Região Nordeste de Goiás: A reserva da biosfera e o ecoturismo


Natureza exuberante em Cavalcante (GO)


Texto por Garibaldi Rizzo

A Caravana das Cidades foi conhecer de perto a realidade desta região goiana. Composta de 20 municípios a região possui os mais baixos índices do Estado. 

Sua população, em torno de 172 mil habitantes, representa 2,8 % da população de Goiás. 

A taxa de analfabetismo, segundo o Censo Demográfico, é de 22,4% contra os 10,8% do Estado. 

A mortalidade infantil no Nordeste goiano é de 39,36, enquanto que para o Estado é de 26,86%, A arrecadação do ICMS desses 20 municípios representa 0,45% da arrecadação do Estado. 

Com um quadro desses, a economia também reflete de maneira negativa.
Esses desequilíbrios sócioeconômicos da região pressupõem carência de investimentos em áreas de infraestrutura básica. 

Apesar da estagnação, a região possui potencialidades econômicas e de mercados consumidores que são elementos fundamentais para o desenvolvimento sustentável. 

As principais potencialidades da região estão ligadas ao agronegócio e o turismo (ecoturismo/agroturismo).


Na regionalização elaborada pela Goiás turismo ela é denominada Região Biosfera Goyaz é composta de alguns municípios entre eles: Alto Paraíso, São Jorge, Cavalcante, São Domingos, Formosa, Monte Alegre de Goiás, Posse e São João D’Aliança. 

Cachoeiras e veredas em Alto Paraíso e Cavalcante (GO)

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, é uma referência em Ecoturismo e Turismo de Aventura no Estado de Goiás. 

O Parque criado em 11 de janeiro de 1961, pelo Decreto Federal nº 49.875, localizado em Goiás, abrange os municípios de Alto Paraíso de Goiás e Cavalcante. 

O Parque tem uma área de 60 mil hectares, com um clima tropical, quente semi-úmido, com quatro a cinco meses secos. 

A 500 km de Goiânia, o parque dispõe de uma maravilhosa estrutura receptiva para turistas e pesquisadores. 

A vegetação é composta de savana e Cerrado, apresenta uma rica fauna que abriga animais em extinção como a onça-pintada, cervo-do-pantanal, lobo-guará, e até o veado-campeiro. 

Além de dar morada a animais como o tapeti, tatu-canastra, tamanduá-bandeira, capivara e anta, das aves as mais chamativas são o tucano-de-bico-verde e as emas.

A prática de ecoturismo é muito comum no Estado, principalmente na Região da Reserva da Biosfera Goyaz onde se encontram além do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Sítio Natural do Patrimônio Mundial, Parque Estadual de Terra Ronca e pelo Parque Municipal do Itiquira.


Os habitantes da região Nordeste querem que o desenvolvimento chegue sem que isso signifique a depredação do meio ambiente, a natureza imponente é a característica marcante, o que faz do ecoturismo uma das atividades mais promissoras.

Em Posse, Alvorada e Simolândia, há a reivindicação: Auxilie os municípios a transformarem-se em pólos turísticos – há rios e grutas a serem exploradas sem depredação.

O município de Posse, na divisa com a Bahia, é uma cidade-pólo em diversas áreas, como Educação e Saúde e se tornou forte entreposto comercial, principalmente devido a agricultura do Oeste baiano, que realiza suas transações comerciais na cidade goiana. 

O comércio bastante ativo gera emprego e renda a uma parcela significativa da população local.

A falta de um aeroporto com melhores condições e de um calendário regional de eventos também dificulta o desenvolvimento do turismo. 

Entre as medidas que podem fomentar o turismo nos próximos dez anos estão a valorização da cultura regional e a intensificação da promoção de eventos que divulguem as identidades locais, a criação de monumentos culturais e naturais nos diversos municípios do Nordeste goiano; a criação de Teatro de Arena, garantindo espaço para apresentações culturais; implementação de centros culturais com sala de vídeo, eventos e bibliotecas e criação de museus na região.

Veredas em Campos Belos (GO)

Os dados mostram a necessidade de aliar programas habitacionais a programas de desenvolvimento social. 

Por suas características, o Nordeste necessita ter ampliadas e implementadas políticas habitacionais para a zona rural, boa parte da população está na zona rural.

