sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Política: deputado Jean Wyllys e o bate boca com João Rodrigues



Por Jean Wyllys, jornalista e deputado federal

Há pouco, no plenário da Câmara, a Deputada Federal Jô Moraes me chamou para mostrar o boletim da Comissão de Relações Exteriores, da qual fazemos parte. 

Estávamos alí, analisando a publicação, quando o deputado João Rodrigues (PSD-SC) chegou bem próximo de mim e me abordou [pra quem ainda não sabe quem ele é, eu informo que é aquele cujas falas em favor da morte de "bandidos", chamando-a de "faxina", eu critiquei em postagens anteriores; e também aquele que foi flagrado, em plena sessão, assistindo a um filme pornô].

O breve "diálogo" que se seguiu foi mais ou menos o seguinte:

João Rodrigues: Você me conhece? Você sabe quem eu sou?

Eu: Nunca lhe cumprimentei nem me apresentei pessoalmente, mas, sim, sei quem você é.

João Rodrigues: Então, você tome cuidado com o que você fala a meu respeito. Você postou, colocando a minha foto, que "bandido bom é bandido de gravata e com gabinete". Você não me conhece...[Ele achava que eu me intimidaria. Perdeu o chão quando olhei em seus olhos e reiterei tudo que eu escrevi sobre sua fala de tons fascistas e acrescentei:]

Eu: ...E, por fim, alguém precisava relativizar sua fala; afinal, você foi denunciado pelo Ministério Público por aquilo que o órgão considera crime.

João Rodrigues: Mas, o processo contra mim que você citou foi arquivado...

Eu: Ora, se o processo contra você foi arquivado, é porque você teve amplo direito a defesa. Então, os outros que você chama de "bandidos" também devem ter direito a defesa, em vez de serem mortos sem a chance de se defender, não?

João Rodrigues: Bandido safado, nojento, merece morrer mesmo.

Eu: Ah, é? Então por que você não sobe à tribuna e diz isso em relação ao Eduardo Cunha? Afinal, pra Procuradoria Geral da República, ele cometeu os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão ilegal de divisas, logo, é um bandido...

João Rodrigues: Mas ele só está denunciado...

Eu: Mas por qual julgamento passaram os "bandidos" ao quais você se refere para já sentenciá-los à pena de morte? Vamos, se bandido bom não é bandido com gravata, então por que você não sobe à tribuna e diz, em relação a Cunha, o que você disse sobre os bandidos pobres?

João Rodrigues: E por que você defende Lula?

Eu: Em primeiro lugar, eu não defendo Lula. Ele não precisa de minha defesa. Em segundo, ainda não há nenhuma denúncia formal contra Lula. Em terceiro, quem está negando o direito à defesa e defendendo pena de morte no vácuo da legalidade é você; não eu!

João Rodrigues [chegando bem mais perto de mim, de modo que eu quase sentia sua respiração e seu perfume]: 

Eu defendo a pena de morte mesmo! Você fica aí, defendendo essa raça... Você não sabe com quem você foi comprar briga! [referindo-se a si mesmo]

Eu [olhando no olho dele e para baixo, já que ele é bem menor que eu]: "Essa raça" é também parte do povo brasileiro e está sob o mesmo estado de direito...

Quem é você para decidir quem vive ou morre? Deus? E se você está me ameaçando, devo lhe dizer que não temo sua ameaça. [aproximando-me bem dele e olhando diretamente em seus olhos] Os tempos mudaram, meu caro. 

Os "coronéis" já não podem mais intimidar as pessoas ou ameaça-las impunemente.João Rodrigues [se esforçando para ser irônico]: 

Não, eu não estou lhe ameaçando. Eu não ajo desse forma. Eu não cheguei aqui pelo BBB, aquela putaria, eu tenho muitos mandatos.

Eu: Bom, eu estou em meu segundo mandato e fui eleito com quase 145 mil votos, mas se você quer crer que foi o BBB que me trouxe aqui, fique à vontade... Ao menos não cheguei pela força da grana.

João Rodrigues: Bom, agora você já me conhece. Já sabe quem eu sou. E já está avisado de que mexeu com a pessoa errada.

Eu: Prazer. Agora você já sabe que eu não temo o que me parece uma ameaça.
Despedimo-nos. 

Ele seguiu. Eu permaneci ali para concluir minha conversa com Jô Morais.

O clima estava tão tenso entre os que conseguiam nos ouvir que dava para cortar o ar com uma faca [toda a conversa se deu como numa cena de um thriller político]E, aí, amados e amadas, vocês acham que eu devo temer algo mais que as já manjadas difamações, injúrias e calúnias feitas na internet?__

*Durante a produção do texto acima, em que contava a vocês a cena surreal em que fui abordado pelo deputado João Rodrigues, ele subiu à Tribuna da Câmara para novamente me atacar e intimidar. 

Não intimidou!!!! Sou acostumado a falar o que penso, porque a verdade é libertadora. A resposta que dei a ele está no vídeo.

Posted by Jean Wyllys on Quarta, 28 de outubro de 2015

4 comentários:

  1. Parabéns Dinomar é por essa e muitas outras que pra vc tiro meu chapéu, aprecio a pessoa que fala o sente e muito mais, o que a pessoa realmente precisa ouvir, jornalista honesto e do povo que defende aquele a quem merece. É esta a resposta que a maioria dos colarinhos brancos, corruptos merece ouvir... Parabéns sou sua admiradora, todos os dias acesso seu Blog para me manter informada.

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  2. https://www.youtube.com/watch?v=4c4HPL6uhq4 Esse vídeo é melhor do Jean Willys.

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  3. Sendo eu o Jean Wyllys, estenderia esse discurso a toda à sociedade. Hipócritas!

    Lucas Dourado dos Santos

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  4. Esse Jean Wyllys é o pior de todos os políticos... é um político que luta por tudo que não presta. Ele defende a liberação da maconha, a liberação do aborto, a adoção de crianças por casais gays, o casamento gay e o pior... agora está tentando aprovar uma lei para que jovens a partir de 12 anos possa mudar de sexo sem o consentimento dos pais, sendo que esse mesmo covarde á contra a redução da maioridade penal, ou seja, no conceito desse senhor um jovem de 12 anos pode procurar o SUS para fazer um cirurgia de mudança de sexo sem a autorização dos pais e a cirurgia ainda é paga com dinheiro dos impostos que pagamos, porém um jovens de 16 anos não deve responder pelos seus crimes. Esse cara deveria ser banido da política brasileira. Nesse debate ele só se saiu bem, porque achou um politico desonesto para arrumar uma briga... quando topa o Bolsonaro ele sempre se ferra.

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