quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Campos Belos, por Edson Barbosa




"Gostava de estar no campo para poder gostar de estar na cidade." Fernando Pessoa


A cidade está no norte goiano, cercada por montanhas de todos os lados, ela é relativamente nova, cresceu baseando-se na pecuária, hoje o comércio ocupa cada vez mais espaço no cenário econômico. 

Campos Belos é a segunda maior cidade da região nordeste do Estado, e, apesar da pouca população, o município ostenta o posto de polo econômico da região, atendendo vasta área do nordeste de Goiás e sudeste do Tocantins. 

A cidade fica 400 quilômetros distante de Brasília e 630 de Goiânia, os quais achei longos na ida, porém, a volta pareceu-me mais rápida, o bom é que o fluxo de carro é pequeno.

Fomos recepcionados pela Marly de Oliveira, vice-diretora do Colégio Estadual Felismina Cardoso. 

Muito atenciosa, mostrou-nos toda região, a cidade e suas peculiaridades. Boa gastronomia, excelente bebida. 

Lá encontrei André Borges, um músico versátil, com um grande carisma, uma voz forte que preenche o ambiente, com uma energia que agrada as mulheres. 

Presenciei uma disputa de algumas “fãs” pela atenção do jovem, em uma mesa estavam quatro mulheres prestigiando o show, quando surgiram comentários que ele estava dando mais atenção para uma delas, nesse momento a fã que estava sendo deixada de lado, ao perceber que a amiga não queria nada além de prestigiar o show, solta: “Besta!”  – Você não tem noção de como essa palavra ficou ecoando na mesa. 

Voltemos à história da composição populacional de Campos Belos, que pode ser entendida quando se leva em conta os grupos de migração que compuseram a cidade. 

Na época de seu surgimento, as pessoas que habitavam a região eram basicamente as tradicionais famílias descendentes de portugueses e donas de grandes extensões de terra, havia também uma minoria de goianos vindos do sul, que, alimentados pela febre do ouro descoberto em Arraias e Monte Alegre, vivia ali a decadência desse período e por fim, em número maior, famílias muito pobres que viviam o fim do ciclo do ouro. 

A partir de 1920, com o surgimento do povoado, inúmeras famílias baianas se integraram à população local, adquiriram terras e trouxeram toda cultura do Estado vizinho àqueles que já estavam no lugar. 

O maior bairro da cidade, a Vila Baiana, é uma referência a esses migrantes. A soma de todos esses grupos criou em Campos Belos um jeito peculiar de se falar. 

Não há um sotaque definido e é possível ouvir diferentes expressões, já que nos últimos anos pessoas da região Sul do País, Minas Gerais e São Paulo juntaram-se em grande número aos moradores da cidade. 

As maiores festas populares são: o carnaval; o Arraiábelo, realizado no Centro Olímpico, tido como a 3ª maior festa junina de Goiás; a Exposição Agropecuária - que acontece normalmente em julho; e a Festa de Nossa Senhora da Conceição. 

Campos Belos tem a peculiaridade de fazer divisa com duas regiões geográficas do Brasil. 

O município faz fronteira a leste com a Bahia, na região Nordeste, e ainda com o Tocantins, que pertence à região Norte. A fronteira com o primeiro é delimitada pela Serra Geral da Bahia, e com o segundo pelo Rio Bezerra. 

Com a construção de Brasília na década de 1950 e sua inauguração em 1960, toda a região desenvolveu-se. 

A Constituição brasileira de 1988 dividiu Goiás ao meio. Campos Belos passa então a ser município de fronteira interestadual; com isso seu comércio desenvolveu-se espantosamente na década de 1990 e 2000, já que a cidade passou a atender a população do novo Estado que não possuía infraestrutura comercial própria. 

Com a construção de Palmas, a cidade passou a ser também roteiro alternativo de acesso ao Norte do País. 

A historiadora Lúbia Lafaete, que também foi visitar o município, comenta: “A cidade é cenário de belas paisagens e oferece locais de entretenimentos para vida diurna e noturna, como o Balneário Bezerra. 

A noite na cidade é extremamente agradável, com praças bem iluminadas e com uma infraestrutura de causar inveja a muito locais, oferece boa música com apresentações de intérpretes locais e vindos de outras cidade.” 

Nesse momento tivemos o prazer de desfrutar da companhia e da bela voz de André Borges, intérprete local, que tem na alma o verdadeiro sentimento de um poeta que procura viver momentos intensos.

Nosso Estado é rico em alternativas para viagem, antes de conhecer outros lugares, conheça Goiás.

(Edson Barbosa, escritor, educador, diretor da EBN Produções Artísticas, presidente da Ass. dos Gestores Culturais de Goiás. E-mail: edsonzen@hotmail.com)

Publicado originalmente no Jornal Diário da Manhã, de Goiânia 

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