A formação de núcleos construtivos para utilização do barro e da madeira garantirá o aproveitamento de técnicas já conhecidas e de custo reduzido, devido à presença de matéria-prima abundante. 

Outra estratégia é o desenvolvimento de técnicas de eco-construção, envolvendo toda a população da região, incluindo os construtores calungas. Com impactos principalmente na zona urbana, é necessário que os municípios da região elaborem planos diretores com mecanismos eficientes de fiscalização.

A região enfrenta sérios problemas quanto à ordenação da propriedade fundiária, impedindo aos proprietários, através da titularidade da terra, pleitear financiamentos com vistas à modernização agropecuária, possibilitando a incorporação de tecnologias apropriadas para a região, aumentando a produção e a produtividade, competindo de forma igualitária com as demais regiões do Estado.

Gaviões Carcarás em Teresina  (GO)

Outro fator importante do Nordeste goiano é a existência de potencial hídrico em algumas áreas, que permite o processo de irrigação por gravidade como ocorre com o Projeto Flores de Goiás. 

As áreas com maior potencial agricultável e com possibilidades de irrigação por gravidade situam-se no Vão do Paranã. 

Entretanto, existem na região áreas onde há falta de água até mesmo para o consumo humano, sendo necessária a perfuração de poços artesianos e construção de pequenas barragens para atender o abastecimento de comunidades e pequenas propriedades rurais.

Uma das alternativas para promover o desenvolvimento da indústria e do comércio da região Nordeste é o estímulo ao artesanato, que é prática comum nos municípios dessa área e constitui um grande potencial gerador de renda e emprego. 

Também se deve investir na produção e no comércio dos produtos orgânicos e na implantação de indústrias associadas com as vocações do Cerrado. 

Calungas em Monte Alegre (GO)

O fortalecimento do associativismo e do cooperativismo, bem como o estímulo à implantação de indústrias de transformação dos produtos do Cerrado– a exemplo daquelas que já existem em Mambaí, Sítio D’Abadia e Damianópolis – são outras medidas que podem favorecer o desenvolvimento local.

O Nordeste tem um dos piores índices de saneamento básico do Estado. Nos 20 municípios da região, 91% da população têm acesso a água tratada, enquanto apenas 23,7 % têm rede de esgoto. 

A região está localizada no encontro de duas bacias – do Prata e do Amazonas –, além de a nascente do Rio Tocantins estar na região. 

A implantação de ecofossas pode reduzir impactos sobre o meio ambiente. Outra grave situação é a ausência de qualquer política de tratamento dos resíduos sólidos, já que o lixo gerado por 49,78% da população da região não é coletado e, mesmo o coletado, em geral vai para depósito a céu aberto.

Faltam hospitais, laboratórios e aparelhos para doenças graves. Só em Campos Belos há um hospital, e particular. 

Ambulâncias das prefeituras amenizam os problemas, porque os doentes podem ser transportados para Brasília, Goiânia ou Formosa.

Cavernas em Formosa e São Domingos (GO)


A taxa de mortalidade infantil, um dos principais indicadores de desenvolvimento humano, de 39,36 (por 1.000 nascidos vivos), está acima da média estadual. 

O resgate da medicina preventiva, através da implantação de centros de estudos da medicina alternativa, aproveitando o conhecimento tradicional da população, é outra estratégia para a região. 

O Cerrado é o segundo maior ecossistema do País e possui plantas com potencial para oferecer princípios ativos que aumentam a imunidade do organismo a agentes externos.

O Nordeste goiano possui dois grandes eixos de transporte pavimentados que são a BR-020 e a GO-118, ficando um vazio, justamente em áreas férteis, sem pavimentação. 

Veredas em Campos Belos (GO)

Outro fator restritivo ao desenvolvimento da região está relacionado à baixa oferta de energia elétrica. 

O potencial hídrico existente permite a construção de usinas geradoras tanto em São Domingos quanto em Mambaí, aumentando, substancialmente a oferta de energia. 

Regiões de pobreza como a do Nordeste possuem um entrave que é o da eterna dependência dos investimentos públicos, que sempre são escassos. Somente através de políticas públicas é possível mudar a realidade dessas áreas muito carentes.

Garibaldi Rizzo, arquiteto; urbanista; gerente – Políticas Habitacionais – Secretaria de Estado das Cidades

Parque de cavernas na reserva Terra Ronca  - Posse e São Domigos (GO)