Ética, transparência e cidadania


A campanha eleitoral municipal está chegando ao fim. Muitos dos cidadãos já devem ter escolhidos seus candidatos Brasil a fora. 

Outros tantos devem estar indecisos e provavelmente continuarão assim até o dia 7 de outubro. 

E muitos outros já decidiram não votar em ninguém. 

Em suas escolhas, muitos decidiriam pelo candidato baseado em vários motivos. 

No entanto, a maioria deve ter decidido por motivos éticos, o que leva em conta um conjunto de valores como honestidade, humanismo, honradez, sinceridade, probidade. 

E no fundo, é o que desejamos dos eleitos. 

O grande problema é que raramente eles, os eleitos,  atingem as nossas expectativas. 

Na campanha, muitas promessas, beija-beija, shows de humildade... todo mundo é honesto, todos são defensores do povo. 

Mas quando assumem o cargo público, a grande maioria, por quatro anos, esquece tudo o que falou, tudo o que prometeu, não mais reconhece as necessidades da comunidade, esquece o rosto e o nome de quem o apoiou. 

E mais, transforma o órgão público e o administra como se fosse um bem particular, com toda a máquina pública à disposição do seu interesse.   

E não há como negar que isso é uma herança cultural de muitos séculos, vinda ainda dos colonizadores com suas grandes propriedades de terras, nas quais se transformaram as capitanias hereditárias (lembra das aulas de história?). 

O jornalista americano Larry Rohter informa que no Brasil-colônia os donos dos feudos eram basicamente soberanos, estava acima da lei e respondiam apenas ao Rei de Portugal. 

Criou-se uma mentalidade, que  vigora ainda hoje, de que a coisa pública pertence a quem está no poder. 

Em 1890, essa cultura de "dono de tudo" pode ser vista no coronelismo, principalmente nos sertões e nos locais distantes dos centros urbanos (Rio e São Paulo).  

Mandachuvas locais  escolhiam  governadores estaduais, que por sua vez elegiam presidentes - quanto mais insignificantes melhor - com apenas uma percentagem mínima da população autorizada a ratificar tais decisões em eleições fraudulentas. 

Nessa época, a educação não era estimulada porque as famílias oligárquicas (aquelas que mandavam na cidade, na região, na província, no estado)  as viam como uma ameaça em potencial à autoridade delas. 

Como os eleitores precisavam passar por um teste de alfabetização, a elite temia que maior escolaridade para as massas pudesse aumentar o eleitorado a tal ponto que ela não mais conseguisse controlá-la. 

Hoje os tempos são outros. 

Cada vez mais as pessoas estão politizadas, sabedoras dos seus direitos de cidadania e exigem cada vez mais um posicionamento ético e transparente de quem organiza e gestiona o bem público, seja ele uma prefeitura, uma secretaria, um posto de saúde, um ministério ou um cargo de vereador.

Não querem mais apadrinhamentos, perseguições, cabides de emprego e outras mazelas criada no vácuo da má administração. 

As pessoas não querem saber apenas se o administrador público gastou. 

Querem saber em que gastou, porque gastou, como gastou. 

Querem ver as contas, querem saber se o gasto terá algum retorno social, se terá um retorno para a comunidade, para o bem comum. 

Por isso, ética e transparência são requisitos obrigatórios para o futuro prefeito e vereador.  

E você, eleitor,  é a principal peça  nessa engrenagem.  

A ética começa em nós, pessoas; em nós, eleitores. 

Não pense apenas em seus benefícios diretos e pessoais. Pense naquilo em que o conjunto da comunidade vai ganhar. 

É uma coisa lógica, se a comunidade inteira ganha, todos os indivíduos dessa comunidade também vai ganhar e não apenas aqueles apadrinhados pelo "coronel". 

Assim, caro cidadão, no dia 7 de outubro você tem uma responsabilidade gigantesca em seus ombros. Estará com você o poder de escolher entre aquele que vai fazer o bem ou aquele que vai fazer o mal para a sua comunidade.  

Deixe a paixão de lado, seja racional. 

Tire de você o individualismo e pense na comunidade. Faça um escolha inteligente. 

Mas do que isso, não seja apenas um eleitor descartável. 

Seja, principalmente,  um cidadão e cobre nos quatro anos seguintes dos novos administradores (seja ele o seu candidato ou não) estas três palavras chaves, de grande valor e significado social: ética, transparência e cidadania.