quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Artigo: O caso de Cavalcante e o Judiciário



Por Morgana Tavares

A comunidade quilombola Kalunga, encontra-se localizada entre os municípios goianos de Cavalcante, Teresina e Monte Alegre. Foi criada a partir de lutas de africanos escravizados na região e é considerado o maior território quilombola no Brasil.

No presente ano, tem sido muito divulgado os casos de trabalho doméstico infantil, abuso e exploração sexual das meninas quilombolas e não quilombolas, as quais a maioria das vítimas possuem menos de 13 (treze) anos de idade, no município de Cavalcante/Go, há 310km de Brasília/DF.

Nesse sentido, as conselheiras tutelares, educadores sociais e comunicadores que denunciaram o referido caso, começaram a sofrer ameaças de morte, pois estão envolvidos políticos locais como sendo os próprios acusados.

Assim, após o recebimento dessas denúncias, parlamentares, representantes do governo, do Ministério Público e da sociedade civil começaram a apurar tais fatos, tendo sido realizado uma audiência pública naquela cidade, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, no dia 20 de abril desse ano.

Já o governo federal acompanha o caso por meio da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ressaltando que “os principais desafios são garantir agilidade da Justiça e levar políticas públicas para a comunidade Kalunga.”

Além da falta de políticas públicas em Cavalcante, existem muitos outros casos denunciados que ainda não foram julgados. Insta salientar que, faltam escolas na comunidade, assim, as crianças precisam sair de casa para estudarem, onde acabam sendo vítimas de uma série de crimes.

Por último, a rede record de televisão mostrou as condições que vivem as escravas sexuais naquele local, destacando uma, em especial, que dorme na casa do cachorro. Todavia, ainda não temos informações sobre o andamento do caso, e enquanto isso, mais vítimas estão sendo feitas, e mais acusados em estado de liberdade.

Destaca-se que, o judiciário tem papel fundamental na agilidade do caso. Contudo, é visível a falta de servidores para o devido andamento, visto que mesmo tendo realizado concurso público para o preenchimento de vagas imediatas para servidores do Tribunal de Justiça Goiano, as nomeações estão sendo gradativas. 

E aqui, as “hastags” não chegam!


3 comentários:

  1. Maria Augusta Schult29 de outubro de 2015 12:58

    Realmente é um absurdo que venha a ocorrer algo dessa magnitude nos dias de hoje. Mais absurdo ainda é não poderem ser apuradas e os culpados desses absurdos serem processados e julgados por falta de servidores do Tribunal de Justiça, o qual deveria ser exemplo.

    ResponderExcluir
  2. Deveras, infelizmente o Judiciário do Estado de Goiás é um Judiciário apagado, desvanecido, inglório, praticamente a beira da morte. Todos os dias, incrivelmente, no site do Tribunal de Justiça de Goiás, é possível observar inúmeras notícias, inúmeros avisos piramidolosos, todos, absolutamente todos se direcionam às decisões, mais ou menos assim: " o juiz da comarca tal fez isso, decidiu aquilo". "o desembargador fulano concorre à vaga de Ministro do STJ" e tantas outras, expondo assim como se eles fossem heróis, ou sei lá, como se fizessem parte da Liga da Justiça Goiana.Todavia, algo grave, algo sério como a situação de Cavalcante não aparece, por que? Simples, para não macular essa "toga" ou máscara falsa, degenerada, espúria e hipócrita que o TJGO insiste em manter. Cavalcante vive o que está vivendo não é desde ontem, não é desde a crise econômica e toda essa celeuma já era bastante conhecida e, possivelmente, vindo a tona somente pelos alardes jornalísticos. O Tribunal de Goiás é omisso, e claro infinitamente mais cego do que a estátua da justiça! O Estado de Goiás ainda vive sob a égide do coronelismo, onde, aqui, as coisas funcionam de um jeito bem diferente. Como confiar neles? Como? "A consciência é o melhor livro de moral e o que menos se consulta" (Pascal)

    ResponderExcluir
  3. Os novos servidores estão todos ansiosos para prestar serviços de qualidade nessa comunidade, mas infelizmente, O Poder Judiciário tá deixando a desejar...

    ResponderExcluir

Os cometários aqui publicados são de inteira responsabilidade dos autores. Este Blog não se responsabiliza pelos comentários postados pelos leitores, que poderão ser responsabilizados e penalizados judicialmente por abuso do direito da livre manifestação.