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segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Artigo: um avião cheio de bombas rumo à Síria deveria causar o mesmo impacto que um fuzil AK 47 na mão de um jihadistas em Paris



Por Valmir “Crispim” Santos,

Desde que soube dos ataques em Paris na sexta feira 13, tenho levado porretadas de todos os lados em função da minha postura política em relação aos fatos. 

Amigos das redes sociais, familiares que moram na Europa, religiosos, enfim todos me direcionaram alguma crítica quando postei que “certamente os terroristas eram franceses utilizando armas de fabricação americana”. 

As críticas vieram principalmente pela certeza de que nas entrelinhas do texto estava o apoio às práticas terroristas como as ocorridas em Paris.

O post na rede social foi uma afirmação aleatória, pois não sou estudioso da causa. 

Minha área de estudo na geografia segue outros caminhos. Mas antes de emitir qualquer opinião procuro saber o que pensam os especialistas, e nessa oportunidade recorri a opinião do amigo e Professor de Geopolítica da Universidade Federal de Goiás Romualdo Pessoa. 

Em sua página numa rede social Professor Romualdo fez a seguinte observação: “quem com o ferro fere com o ferro será ferido”. Essa frase me levou a refletir sobre o processo histórico que levaram e levam a situações de barbárie como a ocorrida sexta feira (13) em Paris.

Voltando um pouco no tempo e na história verificamos que o jogo político sem interesse econômico nunca foi e nem será o objetivo das nações ocidentais, especialmente da União Europeia e Estados Unidos. 

Todos os movimentos políticos desses países no Oriente Médio e Norte da África estão impregnados de ações que visam subjugar essas nações aos seus interesses. 

Estamos falando em nações que na realidade nunca foram países, pois nunca tiveram sua autonomia política consolidada dentro de padrões internacionalmente aceitos. 

Essas nações em sua maioria sustentam-se com as migalhas oferecidas pelos países ocidentais em troca da captura de suas riquezas. 

A contradição é que esse povo possui sentimento de nação, de territorialidade e, buscam sua autonomia dentro do pouco que lhes restam. Nessa luta desumana pela vida surgem os grupos armados como o Estado Islâmico, que de tempo em tempo aterrorizam a humanidade. 

Os mais velhos, digo os que como eu estão na casa dos 4.0, certamente recordam que no início da década de 1980, a pessoa mais temida do mundo atendia pelo nome de Yasser Arafat. 

O sonho do governo americano era matar o terrorista que lutava pela autonomia da Palestina frente ao Estado de Israel, imposto pelos países ocidentais em 1948. 

A Organização para Libertação da Palestina (OLP), era o grupo liderado por Arafat e temido no ocidente, pois agregava terroristas em todo Oriente Médio e Norte da África. 

Em 1994, Yasser Arafat foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz pela sua luta em prol da autonomia territorial do Povo Palestino. Uma mostra que sua luta era legítima e justa.

Outro caso emblemático diz respeito ao líder iraquiano Saddam Hussein. Saddam era no início da década de 1980, apenas um presidente de um pedaço da Babilônia. 

E assim foi, até que os Aiatolás tomassem o governo no vizinho Iran em 1978. A chegada dos Aiatolás ao governo iraniano colocou em risco os interesses americanos no Oriente Médio, especialmente no mercado do petróleo. Diante disso os EUA resolveram firmar uma aliança com Hussein para destruir e apoderar das riquezas dos Persas. 

Construíram no Iraque uma infraestrutura invejável, tendo o Brasil como responsável pela execução dos interesses americanos em terras de Nabucodonosor. E Saddam Hussein foi a guerra durante oito anos.

Findada a guerra com um saldo de 1,5 milhão de pessoas mortas, Saddam resolveu cobrar do governo americano o prometido, já que seu país estava afundado em dívidas. 

Não sendo atendido por Tio San, ele que também não era “flor com perfume” invadiu o fundo de sua casa (O Estado do Kuwait, onde o petróleo jorra na rua). Desde então tornou-se o inimigo número um do ocidente até ser caçado, julgado e condenado a morte em 2006 por um tribunal de exceção.

Quanto a Osama Bina Laden que foi de herói americano no Afeganistão ao seu maior algoz, vou limitar a dizer que a cria agiu conforme o treinamento do criador. 

Osama foi preparado para lutar em favor dos interesses americanos contra os soviéticos que invadiram o Afeganistão no fim da década de 1970. 

O objetivo era formar guerrilheiros que pudessem a partir das montanhas afegãs eliminar soldados soviéticos, infringindo a potência socialista uma derrota humilhante e forçando a abandonar o pais. 

Nesse sentido Bin Laden que há muito movimentava pela região foi o aliado perfeito para os Estados Unidos, pois como se diz aqui no nordeste de Goiás “juntou a fome com a vontade de comer”: Osama precisava de armas e recursos para treinar seus Jihadistas e os EUA precisavam dos Jihadistas para não perder espaço para URSS. 

