domingo, 10 de junho de 2012

Marcha Virtual: militares buscam aumento salarial pela internet



Por proibição constitucional, os militares das Forças Armadas não podem fazer greve. 

E por conta disso ficam reféns de uma situação que não podem nem mesmo reivindicar os próprios aumentos de salários.

A situação na caserna está tão feia, que fontes não oficiais dizem que mais de 70% dos militares estão endividados até o pescoço, principalmente com empréstimos consignados.

A situação se agrava mais ainda porque os integrantes das Forças Armadas não tem outra fonte de renda.

Primeiro porque trabalham mais de 8 horas por dia – dedicação integral. Depois em virtude de a própria lei os proibir de exercer qualquer outra atividade. 

Sem força para barganhar, com a má vontade do governo e ainda com um resquício de perseguição ideológica ainda aflorado, a situação fica insustentável.

O último aumento da categoria ocorreu em 2008, divididos em três parcelas de cerca de 10% cada. 


Algumas patentes chegaram a ter 40% de aumento, mas logo corroído pela inflação e pelo imposto de renda.

Mas o pior de tudo isso é que os militares são acionados para qualquer situação em que o governo se sinta em dificuldades. Ou seja, trabalho não falta.

São exemplos as ocupações do complexo do alemão e da penha, as campanhas da dengue, eventos de segurança internacional como o Rio+20, enchentes, secas, além das missões tradicionais das corporações.

O governo, o Senado, a Câmara, todos dão de ombro para a situação.

Cansados de esperar, os militares começaram uma mobilização inusitada: pressionam pela internet.

Segundo o site da Revista Veja, até o início da última segunda-feira (4), haviam sido coletadas mais de 206 mil assinaturas de militares e civis em apoio ao movimento.

Essas assinaturas embasaram um pedido já enviado para o Senado, solicitando a realização de audiência com autoridades como os ministros da Defesa, Celso Amorim, e do Planejamento, Miriam Belchior, para tratar do aumento salarial numa comissão do Senado.

O movimento já está sendo chamado de "marcha virtual".

O assunto já foi parar no Planalto, mas não está sendo objeto de avaliação pelo palácio, que apenas acompanha as informações.

O assunto só preocupa o governo porque, paralelo à marcha virtual, as mulheres dos militares estão programando um "panelaço" para ser realizado durante a Rio+20, quando o Brasil receberá cerca de 120 chefes de Estado e de Governo para a conferência mundial do meio ambiente.

A convocação das mulheres também está sendo feita pela redes sociais.

No link da página do Senado, onde pedem adesão para que o assunto "reajuste salarial" seja discutido no Congresso, os militares lembram que "não há aumento há mais de onze anos e a classe se vê obrigada a fazer empréstimo consignado para sobreviver e não passar por privações".

Há queixas de todas as regiões do País sobre seus os comandos para que o tema seja levado ao Palácio do Planalto.

No Ministério da Defesa, a informação é que o assunto "é objeto de tratativas das áreas técnicas da Defesa com Planejamento", mas não há a menor previsão de quando o assunto poderia ser levado para esferas superiores ou de quanto poderia ser a proposta de reajuste.


Um verdadeiro desrespeito a uma das instituições mais sólidas e necessárias do Estado brasileiro.

2 comentários:

  1. É isso meu camarada, muito boa a sua crítica, é dessa forma que talvez possamos abrir os olhos do governo e fazê-lo com que ele volte a olhar para essa instituição a tanto tempo esquecida, e lembrá-lo que também somos gente e como tal, também temos necessidades como qualquer outro mortal.Edimar Campos

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  2. O problema e que o governo atual, e a imprensa, desprezam os militares, por conta da ditadura, so que no momento em que o pais entrar em uma guerra, gritaram por socorro.

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