segunda-feira, 2 de junho de 2014

Rio Bezerra: não sou contra a empresa, mas apenas um defensor do desenvolvimento sustentável




Acho que não me fiz entender ou não estou me comunicando direito.

Lendo alguns comentários sobre a terrível situação do Rio Bezerra, percebi que muitos dos leitores acham que sou contra a instalação da empresa Mbac/Itafós nos municípios de Arraias (TO) e Campos Belos (GO), na exploração de fosfato.

Não. Não sou contra a empresa. Pelo contrário, sou demasiadamente a favor de qualquer pessoa ou empresa que desbrave, invista e traga desenvolvimento. 

Tenho que um país só cresce com investimento, educação e com muito trabalho.

No entanto, caros amigos, sou também um árduo defensor do desenvolvimento sustentável.

E qual o conceito de desenvolvimento sustentável?

A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é aquele capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. 

É o desenvolvimento que não esgota os recursos para o futuro.

Para ser alcançado, o desenvolvimento sustentável depende do reconhecimento de que os recursos naturais são finitos. 

Muitas vezes, o desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. 

E esse tipo de desenvolvimento tende a ser insustentável, pois leva ao esgotamento dos recursos naturais, dos quais a humanidade depende. 

Desses recursos depende não só a existência humana e a diversidade biológica, como o próprio crescimento econômico. É uma coisa bem lógica. Até o próprio empreendimento é ameaçado. 

Por óbvio, não sejamos ingênuos. Qualquer obra humana tem seu impacto ambiental. E essa é uma variável diretamente proporcional, pois quanto maior o empreendimento, maior o impacto na natureza.

Por isso, esse tipo de projeto requer muito planejamento e, necessariamente, uma cabeça voltada para a proteção do meio ambiente.

Planejamento, responsabilidade social, compromisso ambiental e com as pessoas são palavras chaves em empreendimentos grandes e potencialmente agressivos, como é o caso da exploração de fosfato feita pela Mbac/Itafós na região.

Mais indícios de problemas ambientais 

Hoje recebi mais uma informação de como tem ficado o Rio Bezerra logo abaixo da represa de água feita pela Itafós.

“Eu esqueci de ressaltar sobre o odor que está ao redor da barragem. Está pior que rede de esgoto mal feita. O mau cheiro atinge mais de 2km ao redor do local. O odor é causado tanto pelos peixes mortos, quanto pelos os produtos que eles jogam no rio. É insuportável", diz uma moradora da comunidade, que tem acompanhado de perto e com muita apreensão a questão da contaminação do rio.

Na ação civil pública representada pelo Ministério Público Federal contra a empresa, é fácil entender que a Mbac/Itafós não teve o cuidado necessário de preservação do rio ao construir uma barragem bem no seu leito.

“A lâmina d'água formada sobre os rejeitos continuará a existir, visto que a barragem será construída sobre o leito do rio Bezerra. 

Esta água não deverá, a princípio, ser utilizada para consumo humano, a menos que o monitoramento constante indique que os níveis de contaminantes estejam dentro das normas ambientais brasileiras. 

Além disso, deve se registrar que a barragem de rejeitos não foi construída em um sistema fechado, mas sim no leito do Rio. 

Portanto, se considerar a possibilidade de alteração da qualidade da água ao longo de todo trecho do rio pela acumulação de rejeitos na barragem de fluxo contínuo”, afirmou o procurador federal Álvaro Lotufo Manzano, na ação civil pública.

Por que a empresa não construiu a barragem bem distante do rio? 

Não sou técnico no assunto, mas é óbvio que é porque ficaria muito mais caro. 

Imagine bombear água do rio para uma barragem distante e ainda ter que tratar? 

Os rejeitos posteriormente deveriam ser tratados e só depois devolvidos ao rio.

Mas parece que não é isso que vem ocorrendo, pelo menos após uma leitura mais atenta da peça do Ministério Público.

Quero e desejo que a Mbac/Itafós continue a extrair riqueza e a gerar emprego e renda para muitas famílias.

Mas desejo também que ela reveja, com urgência e prioridade, a questão da contaminação, altamente reprovável, do Rio Bezerra, que não pertence à empresa, aos donos de fazenda, aos posseiros. 

2 comentários:

  1. Excelente colocação, acredito também nas questões abordadas e tão sabiamente exploradas de forma imparcial.

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  2. Os recursos naturais são finitos. A água é o combustível que move a vida no planeta, e a sua contaminação constitui hoje o principal problema para a humanidade. A água contaminada é hoje responsável por cerca de 70% das internações hospitalares e consequentemente grande participação nos óbitos pelo mundo. Não há desenvolvimento sem impacto ambiental, porém pode-se diminuir este impacto, com medidas racionais de preservação do meio ambiente. Infelizmente os grandes grupos econômicos estão direcionados ao lucro fácil, independentemente dos males que causam. Não se pode imaginar pessoas perdendo a vida em nossa região, com contaminação das águas, em beneficio de geração de divisas ao povo do Canadá. Parabéns, Dinnomar , pela coragem e dedicação às causas sociais, ambientais e políticas de nossa região, independentemente de quem possa se sentir ofendido com a explanação e cobrança junto às autoridades dos problemas aqui existentes.
    Não está Hostilizando e muito menos condenando a instalação da empresa, apenas cobra o pré estabelecido pelas leis brasileiras. Progresso com sustentabilidade, não com degradação ambiental em detrimento de nossa comunidade.
    Sucesso pra você, amigo, você presta um serviço de qualidade à nossa comunidade, e com uma observação, de graça.

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