Ocorre que tudo saiu do controle e Osama resolveu também cobrar o que lhe fora prometido pelo governo americano, ou seja fundar um Estado Islâmico no Afeganistão. 

Osama até que tentou, mas os Talibãs foram fortemente combatido pelo governo de Washington quando começaram a atrapalhar os interesses americanos naquele país.

Essa menção as ações políticas dos países ocidentais no Oriente Médio e Norte da África representa uma pequena fração dos erros e covardias cometidas ao longo das últimas três décadas contra os Povos Islâmicos. 

Não voltamos muito no passado, mas podemos incluir também a colonização e todos os massacres praticados na Argélia pelos Franceses.

Não precisamos ser especialistas em geopolítica para compreender que práticas colonizadora e expropriatória em algum momento podem ser rejeitadas pelas populações dominadas. 

E isso não vem de agora, vide os Judeus na época de Jesus e a luta pela liberdade em relação ao Império Romano. 

No caso dos países citados, quando isso acontece as nações ocidentais respondem com o seu poderio militar, assassinando quem se atreva a atrapalhar seus interesses. 

Foi assim nas Guerras do Golfo em 1991 e 2001 e nas inúmeras intervenções militares patrocinadas pelo ocidente ao longo das últimas quatro décadas.
Com tanta agressão e exploração não seria surpresa que em algum momento a resposta viesse, e de forma também violenta. 

Foi assim nesse espaço de tempo com inúmeras ações que culminaram com a morte de milhares de pessoas especialmente no ocidente; com destaque para o atentado ao Word Trade Center em 2001. 

Até aquele momento a tática era treinar pessoas em várias partes do mundo (principalmente no Norte da África e Oriente Médio), e envia-los aos países vítimas das ações, algo um pouco diferente da prática atual.

No caso dos atentados sofridos pela França esse ano, a participação ativa de franceses mostra uma outra maneira de agir na consecução dessas ações. 

Seus executores são cidadãos nascidos e criados nos países em que executam as ações determinadas pelas organizações de resistência, no caso mais recente o Estado Islâmico. 

Assim é muito difícil a previsão de atos terroristas pelos serviços de inteligência dos países ocidentais, pois na visão dos Serviços Secretos desses países qualquer cidadão que professe o Islamismo é um suspeito em potencial.

Observem que até o parágrafo anterior não havia citado o termo “terrorista”. Não por apoio a questão, mas por entender que quando um avião cheio de bombas mata crianças, idosos, enfim inocentes, também se configura como um ato terrorista. 

Não assumimos essa postura por entender que ao Estado cabe o direito de matar, inclusive inocentes. 

Mas a vida possui a mesma importância em qualquer lugar, seja na França, nos Estados Unidos ou numa caverna do Afeganistão. 

O Estado que domina, oprime e mata por interesses econômicos é um Estado terrorista. E assim tem sido o papel dos países ocidentais em relação as nações do Oriente Médio e Norte da África.

Quanto a relação existente entre os terroristas e a religião Islâmica quero aqui rechaçar qualquer posicionamento nesse sentido, principalmente em nome dos quase dois bilhões de muçulmanos espalhados pelo mundo; e dos milhares de Sírios, Libaneses, Turcos e outros que faz do Brasil um país plural. 

O Islã é uma religião importante a exemplo do Cristianismo, do Judaísmo, do Candomblé e outras que coexistem pacificamente no Brasil. Ela nos engrandece como nação na medida que respeita as outras práticas religiosas e agrega elementos importantes à nossa cultura. 

Seus praticantes são cidadãos que muito fizeram e fazem pelo país, mas que nunca esqueceram de suas origens, especialmente das razões que os fizeram abandonar seu povo e sua terra. 

Aos irmãos Islâmicos minha solidariedade pelo trato que o Islamismo recebe nesses momentos difíceis, como o que foi veiculado na rede globo de televisão na abertura do Jornal da Globo de 13/10/2015, pelo apresentador Willian Wack. Segundo ele a França representa nossos valores, ao passo que os terroristas “islâmicos” representam a barbárie. 

Ao contrário da afirmação de Wack, os Islâmicos também comungam dos ideais da Revolução Francesa, e nesses momentos temos que deixar bem claro a diferença entre atos terroristas e Islamismo. 

Alá não aprova o que aconteceu em Paris e nem as bombas despejadas nas diversas guerras levadas a cabo contra as nações do Oriente Médio e Norte da África. “Assalamu alaikum”.

PS:  O fuzil AK 47 usado nos ataques em Paris é de fabricação russa, mas pelo menos um dos terroristas identificados até o momento é francês de nascimento segundo as últimas informações.

Valmir “Crispim” Santos
Geógrafo e Agente de Defesa Agropecuária
Campos Belos – GO.

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