segunda-feira, 9 de junho de 2014

Morre em acidente o ex-delegado de Campos Belos, Nicanor Taveira




Morreu em um acidente de carro, em Goiânia, o ex-delegado de Campos Belos Nicanor Taveira Filho, de 69 anos. 

O delegado Taveira Filho morreu na noite de sexta-feira (6), na Avenida 85, no Setor Oeste, em Goiânia. 

Segundo a Polícia Militar, o veículo em que ele estava, um Chevrolet Celta, bateu em uma mureta do viaduto Latif Sebba.

Arremessado para fora do veículo, o idoso chegou a ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no local. 

Nicanor estava sozinho no veículo. A polícia investiga as causas do acidente.

Em nota, a União Goiana dos Policiais Civis (Ugopoci) lamentou a morte do delegado aposentado.

Natural de Monte Alegre de Goiás, Taveira foi por muitos anos o delegado de polícia em Campos Belos. 

O corpo dele foi sepultado neste domingo, 8, no cemitério municipal de sua cidade natal, na presença de amigos, parentes e autoridades locais. 


"Me aposentei, mas continuo na ativa", diz Taveira

Em 2011, Taveira deu uma longa entrevista aos jornalistas do Sindicato dos Delegados de Polícia de Goiás. Acompanhe...  

Policial quando aposenta, costuma se falar que ele agora é um cidadão inativo. Mas no caso do delegado Nicanor Taveira Filho, que gosta de ser chamado de Doutor Taveira, inatividade passa longe dele. 

Ele deixou a Polícia Civil em 2003 e agora exerce diversas atividades paralelas.

“O povo fala que sou inativo. Inativo nada, sou mais ativo que os ativos que estão trabalhando na polícia”, afirma Taveira, que revela ainda arrependimento por ter pedido a aposentadoria. 

“Gostava muito de trabalhar na regional que eu estava lotado (Campos Belos). Poderia ter ficado mais tempo na polícia. Tinha muito a contribuir”, emenda.

Taveira conta ainda dois sonhos antigos, os quais ainda não deixou que a chama se apagasse: quer ser deputado estadual e diretor-geral da Polícia Civil. “Quem sabe um dia eu não possa receber este convite?”, indaga. “Tenho experiência e posso contribuir com meus colegas”.

Quanto à política, ele faz por onde trilhar um caminho rumo à Assembleia Legislativa. É presidente do PP (Partido Progressista) de Monte Alegre, cidade onde nasceu e viveu parte da infância e adolescência. Chegou, inclusive, a ser vice-prefeito do município, quando tinha apenas 21 anos.

“Gosto demais de política. Estes dias mesmo eu estava com o Marcos Martins (delegado e candidato a deputado estadual) pelo nordeste goiano, ajudando ele a fazer campanha. 

Com o João Campos (delegado e candidato a deputado federal), fomos a Ceres e Posse para reuniões com lideranças. Estou sempre viajando em busca de votos”, conta.

Taveira tem prestígio no nordeste goiano. Em Monte Alegre, o estádio municipal tem seu nome. “Sou ídolo na região”, brinca. Durante a carreira política já ocupou cargos importantes no nordeste goiano, como presidente do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), do extinto Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização) e fundador do antigo partido Arena (Aliança Renovadora Nacional).

A Arena foi um partido criado pelos militares para dar sustentação política aos governos dos generais durante a ditadura. 

Quando ocorreu a abertura política, no final da década de 70, o partido foi denominado de PDS, depois PFL e hoje é o DEM, ou Democratas. “Sou da direita. Não gosto da esquerda”, sentenciou.

No comando do PP da cidade, se diz dissidente – não apoia o candidato do governador Alcides Rodrigues (PP) ao governo do Estado, Vanderlan Cardoso (PR); ele se aliou ao senador Marconi Perillo (PSDB), rival do candidato governista. “Gosto de ficar do lado de quem vai vencer. Só vou perder com o Serra (José, candidato à presidência da República), porque não voto em petista de jeito nenhum.”

E Taveira faz questão de frisar um detalhe sobre os cargos políticos que ocupou: jamais ganhou um centavo. “Tudo que fazia, as presidências que ocupei, eram coisas que não havia remuneração. Nunca ganhei nada, a não ser a satisfação pessoal de poder ajudar a comunidade”.

Além da política, o delegado aproveita o tempo livre para se dedicar aos movimentos sindicais. 

