quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mulheres são barradas nas eleições de Arraias-TO


Karlaam Vieira e 

Daniela José tiveram
 as candidaturas deferidas 

Dez pré-candidatas foram barradas pela justiça eleitoral 

O município de Arraias, sudeste do Tocantins, apresentou uma estatística curiosa para as próximas eleições. Todos os candidatos barrados pela justiça eleitoral para o cargo de vereadores são mulheres. Nenhum candidato homem foi indeferido. 


Para concorrer às nove vagas de vereador, 76 pessoas se inscreveram junto à justiça eleitoral como candidatas. Foram 25 mulheres (32,9%) e 51 homens (67,1%). O número de candidatos inscritos  por si só já é uma desproporção.

Ao analisar os processos de registros de candidaturas, o Tribunal Regional Eleitoral barrou quase a metade das mulheres candidatas. Das 25 pré-candidatas, 10  tiveram os registros indeferidos pelo juiz-eleitoral, a pedido do Ministério Público.

Coincidência ou não,  o número de mulheres impedidas de disputarem a eleição é alto. Os motivos dos indeferimentos não foram divulgados pela justiça eleitoral.  

Agora apenas 19% do total de candidatos a vereador são mulheres.


Segundo dados do IBGE, o município de Arraias tem uma população de  10.645 pessoas. 

Tecnicamente metade de homens (5.393; 50,66%) e metade de mulheres (5.252; 49,33%), para um total de 8.630 eleitores, de acordo com o Tribunal Superior  Eleitoral.

Os dados corroboram as estatísticas nacionais de pouca participação da mulheres na vida  política do país.

O Brasil tem apenas de 13% de mulheres no parlamento, ocupando o final da fila na América Latina. 

O dado é divulgado pela Inter-Parlamentary Union (IPU), órgão que reúne todos os legislativos do mundo e que compila estatísticas sobre a presença de mulheres nestas casas.

Pesquisa 

Por que as mulheres candidatas não conseguem se eleger na mesma proporção que os candidatos homens? Por que as mulheres se apresentam menos na política? Ou, quando se apresentam, o que acontece para que não tenham tanto sucesso? Por que os financiamentos de campanha são sempre menores para as mulheres?

Segundo os pesquisadores Rachel Meneguello e Bruno Speck, professores do Departamento de Ciência Política da Unicamp e pesquisadores do Centro de Estudos de Opinião Pública (Cesop), a hipótese de que as mulheres teriam menos interesse pela política, está presente na própria fala de algumas entrevistadas, que culpam as demais pela baixa representatividade no parlamento. “Ainda existe este preconceito em relação a si mesmas.

O que de fato acontece – e aí entra outra dimensão da nossa pesquisa – tem a ver com a presença do machismo. 

Sobretudo as casadas e com filhos, que têm atribuições domésticas, enfrentam grande dificuldade para dar conta de uma carreira política e do casamento.

Dentre as entrevistadas, mais de 20% são separadas. Eleita, a mulher não se ocupa apenas de legislar, ela tem uma vida dentro do partido e precisa compatibilizar as atividades com sua vida privada.”

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