segunda-feira, 30 de julho de 2012

No Nordeste, o esporte ganhou um ingrediente mais polêmico: motos







Conhecidas com o “esporte sertanejo”, com milhares de adeptos no Nordeste, as vaquejadas ganharam o incremento de motos em substituição aos cavalos, criaram uma nova modalidade motorizada, a motojada, e reacenderam as críticas de instituições de proteção aos animais, que já criticavam a vaquejada tradicional.




A vaquejada consiste em o vaqueiro usar o cavalo para derrubar o boi, segurando-o pelo rabo, numa pista de corrida. 


Com a motojada, a tarefa ficou ainda mais cômoda, já que o cavalo deu lugar aos motores de veículos de motocross.


Para defensores dos animais, as motos causam uma batalha desleal com o garrote, que é perseguido numa pista de 150 metros para que o vaqueiro (agora motoqueiro) derrube-o dentro da faixa.


As críticas começaram após o anúncio de uma “motojada” marcada para ocorrer no próximo dia 29, na Fazenda Santo Antônio, localizada entre os municípios de Palmácia (CE) e Pacoti (CE).


A Motojada de Gado dos Ferros deverá ser realizada pela segunda vez, caso não haja impedimento judicial. 


A “festa para derrubada do boi” promete distribuir R$ 2.000 em prêmios, além de três shows de bandas de forró. 


A expectativa de público é de dez mil pessoas e mais de 50 competidores.


Mas, no que depender da Uipa (União Internacional Protetora dos Animais) no Ceará, o evento não sairá dos panfletos. 


A presidente Geuza Leitão de Barros disse ao UOL que fez uma representação ao MP (Ministério Público Estadual) contra a realização da motojada.


Geuza alegou maus-tratos no confinamento do gado no curral e durante a corrida. Uma campanha também foi lançada nas redes sociais para pressionar contra a realização do evento.


Para a Uipa, a prática configura crueldades e infringe a Constituição e a Lei de Crimes Ambientais, já que “neste evento o boi será perseguido por um motoqueiro (em vez de um cavaleiro, também crime), movido a grupos de forró e premiação em dinheiro, prática delituosa que ocorre à custa de crueldade para com os animais usados na arena”.


“O barulho do motor das motos assusta ainda mais o animal, que sai correndo desesperado sem entender o que se passa. 


Além do mais, o motoqueiro tem muito mais chances do que o vaqueiro em um cavalo de alcançar o boi por conta da potência da motocicleta”, afirmou Geuza.


A presidente da Uipa afirmou que, além da representação, está questionando a liberação do evento por órgãos como Corpo de Bombeiros, Polícia Militar. 


“Eles são órgãos estaduais e deveriam cumprir a lei de proteção aos animais, não conceder o alvará de funcionamento para ocorrer a motojada. 


Também vou questionar o Detran sobre a legalidade do uso de motos na pista. Quero que os responsáveis sejam punidos”, disse.


Com texto da Liberdade  96, 3 FM (Paraíba)
 

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