Quando ligamos pra ele para marcar a entrevista, ele estava na sede da Adpego (Associação dos Delegados de Polícia de Goiás). Também é filiado ao Sindepol (Sindicato dos Delegados de Polícia) – faz parte do Conselho Fiscal. “Sempre gostei de participar de atividades sindicais, lutar por nossos direitos”.

Ex-jogador de futebol do Goiânia

O delegado aposentado Nicanor Taveira Filho por pouco não virou jogador de futebol. Ele atuou como camisa 10 da equipe juvenil do Goiânia. Não seguiu carreira, mas até hoje bate uma bolinha com os amigos, e sempre com a camisa 10 nas costas. Tem, inclusive, um time na cidade de Monte Alegre.

“Quando eu chego para jogar todo mundo já sabe: a 10 é do delegado, ninguém toma. O distintivo ajuda na hora de escolher a camisa”, diz, aos risos. Em Campos Belos, no período em que foi delegado regional, também tinha um time na cidade. Jogava futebol todo final de semana.

Além do futebol, da política e da polícia, Taveira diz que adora namorar e dançar – é divorciado. “Danço de domingo a domingo. Curto bem a aposentadoria”, revela. Vaidoso, de cabelos bem penteados e um óculos estiloso durante visita à sede do Sindepol para fazer uma fotografia, também afirma que já viajou o País inteiro. “Conheço todas as praias do Brasil”.

Carreira

Taveira iniciou a carreira como Policial Civil em 1978, quando entrou para a instituição como agente. Em 1994, prestou concurso para delegado e foi aprovado. Antes da PC, era escrivão do Tribunal de Justiça de Goiás. Naquela época, tinha muitos amigos policiais e começou a se apaixonar pela profissão.

Como delegado, nunca chegou a ficar em delegacia distrital. Sua primeira nomeação foi para a regional de Campos Belos, onde ficou até se aposentar, em 2003. “Nunca fui subordinado a ninguém”, conta, com orgulho no rosto. Ainda sobre Campos Belos, lembra das dificuldades de se trabalhar na região na década de 90.

“Naquela época, para subir a serra dos Kalungas, era preciso montar em lombo de cavalo. Fiz dezenas de diligências pela região no lombo do animal. Hoje, delegado não entra numa região daquela se não for de helicóptero. Na minha época era mais dureza.”

A Comunidade Kalunga, formada por negros descendentes de escravos, fica em um sítio histórico e cultural no nordeste goiano, entre os municípios de Cavalcante, Monte Alegre de Goiás e Teresina de Goiás. 

A geografia acidentada com serras de centenas de metros, os vários rios e córregos fazem da região Kalunga uma das de mais difícil acesso do País. Hoje existem estradas que levam a algumas comunidades, mas para outras, até hoje, só em lombo de cavalo.


Nome: Nicanor Taveira Filho

Data de Nascimento: 24.08

Local de Nascimento: Monte Alegre de Goiás

Estado Civil: Divorciado, com uma filha, Janaína Taveira, 28

Formação: Direito, especialista em Processo Penal

Ano em que entrou para a Polícia Civil: 1978, como agente de polícia, virou delegado em 1994 e se aposentou em 2003

Hobby: Jogar futebol e participar da política

Time que torce: Goiás, Vasco e Corinthians

Comida preferida: Carne bovina


Sonho de consumo: Ser deputado estadual

Com informações do G1

3 comentários:

  1. Lamentável a morte do Taveira...

    ResponderExcluir
  2. Senti-me muito triste com a morte do Taveirinha. Era assim que o chamavam seus amigos.
    Lamentável o desaparecimento de pessoas tão dinâmicas e com sonhos a realizar como ele.
    À Janaína, apesar de não conhecê-la, meu abraço.
    Tereza Martins Bezerra, Bacharela em Direito.
    Ituiutaba MG.

    ResponderExcluir
  3. Este delegado se envolveu em um acidente de trânsito próximo ao Natal, ocasião em que se encontrava visivelmente embriagado. Provavelmente estava embriagado nesta ocasião em que faleceu. Felizmente não envolveu outras pessoas. Lamentável.

    ResponderExcluir

Os cometários aqui publicados são de inteira responsabilidade dos autores. Este Blog não se responsabiliza pelos comentários postados pelos leitores, que poderão ser responsabilizados e penalizados judicialmente por abuso do direito da livre manifestação.