de 700 represas como aquelas em todo país, e segundo matérias já veiculadas na mídia, existem pouquíssimos funcionários para fiscalizarem e fazerem cumprir as determinações de segurança, e com isto muitos outros acidentes como este podem acontecer a qualquer momento.

O perigo era iminente, os moradores da região sabiam dos riscos que corriam, mesmo assim, a Samarco não instalou alarmes que pudessem dar o alerta, para que muitas vidas pudessem ter sido preservadas.

Era um projeto tão insignificante financeiramente, prova disto é que agora já montaram, e a empresa e órgãos fiscalizadores nunca se importaram em fazer cumprir o que determina as normas de segurança vigentes.

Pior que ter que conviver com o problema criado pelo acidente, é ver parte da mídia tentando preservar o nome da Vale do Rio Doce, as revistas semanais sequer estamparam em suas capas a real situação em que se encontra a regia afetada.

Evidente que não colocariam nada, a empresa culpada certamente é anunciante e omitem como forma de preservar a sua imagem, visando preservar em alta as ações na bolsa, quanto menos se falar, maiores as chances de ocultar a culpabilidade da envolvida.

Governo e empresa são culpados na mesma proporção, não há menos culpa de nenhum dos envolvidos, inocente mesmo são as pessoas que conviveram com o perigo e se achavam protegidas, muitos perderam a vida ou bens materiais nesta tragédia anunciada.

Aos que perderam patrimônio, um dia podem ser ressarcidos, e os que perderam suas vidas, e a dor das famílias, não há dinheiro que pague, por mais que seja multada, que faça acordos judiciais, nada poderá amenizar o sofrimento das pessoas atingidas.

A natureza sozinha pode levar séculos, mais um dia certamente recicla tudo e volta ao que era antes, porém as vidas ceifadas são irreversíveis.

Que as mortes nesta tragédia não sejam em vão, que sejam usadas como um símbolo de luta contra este capitalismo desenfreado, onde os interesses comerciais sobrepõem à vida.

A busca incessante pelo lucro fácil vem degradando o meio ambiente a passos largos, e isto terá um impacto muito alto às gerações futuras, infelizmente esta é a realidade do mundo atual.

Um comentário:

Anônimo disse...
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